De Direita
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Tuesday, September 30, 2003
Querem à força contruir a imagem que o Governo de Portugal foi hijacked por radicais neo-conservadores.
Querem à força construir a imagem que Paulo Portas é um neo-nazi, um Le Penn na coligação governamental. Felizmente a realidade é muito diferente do que se vai publicando.
Boas maneiras à mesa.
Depois de um dia e semana de trabalho, escolhemos uma agradável companhia para jantar. Rebola-se até ao Bairro Alto onde nos aguarda uma mesa no habitual Pap'Açordas, um lugar tranquilo com algum requinte. Tudo numa interessante e relaxada harmonia até que subitamente entra um jovem socialista e um menos jovem socialista para jantar. Às crianças pequenas (jovem socialista) é necessário dizer-lhes: 1. Esteja quieto e sentado. Em pé estão os empregados. 2. Durante um jantar, numa sexta-feira e num local com as características do Pap'Açordas, não se coloca um computador portátil em cima da mesa. 3. Existem umas cadeirinhas à entrada, vá até lá se é urgente. 4. O espaço que existe junto ao espelho não serve para expor uma escarrapachada mala de portátil. 5. Modere os décibeis estridentes da conversação. Ninguém está interessado nela. Estas e mais algumas considerações servem para que numa próxima oportunidade a mesa socialista não se pareça com uma tenda de ciganos high-tech. (Versão 1.01: Estas foram as recomendações que me ocorreram. O socialista adulto entretinha-se com o telemóvel)
Ernani Lopes
Quem acompanha há algum tempo o pensamente de Ernani Lopes reconhece que se trata de uma pessoa inteligente e informada. Com uma visão acertada do mundo dos negócios que o levou a um lugar de destaque no Grupo Espírito Santo e a liderar a Saer. Há no entanto um pessimismo desenfreado e catastrofista em Ernani Lopes que tem de ser compreendido, tolerado e removido. Depois de escutar Ernani Lopes, e se levarmos todas as suas palavras a sério, damos graça por conseguir inspirar e espirar oxigénio com sucesso. Frases bombásticas (como a que o Expresso decidiu colocar na sua primeira página) e destinos trágicos são sistematicamente previstos por Ernani Lopes. É assim a sua natureza, imagino que com solução terapêutica no divã. Suponho que é necessário um pouco de escola para ler Ernani Lopes, entender os seus textos, a sua escola de pensamento. Depois é só retirar o pessimismo desenfreado e resta um conjunto muito interessante de reflexões e propostas. Monday, September 29, 2003
Uma cara colega e amiga, com quem tive o prazer de jantar um dia destes, nO Tibetano, ao lado de um monge budista de hábito e tudo, decidiu abrir um blog.
Congratulo-me por ter contribuído para a decisão. Há pessoas que não devem ficar caladas. Muitos parabéns, Cláudia. Raras são as vezes em que jovens inteligentes e consultoras ocupadas, leitoras de Hegel e Proust, nos abrem uma janela destas. Como esquecer aquelas deliciosas horas de almoço que passávamos a remexer o pó nas prateleiras da livraria Buchholz? Parece que foi ontem. Bons posts. De onde vem o génio? Vítor Hugo defendia que o poeta não deveria ter outro modelo que não a natureza, e nenhum outro condutor que não a verdade. Que não deveria escrever com aquilo que foi escrito mas através do seu âmago e com o seu coração. De todos os livros que circulam na mão do Homem, considerava que apenas dois deveriam ser estudados pelo mesmo, Homero e a Bíblia. É que estes dois livros veneráveis, em primeiro lugar pela sua data e pelo seu valor, mais ancião que o mundo, são eles mesmos dois mundos a pensar. Encontramos, em qualquer dos casos, a criação inteira considerada sem duplo aspecto. Em Homero, a criação pelo génio do homem, na Bíblia a criação pelo espírito de Deus. Poderão ser dois alicerces civilizacionais muito diferentes mas, neste ponto focado pelo poeta, diria que tudo poderão ter de semelhante.
Homo Universalis
"From the oyster to the eagle, from the swine to the tiger, all animals are to be found in men and each of them exists in some man, sometimes several at the time. Animals are nothing but the portrayal of our virtues and vices made manifest to our eyes, the visible reflections of our souls. God displays them to us to give us food for thought." A França produziu um Homem Universal. Mas foi ela que inclusive o deportou. Pergunto-me qual das franças existirá ainda hoje. Qual delas tomará o pulso do futuro. Qual delas pretende tomar o pulso da Europa?
That is all
"France is a people of the same quality as Greece and Italy. She is Athenian in beauty and Roman in grandeur. Moreover, she is generous. She gives herself. More often than other peoples, she knows the mood of devotion and sacrifice. But it is a mood that comes and goes; and this is the great danger for those who seek to run when she is content to walk, and to walk when she wishes to stay still. France has her relapses into materialism, and at certain moments the ideas which obstruct the working of her splendid mind contain nothing that recalls her greatness but are rather of the dimensions of Missouri or some other southern state. What can be done about it? The giantess plays the dwarf; great France has her fantasies of smallness. That is all." Victor Hugo, Les Misérables (1862).
"Nations, like stars, are entitled to eclipse. All is well, provided the light returns and the eclipse does not become endless night. Dawn and resurrection are synonymous. The reappearance of the light is the same as the survival of the soul."
Victor Hugo, Les Misérables (1862). Este senhor andou a tomar café com Jung?
As almas penadas e o Iluminismo, por um anti-bonapartista
"Monasticism, as it existed in Spain and still exists in Tibet, is a wasting disease of civilization. It puts a stop to life. Quite simply, it depopulates. Claustration is castration. It has been the scourge of Europe. Add to this the violence so often inflicted on the conscience, the enforced vocations . . . the closed mouths and minds, so much intelligence condemned to the imprisonment of vows for life, the burial of living souls. No matter who you are, the thought of so much suffering and degradation must cause you to shudder at the sight of a veil or cassock, those two shrouds of human invention." Victor Hugo, Les Misérables (1862). como perguntava alguém: conseguirias ser um monge na cidade? conseguirias ser uma freira cá fora? conseguirias o discernimento em liberdade?
Sobre este post: O Abrupto, Paulo Portas e a Emigração
Ver este post no Intermitente: Johan Norberg: Open borders ? for immigrants as well pt I
O General Wesley Clark, devidamente e antecipadamente reformado por quase ter provocado uma terceira guerra mundial ao ordenar o bombardeamento das tropas russas no aeroporto de Pristina (mas perigoso é o Presidente Bush), é o espelho de uma sociedade que invejo.
Clark foi tratar rapidamente da papelada e está acreditado como banqueiro de investimento, para além de estar na administração de mais de 10 outros importantes grupos empresariais. Se espreitarem o post anterior, descobrem o The Albright Group, empresa criada por Madeleine Albright. A capacidade de iniciativa e de gerar valor que os políticos americanos são capazes de realizar antes e depois de o serem é algo que tenho pena de não ver no meu país. Por cá, a maioria dos nossos políticos volta para a universidade rebolar, para um cargo de assessor ou administrador numa ineficiente empresa pública ou vai para Bruxelas SPA garantir o bem-estar na terceira idade.
Para a escolha do novo Presidente, foi criado um Search Committe, de cujo trabalho e decisão saíu o nome de Reed.
Info: «Mr. Fink, an NYSE Board member and chairman and chief executive officer of BlackRock, Inc., added that Mr. Reed was the first choice of the search committee. In addition to Mr. Fink, members of the search committee included Madeleine K. Albright, principal, The Albright Group; Robert B. Fagenson, vice-chairman, Van Der Moolen Specialists USA, LLC; Mel Karmazin, president and chief operating officer, Viacom, Inc.; Gerald M. Levin, retired chief executive officer, AOL Time Warner, Inc.; John J. Mack, co-chief executive officer, Credit Suisse Group, and chief executive officer, Credit Suisse First Boston; and Larry W. Sonsini, chairman and chief executive officer, Wilson Sonsini Goodrich and Rosati.»
Richard Grasso, Chairman and Chief Executive da NYSE demitiu-se há cerca de 2 semanas atrás. Grasso ganhava 1 milhão de dólares por mês + bónus e outros benefícios. Os bónus eram qualquer coisa como 5 ou 6 milhões de dólares for Christmas no mínimo.
Alguns mecanismos administrativos controlados por Grasso e relacionados com o pagamento de prémios eram realizados de forma informal. Grasso decidiu receber o dinheiro que a NYSE lhe devia em bónus nos últimos 8 anos. O valor em dívida a que se chegou foi de 140 milhões de dólares. Os accionistas torceram o nariz, não ao montante, mas à forma algo leviana como foram feitas as contas, e Grasso teve de se demitir. John S. Reed, antigo Chairman e co-chief executive officer do Citigroup assumiu funções interinamente, substituindo Grasso e tomará posse oficial dia 30 de Setembro. Aguardamos com olhos de mocho as reformas que se seguem.
Diz ainda o Mário:
«Como quando aponta a Irlanda e a Espanha , os exemplos a seguir. Então por que não os seguiram? (enquanto o seu «sócio Aznar» baixava os impostos, a Manela Ferreira Leite subia-os em Portugal, originando o «crowding-out» nas receitas fiscais decorrente da contração do consumo, tal como é explicado em qualquer livro de economia).» Suponho que essa factura tem de ser enviada para o Largo do Rato. A pergunta que o Mário deveria fazer ou responder seria: Em que posição estariam os EUA e o mundo, se em período de forte expansão económica, Bill Clinton tivesse seguido o exempo Guterres e deixado um défice de 4.1% ? A mesma questão deve ser posta para a Irlanda e Espanha.
Neste post o Mário Garcia tenta estabelecer um paralelismo entre alguns indicadores económicos norte-americanos e portugueses.
No entanto, como escrevemos logo no início deste Blogue, alguns indicadores têm naturezas distintas e não são comparáveis. Dizíamos: Manuel Maria Carrilho e o US Trade Deficit. Para quem detesta questões económicas é melhor passar directamente para o último parágrafo. Durante o verão de 2001 tive de dissecar um relatório de Joseph Quinlan, Senior Economist da Morgan Stanley.O tema era o famoso US Trade Deficit, debatido e rebatido há alguns anos sobretudo depois do mandato de George Bush. Como o sistema de entregas socialista sobre o atlântico demora o seu tempo, parece que só há alguns meses se encara este défice como uma oportunidade para ver cair o gigante. Em 2000, o défice da conta-corrente americana (troca transfronteiriça de bens, serviços e investimento nos EUA) era em média 1$ Bilion USD diários. Este défice era financiado por investidores estrangeiros, que acreditavam que o seu dinheiro teria taxas de rentabilidade superiores se aplicado nos EUA em comparação com o resto de países no mundo. Aquilo que fazia tremer algumas pessoas (ou a esperança Carrilhista, caso ele equacione o problema nestes termos, o que eu seriamente duvido) era que por alguma razão estes investidores começassem a encontrar razões para deslocar o seu investimento para países que não os EUA. Como as pessoas da Reserva Federal Americana são mentalmente sãs, não começariam a imprimir dinheiro para financiar o défice (ask the russians why), o movimento de resposta natural seria subir as taxas de juro e desvalorização do dólar, conduzindo a um movimento de estrangulação da economia. Crê Carrilho que o défice americano resulta do facto de este país ter deixado de ser produtor para ser consumidor. Não sei se o crê, se alguém lho contou, ou sequer se tem a consciência do que isso significa. O que Carrilho e a "Esperança Carrilhista" não compreendem, porque não entendem o mundo em que vivem, é que a conta-corrente americana não é um indicador relevante para os EUA como o é para Portugal. Pensar a várias dimensões não é fácil, e neste caso torna-se necessário pensar em moldes modernos e futuristas, o que é um exercício complicado para a esquerda nos tempos que vivemos. As empresas americanas detêm sucursais (empresas de propriedade americana localizadas fora dos EUA) cujas vendas somaram, a título de exemplo 1998, $2.4 Trillion USD, enquanto as exportações americanas se ficavam pelos $933 Billion USD. O mundo empresarial americano tinha, em 2001, qualquer coisa como 23,000 empresas localizadas fora dos EUA, gerando um gross output (novamente 1998) de $510 Billion USD. Para terem uma ideia, este valor é superior ao PIB da Suécia, México, Taiwan e Coreia do Sul (!). Neste mesmo ano, as empresas americanas foram responsáveis por 16% do PIB da Irlanda, mais de 9% em Singapura e Canadá, mais de 6% no Reino Unido. Depois existe um factor que pode ser considerado por alguns como cómico, o facto de estas empresas exportarem, em média, 30% para os próprios EUA. Podem pensar: capitalistas exploradores, mão-de-obra barata lálálá. Os factos demonstram o contrário, a maior fatia de investimento empresarial dos EUA é para países ricos, que detenham um mercado interno desenvolvido, rico, com uma força de trabalho qualificada. Só na Europa, os EUA empregam mais pessoas que na América Latina e Ásia juntas. Mas isso seria uma outra longa conversa. Isto tudo para dizer que o modelo clássico Import-Export não se pode aplicar aos EUA como indicador de saúde económica ou de competitividade das suas empresas e produtos. A juntar ao trade existe o conceito de FDI (foreign direct investment) que baralhou todas as formas clássicas de análise que perduraram durante muitos anos. Hey!! Mas já baralha há muito tempo, Carrilho é que ainda faz parte do grupo que num futuro (próximo ou distante) virá a ser baralhado para depois ver a luz. Esta era a tese de Joseph Quinlan, que penso foi publicada em 2001 na Foreign Affairs. Mas este relatório não espelha toda a complexidade da situação. Se por um lado esmaga Carrilho na sua versão medieval Produtor-Consumidor, o relatório é algo optimista na questão financeira. Pode a economia e as empresas americanas estar de muito boa saúde, mas financeiramente esse dinheiro (investidores estrangeiros) tem de continuar a entrar. É a saúde económica garante suficiente para o influxo de capitais? Provavelmente sim, mas problematizar este assunto seria mais adequado para um fórum de discussão do Financial Times. Existem problemas complexos, mas há verdades que são intuitivas. Basta lançar um olhar leigo à nossa volta para perceber a saúde económica americana, e a existir um comboio de países em fila para o declínio, os EUA são a última carruagem. As grandes nações caem, pelo menos até ver, mas para mal de Carrilho e bem de todos nós, os EUA são a locomotiva que tem puxado por todos. Friday, September 26, 2003
Para terminar a semana útil de uma forma agradável, ou, uma notícia destas, rara nos nossos tempos, vale por mil noticiários da TVI, ou ainda, mais um balão de oxigénio para a (in)consciência colectiva...
Yahoo! News - Creature Thought Extinct Found in Cuba! Sobre a Dimensão Social da Política Liberal Hubertus Müller-Groeling http://www.fnst.de/neustart/pdf/dimensao-social.pdf
Aviso Importante: se você não tiver nada agendado, ficar em casa sem nada para fazer, sem companhia, sem nenhum livro ou filme que o distraia, se ligar o canal da Assembleia da República e assistir ao um debate em diferido de uma comissão de assuntos parlamentares sobre a política do audiovisual.........por favor: não ouça o Drº José Magalhães por mais de 20 minutos....poderá ter a desagradável experiência de ficar a conhecer o verdadeiro e hediondo sentido da palavra enfadonho.
Slogans que reti na memória:
«How many jobs will have to be lost before George Bush looses his?» Dick Gephardt «If I believe trade creates jobs, I won't be afraid to say it.» Joe Lieberman E a pérola da noite vinda dos Democratas: «You can't love jobs and hate the ones that create them!» (Esta perdi-a enquanto fui buscar um café, tendo sido citada mais tarde por um comentador)
Não é só por cá, alguns dos candidatos mais à esquerda no partido democrata são claramente isolacionistas e perigosos para a riqueza e bem estar mundial. Desde os que querem abandonar já a OMC (WTO) aos que querem hostilizar a China como parceiro comercial, ao desinvestimento em 50% no orçamento do pentágono... há de tudo um pouco.
Dizia um analista que estes debates são para Boston, onde se realizará a Convenção Democrata (Kerry joga em casa). Depois disso o tom mudará. Veremos.
Como gestor, acho imensa piada à forma como os partidos nos EUA são organizações modernas. No final do debate, a CNBC continuou com um debate sobre o debate.
Muito bem moderado pelos jornalistas da CNBC, debatiam duas meninas bonitas, Political Strategists do Partido Democrata e Republicano. Na CNBC, o que normalmente aparece são Cheif Investment Strategist, mas nos EUA a política bebe descomplexadamente dos bons exemplos. Um outro bom exemplo é a utilização da internet como veículo de campanha eleitoral, os vídeos, os discursos, as animações e.... fund raising. Howard Dean tem liderado a presença na internet. Para a sua campanha (nesta fase), angariou 23 milhões de dólares, sendo que 50% foram angariados via internet. Pois é.
Post à Luís Delgado.
Ontem, enquanto Judite de Sousa entrevistava Paulo Portas, a CNBC transmitia o debate: Democrats and the Economy. Organizado pela CNBC e Wall Street Journal, o debate colocou lado a lado (e em pé) durante 2 horas os 10 Democratas que desejam ser o candidato do partido Democrata às presidenciais. Howard Dean é um porreiraço com um sentido de humor brilhante. É um mestre de cerimónias preparado para todo o tipo de embates públicos. Foi o alvo (com Bush) dos ataques dos outros candidatos. Vai à frente na maioria das sondagens. John Kerry tem um perfil calmo e moderado, olha nos olhos a pessoa com quem discute, fá-lo com confiança, foi o candidato com a postura que eu mais admirei. Joe Lieberman, low profile, mas com palavras e ideias muito válidas. Não tem o poder de embate de Wesley Clark ou Howard Dean, escolha muito acertada para vice-presidente. Dick Gephardt, combativo, insiste obsessivamente em mostrar a valia do trabalho económico de Clinton como a sua principal arma. Perdeu quando afrontou Howard Dean na questão do MediCare. Derrota minimizada por John Kerry que saíu em sua defesa atacando de novo Howard Dean. Wesley Clark, a desilusão da noite. Algum diagnóstico, nada de propostas. Dick Gephardt e Joe Lieberman serão os candidatos com menos hipóteses. A luta será entre Kerry, Dean e Clark. Na recta final Clark perde, e Dean vencerá Kerry. Vão por mim.
O ministro do Interior, Giuseppe Pisanu, numa entrevista ontem ao Corriere della Sera, ameaçou fechar as mesquitas que, em Itália, servem como centros de financiamento e recrutamento para o terrorismo islamita.
«Contra os financiamentos ao terrorismo estamos em guerra aberta», disse o ministro. «Por um lado, temos de isolar os extremistas da maioria que é moderada. Mas, infelizmente é quase sempre nas mesquitas que acontece a conversão ao extremismo», referiu Pisanu. «Por isso, quero ser claro: ou as mesquitas respeitam a lei ou são fechadas».(in DN) Será preciso lembrar que Roma caíu por dentro? Thursday, September 25, 2003
Dizia o Pedro Adão e Silva:
«Porque será? As rentrées, nomeadamente as da oposição, costumam ter um tempo de vida curto. Não mais de 24 horas. Surpreendentemente, estamos a quinta-feira e, um pouco por todo o lado, continua a falar-se de uma ínfima parte do discurso de Ferro Rodrigues no Sábado, aquela que tinha a ver com o peso excessivo da direita radical no governo. É sinal que se tocou numa ferida.» Nesse momento, dissemos no De Direita: «O Pedro Adão e Silva considera que as reações à reentré do Partido Socialista prolongam-se por um período inusual, e atribui a causa ao facto de o senhor Ferro ter tocado numa ferida. Não lhe ocorre, ou pelo menos assim não pensa, que a causa seja o tamanho do disparate que o senhor Ferro proferiu. (...)» Hoje, quinta feira, o País Relativo assina um post intitulado: «PP: Ainda a propósito da atoarda da imigração« E agora, em que ficamos?
Indiana Jones & The Real World
Gary Kleck published in the Journal of Criminal Law and Criminology of Northwestern Law School his now-famous paper, “Armed Resistance to Crime: The Prevalence and Nature of Self-Defense with a Gun.” Among its unchallenged assertions: Law-abiding citizens use guns to defend themselves against criminals 2.5 million times a year or about 6,850 times every day. Of these 2.5 million self-defense uses of guns, more than 200,000 are by women defending themselves against sexual abuse. Often, a Saturday Night Special is a girl’s best friend. 11 out of every 12 times citizens use their guns in self-defense, they merely brandish them or fire a warning shot. When citizens do fire, they shoot and kill twice as many criminals as do cops every year. But, while 2 percent of civilian shootings are of people mistaken for criminals, that is true of 11 percent of police shootings.
«Para que queria eu um templo, se possuo o mais belo de todos, o universo? Onde quer que existam homens sou venerada. Não sou tola que exija imagens e estátuas, inúteis no culto que me devem prestar»
Erasmo escrevia isto a propósito de um outro tema, mas abusivamente roubo-lhe este excerto. É que a mulher que toma o pequeno-almoço ao meu lado é todo um universo. É verdade, há mulheres que nascem para ser adoradas.
«Eu seria a mais louca das loucas e razão teria Demócrito para me troçar, se continuasse a enumerar as loucuras e a insensatez que reinam entre o povo. Volto aos que, entre os mortais, têm a aparência da sabedoria e cobiçam, como eles dizem, o rame de ouro.
Na primeira fila estão os gramáticos, a mais aflita, a mais desprezada pelos deuses, se eu não atenuasse com um grão de loucura as desgraças da sua triste profissão. Não só são cinco vezes malditos, isto é, exposto aos cinco graves perigos, como refere um epigrama grego, mas também se abatem sobre eles milhares de maldições. Podemos vê-los, flamélicos e sórdidos, na sua escola; digo escola, quando deveria dizer o seu lugar de tristeza, ou melhor ainda, a galera ou câmara de tortura em que sofrem. No meio do rebanho dos alunos envelhecem no trabalho, atordoados pelos gritos, envenenados pelo mau cheiro e pela sujidade, e, no entanto, consigo dar-lhes a ilusão de se julgarem primeiros entre os homens. Como ficam contentes quando aterrorizam com o olhar e com a voz os alunos assustados; quando martirizam com a régua, a vergasta e o chicote as pobres crianças, ou quando, como o burro de Cumas, se entregam a todas as brutalidades. No entanto, a porcaria em que vivem parece-lhes admirável e o mau cheiro é-lhes tão agradável como Jasmim. A sua escravidão miserável surge a seus olhos como um império e não trocariam o seu poder pelo ceptro de Fálaris ou de Dionísio.» Erasmo, O Elogio da Loucura
Coffee time
Começa o dia e recebo um e-mail de uma amiga alemã que diz: "I finally managed to get that Goldman Sachs guy to define his plans for my workshop. The topic will be "Balance Sheet Repair and Opportunistic Financing" uhuh how exciting..." Subitamente o café passou a saber muito melhor. Wednesday, September 24, 2003
Se o João Pedro Henriques escrevesse algo do género:
Os gestores - Uma generalização: «Os tipos da bolsa são todos uns arrogantes presunçosos com um trato agressivo e mal educado» ou «Os headhunters parecem uma cambada de agentes da CIA, sempre com segredos e métodos ainda mais secretos que no fundo se resumem a um intermediário com uma boa agenda telefónica e algum charme social» Podia-se sempre discutir tranquilamente se é assim ou não. Se no primeiro caso existe uma cultura organizacional: Sim. Se transforma os indivíduos: Sim. A intensidade depende depois do indivíduo. E que o resultado por vezes é muito esse. Pessoas muito jovens com muitos milhões de euros nas mãos. Seus e de clientes. Ritmo de trabalho alucinante e pressão contínua de decisões imediatas cujas resultados, bons ou maus, também o são. Dá-me este dado X, tens 5 minutos para o conseguir, o preço está a subir e temos de definir a nossa posição já! Podia continuar o resto do dia a exemplificar situações que induzem esse tipo de comportamentos. No segundo caso dir-lhe-ia que por vezes isso acontece. Depende sobretudo da empresa e do consultor. Conheço um conjunto de exemplos em que a mais valia para o cliente é até duvidosa. Já na generalidade dos casos não é assim. A discrição nesta actividade é imperiosa, e é normal que na ausência de muita informação as pessoas fora do meio tendam a pensar que o serviço não existe ou não é complexo. O que eu jamais faria seria adoptar um atitude corporativa de defesa. Por um lado não existe essa cultura, nem sequer um Sindicato ou uma Ordem. Quem o desejar tem um sectorizinho num cantinho na Ordem dos Economistas, cujo papel para além de forum de discussão já é mínimo. Por outro lado, como a validade das nossas decisões é constantemente testada pelo mercado, temos esse muito bom hábito que é ouvir. Se for cliente, ouvir "ao cubo". Já na classe jornalística (uma vez mais generalizando), a defesa colectiva é um instinto primário quando a crítica vem de fora da corporação. Teria gostado muito de ler o João Pedro Henriques discutir se existe ou não uma cultura organizativa no jornalismo português e, se sim, se a vaidade faz ou não parte dela. E se a faceta opinativa dos jornalistas é distinta dos chamados "treinadores de bancada". Se é distinta, qual a fonte de conhecimento ou experiência? Suponho que existia um conjunto de caminhos pelos quais o João poderia ter entrado. Escolheu o de um mini-ataque pessoal. É pena. Desconheço qual será a sensação de lançar um juízo de valor gratuito sobre alguém que não se conhece, mas o próprio conceito é-me algo incómodo. Não o interpreto com um insulto, mas suponho que a frase do João não só não é verdadeira, como não nos leva a lado nenhum na discussão.
Ora aí está.
«Nos tempos que correm em que a maioria dos cidadãos já não acredita no valor e competência das nossas instituições publicas, seria de esperar que um instituto público como a CMVM criado nos anos 90 tivesse outro approach e não começasse a parecer como tantos outros em que a sua utilidade pública possa ser posta em causa. A bem da competitividade do nosso mercado de capitais e da verdadeira utilidade para o público dos organismos do Estado, a CMVM também se deveria incluir nesta procura por uma maior transparência.» Graça Proença de Carvalho, Deputada pelo PPD-PSD e, não diz o DE mas eu sei e acrescento: Administradora e Accionista (9%)da Finanser - Sociedade Financeira de Corretagem, SA Há uns dias atrás queria escrever sobre a CMVM, mas não tive tempo. Ainda bem que a Graça teve. Uma boa parte do que gostaria de dizer está no artigo do Diário Económico. O resto fica adiado para um outro dia qualquer.
If It Runs Like a Bull...
«S&P projects that the U.S. economy will keep rebounding, benefiting from the massive fiscal and monetary stimulus being pumped into the system. We see real gross domestic product advancing 2.7% in 2003, followed by a 4.7% jump in 2004, and a closer-to-trend growth of 3.7% in 2005. S&P also projects operating earnings for the 500 to rise 17% in 2003 and 13% in 2004, resulting in a yearend 2003 price-earnings ratio of 20, which is equal to the average since 1988.» Sam Stovall is chief investment strategist for Standard & Poor's Link 1 e 2 Há um ano atrás dizia-se nos meios financeiros que estavamos a assistir a uma das melhores oportunidades no espaço de uma geração para comprar acções a preços verdadeiramente baixos. Quem ainda não o fez ainda vai a tempo, mas neste momento já há quem esteja a vender para fazer um pequeno "cash-in". Se em vez de berrar e partir vidros comprassem acções de empresas americanas, os nossos pequenos símios radicais faziam a si mesmos e ao mundo um muito melhor serviço. Mas para isso era preciso que eles fossem capazes de construir alguma coisa. Tuesday, September 23, 2003
Via e-mail, JPP esclarece com natural cordialidade e amizade, que fez referência, na sua intervenção na SIC, ao facto por mim levantado em relação a IO. Indica a rapidez das suas palavras como hipótese para que essa menção tivesse passado despercebida.
De facto, confesso que não vislumbrei esta referência. Mas aceito o valor da palavra e aqui fica a necessária e justa rectificação reforçando, no entanto, a minha posição quanto ao conjunto de novas e mais importantes descobertas da Galileu. Continuarei, com redobrado prazer, a acompanhar os seus pensamentos.
Semana intensa e atribulada na proporção do mediatismo que os jornalistas decidem imprimir aos acontecimentos.
Saúdo o Ministro das Obras Públicas, Carmona Rodrigues que, em consciência, corrobora em argumentação as ideias que exponho no meu post sobre o IC19. Pelo menos, relativamente à insuficiência de recursos materiais e humanos e à competência do ex-Presidente, Ribeiro dos Santos, que indica, inclusivamente, como "um dos melhores Presidentes que passaram pelo IEP" (DN de 22/9/2003) . Como consta aqui e aqui. Chegamos portanto, e uma vez mais, à conclusão que o estado nas nossas pontes e viadutos é perfeitamente questionável e que a solução encontrada continua a ser a que reflecte a monotonia e a ineficiência da nossa Política.. Nomear e indemnizar Presidentes e respectivos Administradores para os Institutos Públicos e afins, num ciclo vicioso, inócuo e inconsequente. Haja coragem política...! Reforço o meu Post sobre o muitomentiroso. E pasmo ao ver a posição extremada do JPP, no seu Abruto e na questionável prestação com que nos prendou, este fim-de-semana. Serei claro e para que não subsistam dúvidas. O JPP é um dos poucos honorários, aqui no Blog, cuja postura e ideologias sempre foram e serão, uma referência. Mas não posso deixar de discordar com a forma e conteúdo de algumas das sua intervenções na semana que passou. Muitomentiroso. A posição paternalista que JPP sempre ostenta, com a credibilidade que é devida a um pensador, traduziu-se numa cruzada contra o referido Blog... O MM não tem informação, tem desinformação, o que é uma coisa completamente diferente. Desinformação, uma arma muito usada pelos serviços secretos soviéticos que eram especialistas na matéria, e que polícias e agentes secretos conhecem bem, consiste numa mistura cuidadosamente doseada de factos verdadeiros e falsos, de insinuações e meias-verdades com verdades inteiras, tendo como objectivo determinados resultados. " Pacheco Pereira in Abrupto ...são os argumentos que sustentaram as violentas críticas, no seu Blog e no programa de Domingo, na SIC. Em relação ao conteúdo, sem os devidos e estranhamente empolados dramatismos, até posso concordar. E mais, segundo as opiniões, sublinhem-se (porque os tempos da liberdade de escrita na Internet estão distantes e voltámos ao tenebroso limbo da censura) humildes opiniões do De Direita, os motivos que sustentam este Blog tem um princípio bem definido, que é o de sustentar a defesa de um dos arguidos que, não obstante as manipulações da justiça, sempre sustentará essa Cruz. O que fica mal, ao meu caro JPP, é esse estilo já em desuso e perfeitamente despropositado para um Portugal coerente e maduro que também pretende. O grande pecado, aqui, é de vestir a pele dos que se julgam de direito, em defensores da moral colectiva e do pensamento elevado, sobre os pobres e ignorantes consumidores de opiniões, esses leitores cibernéticos, que na sua grande maioria, assume, não conseguem ter a massa encefálica suficiente para distinguir a natureza de "mecanismos de desinformação(...) de técnicas" maquiavélicas, eu acrescentaria. Esta falta de humildade, tão presente em tantos ilustres, traduz-se na sua medíocre prestação, na exacerbada e desenquadrada defesa do vulgar. O muito mentiroso encerrou e a Blogosfera está mais pobre...pelo menos, no que se refere à pretensa liberdade de expressão de ideias e da disussão das mesmas.Sobre a legislação e a liberdade de expressão na Net, ainda teremos muito a discutir. Prestação na SIC, Domingo à noite. Fiquei desiludido, acima de tudo, porque o JPP estava lá. Pensei que fosse um erro de casting, publicidade enganosa que tão naturalmente consumimos. Vã ilusão, JPP decidiu entrar no admirável mundo da exposição gratuita. Em moldes em tudo semelhantes ao concorrente directo, o professor Marcelo Ribeiro de Sousa, o que per si, era motivo para nem sequer lhe dar direito de antena. Aceitar um convite de participação em guerras de audiências deita por terra o nobre esforço da necessária discussão de ideologias. Mas o estatuto e a referência que sempre tomo, em adiantado, pelo JPP, tornaram material a minha curiosidade. Tive azar. Porque tive que assistir, pregado no horror conservador, à dissertação escabrosa sobre o muitomentiroso. E logo de seguida, uma esforçada lição de astronomia, que pecou pelo não conhecimento. As imagens belíssimas disfarçavam aquilo que JPP não sabe ou não soube, exprimir. A sonda Galileu, dizia, demonstrava algo que nunca se constatara anteriormente, a erupção de um vulcão numa das luas de Júpiter... O passado é, por vezes, revigorante e recordo que andava ainda na escola primária e desfolhava, noites a fio, um Atlas Universal oferecido pelo meu Pai com imagens (reconstruídas com base em informações de Rádio-Telescópios) que ilustravam esse conhecimento cientifico. Quando iniciei as minhas leitura por Carl Sagan, já os vulcões da Lua IO (para que conste) eram sobejamente conhecidos e esta tão vibrante novidade é, afinal, a novidade dos desatentos. O feito da Galileu é enorme, e demonstra o brilhantismo da Humanidade, mas convém saber escalpelizar os factos. Fiquei entusiasmado pela menção ao feito, embora desiludido pela forma como o conteúdo foi erroneamente dissecado. De JPP, espero sempre mais. E confesso, que por uma questão de lealdade a princípios, irei continuar a ouvir Marcelo, sempre que o tempo não me traia e tiver paciência para leilões de Cultura. Ao JPP, continuarei a dedicar tempo de leitura. O Manuel fez um Post sobre a classe jornalística. É claro que as considerações são gerais, se é que possível caracterizar globalmente uma classe tão heterogénea e, por vezes, tão disfuncional. Mas, para quem têm dúvidas contra a "vaidade típica"ou o "tom exclamativo" poderão ver a reacção aos comentários do Manuel no, contudo interessante, Glória Fácil. Como dizem os meus muy queridos amigos Algarvios, (região bela, onde passei os meus tempos Académicos), na sua sapiência secular, "Pela boca morre o peixe" Tentarei, mais tarde, oferecer uma visão crítica sobre um assunto a que tanto me tenho dedicado. Deixarei, por ora, referência a anteriores escritos. Aqui, aqui e aqui.
Ainda a Suécia e o Euro no The Economist.
Três artigo distintos: 1. Voters can be such a nuisance - Will Europe's leaders ever start listening to their citizens? «In some ways, Sweden is the ideal euro candidate: a small, open and internationally competitive economy, with more than most to gain from exchange-rate stability across Europe. On the other hand, the euro area is performing badly, partly because its economic-policy rules have been poorly designed, whereas Sweden is doing well.» 2. Why they said no - The reasons usually given for Swedes' reluctance to adopt the euro are probably wrong. The real ones are more to do with politics than economics «Big business is also taken aback. Companies like Ericsson have given warning that, in the long run, foreign investment in Sweden will dip. And some economists fear that the country may forgo a boom in trade within the euro zone. Swedish voters, however, heard all these arguments before the referendum and were plainly unimpressed. As one voter in the far north told Swedish television on election night, “It's too soon to make a decision. Come back in 20 years and ask me again.”» 3. The Stockholm syndrome - Sweden's rejection of the euro spells danger for the European Union «SO WHERE does Sweden's refusal to join the euro leave the European Union? Three popular theories are doing the rounds. Call them “the inevitability of unity”, “the possibility of fracture” and the “the threat of catastrophe”.» «In a magnificently condescending phrase, Die Welt, a German newspaper, put the referendum result down to “a certain provincial eccentricity of Swedes”. A few Nordic weirdos, doubtless living in igloos inside the Arctic circle, will not halt the unstoppable momentum towards a united Europe.» Monday, September 22, 2003
Office Blogging
Para dar as boas-vindas ao Vamos Lixar Tudo e agradecer ao amigo Fumaças por nos ter colocado nos seus Imprescindíveis do Momento.
Breves
1. Louis Rukeyser's Wall Street é um dos poucos programas de televisão que procuro seguir. Louis é um jornalista experiente, calmo, inteligente e acutilante. Tem um conjunto de características fantásticas que eu aprecio particularmente: . Escolhe muito bem os seus entrevistados . Não repete convites regularmente, conseguindo refrescar com relevância as perspectivas que proporciona ao espectador . Prepara perguntas incisivas e relevantes . Sabe ouvir . Não interrompe Ainda não consegui afinar o horário, mas Domingos à noite se estiverem em casa penso que o programa passa pelas 22h e qualquer coisa na CNBC. 2. Rui Martins dos Santos, Administrador do BPI Investimentos, escreve um interessante artigo sobre o Pacto de Estabilidade no Diário Económico. O artigo "Pacto de Instabilidade" pode ser consultado na sua totalidade no website do BPI Investimentos
Os Jornalistas como Classe
(Uma generalização) Procuro e não encontro uma classe com tanta vaidade profissional como a jornalística. Procuro e não encontro a resposta a: De onde é que lhes vem a vaidade? Escrevia Erasmo acerca dos artistas profissionais: «Quanto menos talento têm, mais pertensões e impertinências ostentam, mais se envaidecem e vangloriam» Será a vaidade jornalística explicada pela teoria das compensações emocionais, servindo de mecanismo de defesa quando os jornalistas se encontram lado a lado com um médico, um trader da bolsa ou um arquitecto? Porque que espécie de razão se devem sentir inferiorizados? À partida nenhuma. Mas por uma obscura cultura de classe, os jornalistas tendem a adoptar comportamentos de presunção pavoneantes que são tolerados até ao limite de cada interlocutor, até que chega o momento dramático: «Mas o que é que um jornalista percebe disso?» ou «Era o que faltava que a política da nossa empresa fosse ditada pelos jornalistas». São frases que ouvimos com regularidade. A capacidade ou tolerância para ouvir treinadores de bancada é limitada. Boa parte da classe jornalística tende a ser políticos de bancada, empresários de bancada, generais de bancada, etc. O 11 de Setembro foi um fenómeno particularmente interessante. Como lembrava Vasco Pulido Valente, nas redações dos jornais compravam-se e liam-se desalmadamente livros sobre o Islão. Manuseava-se com desespero o "Google", acrescento. Claro que, como lembrava VPV, séculos e séculos de história não se engolem em dias ou semanas. Mas o tom exclamativo, típico dos adolescentes, com que depois se escreveram artigos e editoriais, a vaidade olímpica que se exibe, essa não parece ser moderada pelas bases frágeis que sustentam aquilo que se escreve. Claro que para quem tem pouca ou nenhuma informação, alguma informação é um activo. Para quem efectivamente domina o tema, a incursão jornalística tende a não ultrapassar a barreira dos iniciados, e a parte pavoneante entendida como um deslumbramento pindérico. Sunday, September 21, 2003
Breves de fim de semana
Martins dos Santos 1 - SCP 0 Querem apostar que o artista vai estar todo sorridente a projectar o seu esplendor na relva no próximo fim de semana? A impunidade na arbitragem resulta nisto. Esclarecirmento sobre o post do Euro e a Suécia. Estava muito cansado e a frase «Existe um conjunto de razões pelas quais se pode optar por não integrar o Euro. A sua dimensão política é uma delas» levou a alguns mal-entendidos. O que pretendia dizer é que a dimensão económica é positiva e prova-se por A+B. A sua dimensão política é subjectiva e depende das opções ou visão de um país que cada cidadão tem. A minha visão é não só pro-Euro como é pro-Federação. O facto de citar um e-mail do PNR não é para mim distinto de citar o PCP ou o Bloco de Esquerda. Friday, September 19, 2003
Exausto. Défice de sono. Défice de refeições saudáveis. Défice de lazer. Excesso de cafeína. Excesso de trabalho.
Queria escrever sobre a audição da SEC no Congresso dos EUA para disparar em força em direcção à nossa CMVM, ao nosso Parlamento e à nossa Polícia. Sobre isso e sobre porque é que de um ponto de vista estritamente economico, a Suécia deveria dizer sim ao Euro, como aliás era a opinião da maioria dos agentes do chamado "mundo dos negócios". A SEC fica para outro dia. Sobre a Suécia, faço um post Valetiano: O PNR envia-nos via e-mail um comunicado em que se congratula com, entre outras coisas, o resultado do referendo ao Euro na Suécia. Diz o PNR: «Os Suecos compreenderam que, para preservar a sua boa saúde económica, era necessário conservar a sua moeda nacional: a coroa» Existe um conjunto de razões pelas quais se pode optar por não integrar o Euro. A sua dimensão política é uma delas. Agora invocar razões económicas para não adoptar o Euro na Suécia é algo não defensável. Na The Economist: Goran Persson, the prime minister, and his allies emphasise the long-term costs of staying out: less influence for Sweden in the EU, and less inward investment. Whether Sweden, with or without the euro, can expect to exert much influence in the Union seems doubtful, but fears about investment might prove well-founded. Sweden competes successfully in the market for global capital. Measured by trade and by flows of investment, it is one of the most open economies in the world. No doubt it would continue to do well outside the euro area, but the question is whether it would not do even better as part of the single-currency zone. With time, and assuming that the EU will eventually repair its defective euro arrangements, the price for retaining the krona is likely to be some net loss of investment due to exchange-rate uncertainty. This cost must be set against the benefit of retaining control over interest rates. Sweden's labour market is not the most flexible in the EU: the labour force is highly unionised, wage-bargaining is relatively centralised, and the country has an enormous public sector. This, it might be argued, strengthens the case for an independent monetary policy. On the other hand, the smaller and more open the economy, the greater the benefits of exchange-rate fixity; and Sweden is small and very open. Whatever the precise balance may be, it certainly lies more in favour of euro membership for Sweden (and for Denmark) than it does for Britain. The pragmatic Swedes, one might suppose, would weigh all this and do what Britain has done: wait and see. Say no to the euro in 2003, while the euro area is struggling and its policy arrangements are in question, but reserve the option to say yes later, when the system is performing better or if investment starts to droop. This thought seems to have occurred to the prime minister. In what could be a case of pragmatism, or just brazen dishonesty, he has recast the terms of the referendum. The question on the ballot seems admirably simple: ?Do you think Sweden should introduce the euro as its currency?? The prime minister has made it more complicated. He argues that voting yes does not oblige Sweden to introduce the currency straight away; it merely gives the government authority to do so if conditions seem right; whereas saying no, the prime minister has deemed, is to rule out any such possibility for ten years. This seems an abuse of the referendum, and the prime minister is being criticised for it. Redefining yes to mean ?yes or unsure? may nonetheless prove to have been a clever tactic. But if the government loses the vote despite such cunning manoeuvres, the defeat will be all the more telling The real question As in Britain, opposition to the euro in Sweden reflects discomfort with the broader thrust of European political integration as much as, or more than, it expresses doubts about the single currency itself. Many Swedes worry that deeper integration will eventually threaten the Swedish welfare state. Winning support for adoption of the euro might have been easier if the two issues had been kept separate?if the government had promised a further referendum on the new European constitution, for example. That is where voters' reservations about deeper integration are very much to the point. The prime minister has neither promised a further referendum on the constitution nor ruled one out. Whatever the outcome on September 14th, after the struggle, embarrassment and, now, tragedy of the past few months, Mr Persson may feel that asking citizens what they think is best avoided. Por favor! Mudem a FNAC para a Cova da Piedade ou restrinjam severamente a entrada. Sempre que lá vou gasto inconscientemente mais do que aquilo que previa dispender. Ou é feitiçaria ou é merchandising do melhor. Desta vez, foi uma incursão ilustrada sobre o Egyptian Book of the Dead, umas quantas sinfonias de Brukner, um CD do Nick Cave e uma memória USB. Deviam proibir aquilo. Por pouco não levei um sistema home cinema com retroprojector incluído. Com tanta polémica sobre os efeitos nefastos do Casino nas parcas bolsas dos lisboetas, deveriam era preocupar-se mais com este género de problemas existentes no Chiado.
É feio quando se diz que as mulheres são como os macacos.
Mas só existirá a necessidade de negar aquilo que em parte será verdade. Ora têm um braço num galho e já estão a lançar-se noutro. O seu materialismo advém justamente da racionalidade com que reflectem sobre as relações emotivas. A arma de sobrevivência da mulher, quando cresce, não é brincar à caça ou às guerras, como o seu semelhante masculino, mas sim treinar a arte da curvar a anca, de embelezar a cara e o corpo, fazer teatro ou de arrebitar os seios. São essas as suas fidedignas armas da sobrevivência. É em agarrar um homem que ela garante o seu acesso à carne e por essa via à subsistência da sua prole futura. É assim com a grande maioria das espécies e sociedades mamíferas e continuará a ser assim na sociedade humana que delas emanou. Mesmo apesar da sua proclamada independência económico-financeira no século XXI. O código genético, os arquétipos, o subconsciente comum......não se desvanecem numa questão de séculos. Já conheceram algo mais irritante e balofo do que uma mulher sem filhos e que não os deseja ter? Pior do que isso: uma mulher sem filhos, com ideais na cabeça e workaholic !!! Deus nos livre! Pois meus amigos, deixem-me que neste aspecto conceda toda a vénia a Nietszche quando prescreveu a cura para as senhoras nesta situação: FAÇAM-LHES UM FILHO! Se temos de louvar as democracias ocidentais por terem aberto o mundo do trabalho à mulher, com as suas implicações directas na sociedade de consumo e no desenvolvimento da produção, temos inclusive de repensar seriamente o papel de figurante que a maternidade passou a ocupar. Já são muito raras as mães que não são absentistas, que não se demitem de amamentar aos 8 meses de aleitamento, que não abdicam da educação dos seus em detrimento de mass media, Big Brothers ou influências sociais díspares. A mão que embalou o berço e por essa via embalava o mundo, deixou o berço a balouçar sozinho. Há quem veja nisto as causas de uma sociedade à deriva, mas não corramos o risco de tal barbaridade afirmativa. É verdade que não queremos que o homem do século XXI seja um órfão exclusivamente educado pelas oligarquias e pelos bens culturais produzidos em linha de montagem. Sobre isso já Orson Welles nos doutorou. Todos os psicólogos concordam que a maternidade é o veículo mais importante da transmissão dos valores da protecção, da confiança, do afecto, e as mulheres deverão ser as primeiras a consciencializar essa verdade. Elas deverão, por fim, compreender que nasceram para parir, por maior que seja o conteúdo literal e visceral do termo em si. Não há que ter medo. Algum escultor fez, alguma vez, uma estátua por todos admirada? Alguma vez um pintor desenhou um quadro pelo qual todos se deslumbrassem? Alguma vez um músico compôs uma música através da qual todos ascendessem? Sem dúvida que sim. Mas alguma vez algum homem concebeu uma obra de arte que fosse capaz de, em si, admirar, deslumbrar-se, ascender? Sem dúvida que não. Mas a mulher.......essa sim! Está na sua génese a faculdade de conceber um ser pensante, um espírito autónomo. E um ser pensante transforma o mundo. Existe melhor maneira de mudar o mundo do que mudar o homem em si? (daqui a pouco pareço um padreca a falar, perdoa-me Senhor!) Se tratarem um cão como uma pessoa, comerem à mesa com ele, virem televisão com ele, e depois o enxotarem para a casota no quintal...vão descurar a realidade do seu sofrimento?....já se pensava igual a nós. Como diria Nietszche, a mulher, aquele último animal que o Homem não conseguiu domesticar (quem conseguiria domar aquilo que o criou?), quis-nos imitar na forma e, nesse processo, esqueceu-se daquilo que é. Algumas ainda acordam quando por via da superior vontade da vida a força maior emerge por entre as águas umbilicais e o Ser Em Si, envolto nas vísceras da placenta, rebenta para o mundo num grito de liberdade irrefutável, autêntico e absoluto. Mas cedo se voltam a tresmalhar na ilusão de que poderão comer à mesa do dono. Há uns anos, uma amiga minha proclamou, numa festa, diante de colegas meus: «A minha ambição é ser mãe....isso é o sucesso para mim». Um amigo meu declarou-se logo ali por ela apaixonado. Marta, vous étais tout la raison.
Interrompo a minha hibernação semanal, para parafrasear uma notícia hoje publicada no Independente;
"A Polícia Judiciária está a investigar a origem do polémico blogue que dá pelo sugestivo nome de "muitomentiroso" e onde se anunciam revelações bombástica sobre várias personalidades, entre as quais magistrados,políticos, polícias e jornalista que alegadamente estão ligados ao caso Casa Pia. A PJ descobriu que a origem deste Blogue é norte-americana. A página está registada em nome de João Soares, sendo certo que o nome terá sido inventado para baralhar que quer descobrir os verdadeiros autores das informações que estão a ser divulgadas." Várias conclusões são possíveis. Que a Blogosfera alcançou, inegavelmente, um estatuto de relevância pública. As opiniões críticas de ilustres e desconhecidos pensadores conquistaram, pelo mérito, o mercado dos que valorizam a discussão de ideias. Que, não obstante a liberdade de expressão vigente nos meios de divulgação opinativa utilizados.... não obstante o contexto de Europa livre em que nos inserimos...não obstante a constatação da opinião Vs facto, existem sempre condicionantes aos quais os atentos Bloggers não poderão ignorar...como as opiniões que manifestamente se dirijam a um processo de Justiça, que envolve em jogos de seek and hide, praticamente todos os sectores de influência no grande tabuleiro de xadrêz Português. Que a nossa Polícia Judiciária continua, em termos de pesquisa criminal, em grande forma e anos-luz à frente das suas congéneres mundiais. O próximo passo será, adianto, descobrir que a origem de 90% dos Blogs é, afinal, Norte-Americana. E mais tarde, descobrirão que a origem de todos os e-mails desses Bloguistas conspiradores é, também ela, norte-americana. Brilhantes... Que o João Soares (filho) continua a ser o Arlequim de muitos dos mais relevantes Blogs nacionais. Cumprimento o João Soares (o Blogger), pela persistência. Pensei em mudar a minha assinatura para JS, por solidariedade, mas o simples vislumbrar da sigla provocou-me fortes náuseas. Bom Fim-de-semana, aguenta João.
Existem dias em que nos apetece pontapear a cultura e trocá-la por um banho de sol a boiar num mar paradisíaco.
(Confesso que para mim isso tem sido a regra nos últimos tempos) Hoje recebo um e-mail de um companheiro de escrita aqui do DeDireita que em estilo de desabafo diz (excerto): «(...)Conheces alguém que queira comprar uma colecção de discos e filmes? Eu vendo a minha por 110.000 euros. 1.242 dvd's + 2.575 cd's, entre caixas e colecções, edições especiais, etc. Se a vender compro...» To be Continued. Thursday, September 18, 2003
«Que há de mais insensato», dizem os filósofos, «do que adular o povo para conseguir uma candidatura, comprar os votos, procurar os aplausos de tantos loucos, comprazer-se em ser aclamado, fazer-se levar em triunfo como um ídolo, ou querer ter a sua estátua de bronze no Fórum? Acrescentai a isto a ostentação dos nomes e cognomes, as honras divinas prestadas a gente que nem merece o nome de homens, as cerimónias públicas em que são venerados como deuses os tiranos mais execráveis. Tudo são coisas tão ridículas, para se rir das quais não bastaria um Decrómito»
De acordo. Mas destes loucos feitos nasceram as acções gloriosas dos heróis que os poetas elevaram aos cumes celestes; foram tais loucuras que edificaram cidades, mantêm os impérios, os magistrados, a religião, os desígnios e os juízos dos homens. A vida do herói é um mero jogo da loucura. Erasmo, em O Elogio da Loucura Wednesday, September 17, 2003
O Cato Institute e o The Economist discutem:
The Future of the Euro . Can the EMU persist and prosper without political union? . If political union is unrealistic, what is the future of the euro? . Will Europe's coming pension crisis undermine the Stability and Growth Pact and jeopardize the ECB's commitment to long-run price stability? . What are the costs and benefits of joining the euro zone? Alan Greenspan - Chairman Federal Reserve Board of Governors James M. Buchanan - Nobel Laureate in Economics Anna J. Schwartz - Research Associate National Bureau of Economic Research José Piñera - President International Center for Pension Reform Václav Klaus - President Czech Republic Para os interesssados que estejam a rebolar por Washington. Tuesday, September 16, 2003
O Abrupto, Paulo Portas e a Emigração
1. Fluxos de capital e mercadorias são bem-vindas. Pessoas é outra dimensão. Será? 2. A imposição de uma barreira à entrada de pessoas no nosso país terá como consequência tornarmo-nos globalmente mais pobres? Barreiras como quotas ou burocracias? 3. Será que as Teorias do Comércio Internacional que enriquecem as Nações deixam de ser benignas quando aplicadas à mobilidade do factor humano através das fronteiras? 4. Ou tudo não passa de um espasmo ou instinto defensivo da comunidade ou da raça, de uma atitude conservadora face à sociedade? 5. Existe um trade-off entre o aumento da riqueza de um país por via da emigração oriunda de países pobres e o nível de insegurança da população? 6. José Pacheco Pereira diz «Os ucranianos e as cabo-verdianas, os moldavos e as são-tomenses não competem com os portugueses e as portuguesas nos empregos que têm, a não ser residualmente». E se competissem? 7. A presença de produtos importados que competem com produtos portugueses tem um efeito distinto da presença física de trabalhadores estrangeiros? Se sim, onde? Certamente não no indicador "emprego", porque o efeito de substituição é igual. 8. Não deveria Portugal estabelecer um critério por zonas, liberalizando a emigração para aquelas regiões em que o trade-off emigração vs segurança fosse claramente positivo? 9. Qual a lógica de Portugal estabelecer uma quota centralista para cidadãos da Noruega, do Canadá, dos EUA, da Austrália ou do Taiwan que desejam desenvolver uma actividade profissional em Portugal? José Pacheco Pereira diz-nos que a questão da emigração foi escolhia por Paulo Portas «não porque constitua qualquer preocupação dos portugueses». Não contesto, mas isso não retira relevância ao tema. Recordo o que escrevemos sobre a problemática da emigração na Holanda e Pim Fortuyn aqui , aqui e aqui. Le Penn foi ontem e a Dinamarca está bem presente. A famosa proposta discutida na UE sobre sanções para países exportadores de emigração ilegal tem alguns meses. O tema existe, é complexo e perigoso. Defendo claramente uma política agressiva e restritiva com repatriamentos e obrigações para cidadãos de países potencialmente geradores de violência. É injusto na medida em que se globaliza a opinião sobre uma comunidade, quando a política seria mil vezes mais perfeita se submetida a cada pessoa individualmente. Mas os meios e a segurança de uma comunidade assim o obrigam. Quem passa por dificuldades e se encontra em situações extremas, aumenta a probabilidade de cair em comportamentos extremos e violentos. Se viver numa barraca de um ghetto com uma cultura de drogas e armas permanente, tudo se torna cada vez mais relativo. Tudo menos a sobrevivência, que irá sempre vencer a batalha com a moral.
A exposição mediática imprime sempre um legado, aos que por esta são envolvidos. Os condicionantes do momento definem a forma como as pessoas, de forma indelével, determinam a imagem futura do até então ilustre desconhecido. Normalmente a de maior impacte, não necessariamente a primeira, mas aquela que fica, e salvo raras excepções, a de forte carga negativa e quase sempre associada ao jornalismo paupérrimo e sensacionalista, tendencioso e inócuo. É este cenário que ilustra o Independente, no seu acerto de contas, sob a batuta de Vitor Cunha (VC). Assuma-se, em boa verdade, que o próprio molde não o favorece e antes, condiciona a sua de leitura dos factos.
Esta leitura, quase sempre trágico-cómica relembra o “happening” da semana passada. A queda do viaduto sobre o IC19. Na sua, note-se, análise de teor descendente, VC demonstra a sua falta de capacidade em matéria de argumentação. Inicia os seus pensamentos com precipitadas conclusões, no melhor estilo retórico de uso constante no panorama político-informativo português. Transcrevo, "Ribeiro dos Santos Obviamente, tinha que demitir-se. Ou ser demitido. No caso da passagem pedonal que desabou no IC19, o Presidente do IEP deixou a imagem de alguém que sabe muito pouco do que se passa e que tudo o que se passa não passa por ele." VC dixit. E disse aquilo que a grande maioria pensa. E é ai, precisamente, que esta cerebral maioria falha. Iniciei a minha actividade profissional no ICOR. Que para muitos, representa um conjunto de siglas que remetem à vaga memória. ICOR significava, na altura, Instituto para a Construção Rodoviária. É natural que poucos o recordem. É tão natural, como igualmente naturais foram as sucessivas alterações à designação deste instituto. O ICOR, estava inserido num contexto em que o planeamento era assegurado pelo IEP (Instituto das Estradas de Portugal), a construção pelo ICOR e a conservação e reparação pelo ICERR (Instituto para a Conservação e Exploração da Rede Rodoviária). Pouco anos antes designava-se tudo por JAE, depois JAE Construção SA, e agora, novamente, IEP. Tudo isto, no curto espaço de 7 anos. Também nestes 7 anos, passaram pela JAE, IEP, ICOR (...), 7 Presidentes e, consequentemente, 7(!) Conselhos de Administração distintos. Como resultado destas 7 Administrações, os trabalhadores dos Institutos, sujeitaram-se a 4 remodelações totais. De pessoas, de processos, de funções. Conceitos, os quais não vale a pena referir a importância, nos cenários da moderna Gestão, como os de continuidade, médio e longo prazo, visão, missão, produtividade, análises de desempenho ou simplesmente objectivos, são eternas miragens para aqueles que assumem o desafio de pertencer aos quadros do Instituto. Tive uma passagem muito curta, pelo Instituto. A irreverência de então, motivada pela recente licenciatura no Curso de Economia, imprimiam a salutar vontade de contribuir para revolução necessária ao Sector Publico Administrativo e chocavam com a realidade que acima descrevi. Eficácia e Eficiência eram conceitos que adormeciam ao sabor da magnifica vista sobre Lisboa. Cedo percebi que a culpa, não era dos que lá trabalhavam, mas sim dos sucessivos actos de imbecilidade, que sempre se refugiaram na frágil defesa do imediato. A política em Portugal á assim: fugaz, extemporânea, ridiculamente ineficaz. De uma forma simples e objectiva, é fácil depreender que os funcionários do IEP são, em número, claramente insuficientes. E que os recursos que dispõem para garantir a plena utilização das suas competências técnicas têm sido sucessivamente lapidados, numa política de gestão irresponsável e castradora. Coloquemo-nos na posição dos actores. Dos Fiscais que assinam, sob responsabilidade civil e criminal, a garantia da qualidade e segurança necessárias, mas humanamente e também materialmente, impraticáveis. Assinariam os médicos deste País, sem reservas de sangue e enfermeiros que o auxiliem , termos de responsabilidade perante a ausência destes últimos?.Naturalmente que não, até porque em caso algum os médicos necessitam de assinar termos de responsabilidade. Quem assina são os utentes. E é nesta lógica, que nós, utentes das estradas de Portugal, temos graves deficiências de visão. É sempre mais fácil, na nossa lógica invertida, contornar ao invés de enfrentar. É o que temos feito neste últimos 7 anos, com o IEP. Sempre que ocorre algo de “inaceitável” à luz do nossa superioridade moralmente questionável, a solução é maçadoramente repetitiva. Como diz o também não iluminado VC “Obviamente(...) demite-se”. E assim alimentamos uma classe gestora de subsidiarismos e clientelismos. Indemnizamos os politicamente responsáveis e convidamo-los a aceitar outros lugares de não menos responsabilidade política. Lavamos a nossa consciência, pensamos ter obtido um grande feito, sentimos os nossos genes Abrilistas vivos de novo...Ai povo, que paciência tendes...quão lastimo a tua ignorância, a tua ingenuidade, a tua senilidade. Ribeiro dos Santos foi o meu primeiro Mentor. Profissionalmente e sem tónica idolatrante, clarifiquemos. Alguém de assinaláveis capacidades humanas e de não inferiores competências técnicas. Esboço um sorriso de triste resignação, quando constato, tal como o Independente, a imagem insipiente que ele deixa, nesta sua fugaz e infeliz aparição publica. E amargo ao verificar que os poucos pasquins que nesta praça compro, não são suficientemente perspicazes para compreenderem a matriz. Para constatarem e informarem que Ribeiro do Santos é, provavelmente, o Engenheiro que melhor conhece o IEP e as estradas, viadutos e pontes deste Portugal. Que durante grande parte daqueles 7 anos, só ele permaneceu, junto dos restantes funcionários, lutando como braço direito das sucessivas Administrações que por lá passaram. E que quando temos, finalmente, a possibilidade de dar um rumo sustentado ao Instituto, decidimo-nos pela ética da moda. Despedimo-lo. Mas sentimo-nos melhor. As pontes e os viadutos continuarão, infelizmente, a ser noticia neste País. Garanto. E talvez um dia, volte lá, ao IEP, para mais tarde receber uma indemnização. Aqui, tudo é possível... Monday, September 15, 2003
Até Outubro o De Direita irá continuar em serviços mínimos.
O De Direita foi criado por mim (Manuel Pinheiro) e por Pedro Crespo. Juntado-se André Mendes e João Kuchembuck Barbosa. Acontece que o Pedro Crespo, cansado do excesso de trabalho que o sector privado exige, decidiu tirar 3 a 4 anos de férias e rumar até ao Trinity College gozar da horizontalidade que um doutoramento permite e dar umas aulas a jovens ruivas com interesse, entre outros, na ciência económica. Férias. Até lá o sector privado não perdoa e o ritmo tem sido cruel, resultando em zero posts no De Direita e no De Esquerda. O André Mendes dizia-me o outro dia para justificar a sua ausência da seguinte forma « Um deles está hesitante em abrir um blog de poemas de amor ou retornar ao Dedireita.....para maníaco-depressivo já bastava a Florbela Espanca!! Como diria um amigo meu....fogo apaga-se com fogo. Venha a próxima rodada. O João Kuchembuck Barbosa que, em média, nos brinda um post de 3 em 3 semanas, mudou de organização para um gigante-gigante, tendo estado ocupado a transformar gordura organizacional em músculo. Se correr tudo bem, em Outubro full steam ahead outra vez.
I don't like Mondays
(...) Tell me why? I don't like Mondays. Tell me why? I don't like Mondays. Tell me why? I don't like Mondays. I want to shoot The whole day down. (...) Bob Geldof, I don’t like Mondays Friday, September 12, 2003
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GREATEST COWBOY OF THEM ALL (Johnny Cash) « © '91 House Of Cash » I have always had my heroes I've loved a lot of legends Many men in my mind are ridin' tall But my cowboy hero hats off to the man who rode a donkey He's the greatest cowboy of them all He loves all his little doggies he speaks to them kind and gently And he'll lift up any maverick that falls He sees every stray that scatters like it's the only one that matters He's the greatest cowboy of them all Once he rode into the sunset but some returning sunrise He'll call up all the riders in the sky I gotta get my roll together gettin' ready for that sunrise That winds up where old cowboys never die The trail he rides is narrow but it's straighter than an arrow And he rides point for all the great and small He will take us through the wire onto that plain that's higher He's the greatest cowboy of them all Once he rode into the sunset... He's the greatest cowboy of them all "
Sobre a morte de Leni Reifenstahl, Fernando Gomes da Costa envia-nos o seguinte e-mail:
«Sempre que desaparece alguém que marcou a Arte, os meios de comunicação social, em especial as televisões, costumam dedicar-lhes algum tempo de antena, quer através de programas biográficos quer, quase sempre no caso dos cineastas, pela transmissão de um ou mais filmes marcantes da sua obra. Como é sabido, morreu no dia 8 de Setembro a cineasta Leni Riefenstahl. É unanimemente considerada como um expoente e uma força da arte cinematográfica. Tendo no entanto estado ligada (apenas pela via artística e intelectual) ao regime nazi e aproveitada por este para as suas acções de propaganda, foi objecto do ostracismo das classes intelectuais dominantes, por sua vez dominadas pela retórica esquerdista. Por exemplo, Eduardo Prado Coelho, um cinéfilo atento a tudo o que está ligado à 7ª Arte não lhe dedicou uma linha que fosse...talvez por ser ainda mais atento às directivas politicamente correctas. Azar dela o não ter estado ao serviço do estalinismo ou de uma qualquer das muitas ditaduras filo-comunistas passadas ou presentes. Nas televisões, para além de uma breve nota nos noticiários, houve apenas o ignorar do facto. Filmes como "Triumph des Willens" (o Triunfo da Vontade) e "Olympia", que mesmo os mais empedernidos cinéfilos de esquerda reconhecem como sendo obras primas do cinema, não passarão nunca das televisões. Como mais uma vez se comprova, a mentalidade do lápis azul não desapareceu. Apenas tem agora tons avermelhados, que lhe dão mais credibilidade e aceitação.» Se ainda fosse o Sergei Mikhailovich Eisenstein... Espero que a Cinemateca Portuguesa responda com o respectivo destaque que a obra de Reifenstahl merece. Thursday, September 11, 2003
Sobre este post do Abrupto:
A TSF e o Público foram: Opção A "
Two Sheep in a Landscape by Alexandra Churchill Opção B "
Eu voto na B. E ao imaginar o que sentiram os jornalistas em causa, materializo tudo aquilo que nos separa.
Mais uma boa razão para não ouvir a TSF
SOMA FM Indiepop rocks New and classic indie tracks. Carregando no song history, que nos mostra as músicas tocadas durante a última hora, temos: 12:21:21 (Now) Red House Painters - Mistress 12:18:24 Sebadoh- Nick Of Time 12:16:02 Whiskeytown- Somebody Remembers The Rose 12:12:32 White Stripes - The Hardest Button To Button 12:08:13 Pixies- I'm Amazed 12:05:08 Elliott Smith- 2-45 Am 12:00:51 Sea And Cake- Interiors 11:57:17 Flake Music- Roziere 11:51:39 Doves- Words 11:47:40 Magnetic Fields- Sunset City 11:43:01 Modest Mouse-764-hero- Whenever You See Fit (Dj Dynom 11:37:50 Long Winters, The Medicine Cabinet Pirate 11:32:45 Rainer Maria- Save My Skin 11:30:12 Blake Babies- Girl In A Box 11:27:33 Liz Phair - Soap Star Joe 11:26:44 Sentridoh- The Love Up Above Secret Agent The soundtrack for your stylish, mysterious, dangerous life. For Spies and P.I.'s too! Que nos entretem nos intervalos das músicas com diálogos dos filmes de James Bond. A não perder. Song history: 12:38:32 Bebel Gilberto- Sem Contencao 12:34:02 Mcr: Mystery Church Revival- Edible Drainage Wick 12:24:55 Dj Shadow- Napalm Brain/scatter Brain 12:21:13 VA: the trip hop test-part 3- Lift Off 12:16:59 Nicola Conte- Il Cerchio Rosso 12:15:25 Woob- Amoeba 12:10:31 Harry K- The Reluctant Barber 03 12:07:15 A Forest Mighty Black- Till The End 12:02:54 Claude Challe- De-phazz / Mambo Craze (Feat. 11:59:56 Cinemaphonic- Hot Asphalt 11:54:13 Jade Warrior- East Wind 11:48:03 Frederic Galliano- Nangadef Maafric 11:42:25 Barry Adamson- Busted
O nosso amigo António Duarte, volta à carga:
«Mais uma vez permitam- me expor a minha opinião : 1) A situação económica em Portugal é de facto grave quer do ponto de vista da diminuição da procura interna quer através da deterioração dos termos de troca. 2)Tecnicamente é considerado recessão quando um país apresenta uma descida do crescimento do PIB em dois semestres seguidos ou 3 trimestres num ano. Situação que em Portugal se passou. 3) A crise é de facto mundial e não apenas interna. Mas por que razão demora tanto Portugal a iniciar a retoma que o jornalista Luís Delgado já anunciou 123 vezes ? Primeira Causa : Perda de controlo de instrumentos de politica económica Durante muitos anos, Portugal dispos dos seguintes intrumentos de política económica : 1) Taxa de Juro - Controlada pelo Banco de Portugal cujo indexante era a Lisbor ( Lisbon Interrate spread book of rate ), permitia ao estado em situações antagónicas ter algum controlo sobre a economia : Situações de recessão : a taxa de juro descia por forma a incrementar o investimento privado na economia. Igualmente uma descida das taxas de juros nas operações bancárias activas e passivas permita que o dinheiro entrasse em circulação , aumentando a massa monetária em circulação tendo como consequencia o aumento da inflação. Com a inflação a aumentar , as empresas vendem os seus produtos a preços mais elevados e como tal tem mais lucros, tem necessidade de mais produção e acabam por aumentar o emprego ( Curva de Phillips ). Situações de grande crescimento : A taxa de juro subia por forma a que houvesse um nivel de poupança superior ao do investimento. Esta situação era particularmente necessária quando o choque assimétrico da procura sobre a oferta existia Situação Actual : A taxa é definida pelo BCE. 2) Taxa de Cambio Utilizada durante muitos anos para introduzir uma falsa competetividade na economia portuguesa, a desvalorização do escudo - crowling peg - permitia as exportações portuguesas serem mais baratas no estrangeiro. Alias se hoje olharam para uma tabela de conversão divisas/euro verficam que Portugal e Situação Actual : A taxa de conversão foi definida e salvo situações de excepção é irrevógável. 3) Orçamento de Estado è o único instrumento que se mantem. Mas já nem as celébres almofadas de sustentação do Prof. Cavaco Silva existem - na altura receitas de privatizações. Este é o unico instrumento de politica economica existente e é com ele e para ele que os governos tem que trabalhar. De um lado as despesas do outro as receitas. Segunda Causa : Ausência histórica de um modelo de desenvolvimento Ao analisar a história da economia portuguesa, se lhe retirarmos a lei do planeamento florestal ( 1931 ), a lei do condicionalismo industrial ( 1938 ) , e os planos de fomento pós 25 de Abril vemos que as aquilo que vem escrito nas GOP´s não passam de utopias para a realidade da economia portuguesa. Tão depressa apostamos na substituição das importações- fomentamos a produção interna - ou apostamos na promoção das exportações. Mas o mais grave é que mudamos várias vezes numa década aquilo que deveria ser uma aposta no futuro, senão vejamos : a) Educação - Quantos de nós ja nao conheceram diferentes modelos de ensino ? Diferentes ideias sobre o ensiono superior ? Alguem teria pensado que o ensino superior para ser uma aposta deveria estar articulado com as necessidades da economia e não apenas em formar gestores de empresas em massa ? e professores que o sistema ja nao precisa ? Pessoalmente, entendo o caso irlandes como uma conjugação de factores, amas de facto aquilo que no meu entender funcionou melhor foi um plano nacional de educação a 20 anos ( sim 20 anos ) e começou a dar frutos há 5 anos atrás.... Este governo começa a querer mudar alguma coisa e nota-se que os estudantes outrora na rua por tudo e por nada....estão calados . b) Saúde - Foi preciso o grupo mello investir na saúde para o estado perceber que os privado aqui fazem muito e melhor que o Estado. Hoje já temos hospitais empresas, o estado já paga em dia ao infarmed e aos hospitais..... »
Debaixo para cima:
Diz o Liberdade-de-Expressao: «Curiosamente, o corte de impostos sobre o lucro das empresas não beneficia directamente a tal empresa com 1,000,000? de prejuízo.» O corte não tem de ser necessariamente nos impostos sobre o lucro. Existem impostos sobre o rendimento, transacções, actos (constituições, etc), existem taxas sobre licenciamentos, segurança social, ... a lista é imensa. Mesmo que o corte fosse apenas sobre lucros, existe um efeito globalmente positivo na cadeia de valor, em clientes e eventualmente nos fornecedores (nesta última parte a equação já é mais complexa e muito circunstancial). A minha argumentação mantém-se exactamente a mesma que utilizei no Post II, argumentação essa também defendida por Milton Friedman e James Buchanan. Continua o João: «Por isso, o Manuel terá que explicar porque é que o estado está disposto a emprestar esse dinheiro à economia, e os bancos não estão.» Porque o sistema de custos, garantias e receitas dos dois agentes (Estado e Banca) são estruturalmente distintos, o alcance dos seus empréstimos dramaticamente diferente, os seus comportamentos consequentemente distintos. Já para não falar na natureza da sua função. Mais uma vez a razão está na minha argumentação no Post II Na hipótese a) a baixa de impostos aumenta o preço das acções, aumenta o rendimento disponível das famílias, encorajando-as a consumir (2/3 do Produto nos EUA). Maior procura interna, aliada a uma subida no preço das acções cria condições de mercado para as empresas investirem e contratarem novos trabalhadores. O Estado não diminui a carga fiscal à empresa X apenas. Aumenta o rendimento disponível da globalidade dos agentes económicos, inclusivé à Banca que por via da recessão aumenta o volume de crédito mal-parado e restringe a concessão de crédito, sobretudo a empresas sem um passado ou em áreas inovadoras onde as receitas são incertas. A hipótese b) é claramente distinta. Não existe aumento do preço das acções (atenção às economias mais desenvolvidas que colocam uma importante fatia do rendimento familiar em bolsa), pelo contrário o mais provável com um plano de endividamento é a sua descida, não existe um encorajamento do consumo, antes pelo contrário uma retracção e poupança. Não existe um incremento estrutural do rendimento disponível das empresas e a subida de impostos faz descer o rendimento disponível de todos os agentes económicos. Como é que é suposto alguém conseguir crescer assim? Ainda no caso de um ajustamento radical para um défice 0, sucede o cenário descrito na alínea b), mas desta vez "ao quadrado" como se descreve no Post III. Wednesday, September 10, 2003
Correspondência em dia:
Agradecimento tardio ao Irreflexões pelo texto que nos enviou e que pode ser consultado aqui. Ainda sobre um post do Irreflexões, recebemos um e-mail do amigo banqueiro António Duarte que, através de nós, diz ao Irreflexões: «O Irreflexões propõe que, em tempos de recessão, os bancos emprestem dinheiro ao estado para que este estimule a economia através de compras às empresas Lamento, mas não concordo consigo por : a) O Banco Mundial e o FMI fazem aquilo que designadamente sugere mas chama lhe ajustamento estrutural, empresta fundos ao Estado para este posteriormente poder aplicar no desenvolvimento do país. Mas o que acontece e que os países acabam por afectar grande parte da ajuda para outras areas como a guerra e endividam.se mais. A culpa aqui nao é so do Estado porque de facto aqueles organismos sempre vocacionaram as suas intervenções para a aplicação de medidas restritivas e bastante contraccionistas. Os resultados são aqueles que sabemos. Meus caros, o Estado não deve em epocas de recessão tomar medidas que ajudam ainda mais a recessão a galopar. Endividar-se perante terceiros significa assumir um compromisso que não conseguirão nunca pagar no futuro.Mesmo que todas as permissas que desenvolve façam sentido existe algo na economia que os paises nao controlam, a isso chamam-se factores endógeneos. E hoje eles são tantos, que bastaria o empréstimo ser em dólares e assistirmos a uma depreciação do euro para que o custo futuro do empréstimo fosse igual à depreciação sofrida por cada dolar emprestado.» Por fim dar as boas vindas a: Meros Enganos Vitamina C Montra de Prémios
Meus caros Fumaças e Cataláxia, como diriam os americanos: «Now you're talking business!!»
Gostava de fazer alguns reparos e acrescentos, mas a selva capitalista obriga-me a voltar ao trabalho, tendo roubado uns minutos para continuar a interessante discussão com o João Miranda. Espero que esse espírito de concretização e apresentação de propostas concretas seja para continuar.
Contra-argumento o Liberdade-de-Expressao ponto a ponto:
1- «Manuel responde incorrectamente à minha pergunta. A alínea a) e a alínea b) são equivalentes» Para o João, pagar 1,000,000€ quando um empresa apresenta 1,000,000€ de prejuízo é igual ao pagamento de 1,000,000€ quando a mesma empresa apresenta 2,000,000€ de lucro? Tem a empresa capacidade de endividamento, e em que termos? Com que perspectivas de receitas? Vendas? Em recessão? Qual o risco de crédito aplicado pelo Banco? O milhão poderá ser o mesmo, mas tudo o resto é distinto. Elas são tudo menos equivalentes. 2- «O Manuel não explica porque é que elas são particularmente boas em tempo de recessão. Ou seja, o que é bom naquelas medidas não é o corte dos impostos à custa do deficit mas os efeitos microeconómicos que as medidas têm na eficiência da economia» Em princípio elas são excelentes em retoma e em recessão. Aquilo que eu defendo é que a manutenção, o aumento ou a não eliminação do défice no curto prazo não é uma razão válida para estas medidas não serem tomadas. 3- «O Manuel estabelece algumas relações falaciosas. A taxa de juro e o PIB variam naturalmente, independentemente do que o estado faça. A seguir a uma recessão vem sempre uma retoma.» Excepto, claro, se não vier. Isto é um acto de fé do João. As recessões podem ser maiores, menores, de distintas naturezas, a retoma pode nunca aparecer, pode aparecer antes ou depois e com intensidades distintas. As economias podem simplesmente não crescer. O Estado é um agente com um poder determinante na economia. A política cambial, monetária, fiscal, orçamental, a própria escolha do regime político, etc. Tudo isto é determinante. Não entendo o alcance da argumentação do João neste ponto, se é o que aparenta, discordo frontalmente. Brian Wesbury, Chief Economist da Griffin Kubik Stephens & Thompson, um importante Banco de Investimento dos EUA, e um dos signatários do Manifesto dos 115 economistas, calculou que o corte de impostos inicial proposto por Bush teria como impacto na economia um crescimento adicional de 0.5%. A eliminação da dupla tributação dos dividendos das empresas teria como consequência um incremento adicional de mais 0.5%. Quanto melhor é quando há bruma. Esperar por D. Sebastião, Quer venha ou não! 4- «As afirmações de Mitch Daniels sobre a taxa de juro caem na mesma falácia... No entanto, a taxa de juro teria descido mais se o Deficit tivesse descido em vez de subir» Aqui a questão põe-se um pouco ao contrário. A base teórica do Crowding Out Effect dizia-nos que os défices, particularmente os long term deficits têm como consequência o aumento das taxas de juro, com todos os outros elementos constantes. Mesmo os mais cépticos e imobilistas já chegaram à conclusão que a relação, embora possa existir, é seguramente mais fraca do que aquilo que se pensava. A Ciência Económica também evolui. Amén. Pena que tenha de ser à custa da constatação das evidências. Uma vez mais o João considera que 1% é um 1% e 1,000,000€ é 1,000,000€ independentemente das circunstâncias. A descida das taxas de juro de 10% para 5%, tem um impacto mais forte no investimento que a descida de 5% para 0%. Mesmo na hipótese que o João coloca na qual as taxas poderiam descer mais, a verdade é que o FED, a sua Administração e o seu Presidente Alan Greenspan (por sinal apoiante do corte de impostos) colocaram as taxas a um nível tão baixo que qualquer descida tem um efeito marginal. Já os custos de ajustamento radical de um défice para 0 (zero) é outra conversa bem diferente. 5- «Os Estado Unidos não têm nada a ver com o Estado Liberal X que o Manuel inventou» Não são 100% equivalentes, nem eu o argumento, embora encontre semelhanças no post III. «Os EUA têm um sector público que presta serviços acima dos mínimos» Há quem argumente o contrário, de qualquer forma em situação alguma prestará muito acima dos mínimos. A importante fatia dos gastos que desequilibram tem a ver com alguns custos sociais do desemprego e despesas adicionais com Home Land Security e presença militar em vários locais e conflitos. A retração pós-bolha, os escândalos financeiros e o clima de incerteza internacional tornam a situação ainda mais complicada. Isso e a quebra de receitas fazem o défice.
O Mundo mudou, os Portugueses não e hoje estou cáustico.
A Revolução de Abril é ,sem dúvida, o momento marcante da geração que agora decide os desígnios do País. O natural umbiguismo Português, a ela imprime o estatuto de acontecimento mais marcante do último século. Já dizia o meu Avõ que importante tinha sido a queda da Monarquia. É assim, os Portugueses são deslumbrados por natureza, pequeníssimos na sua condição de intervenção cívica, medíocres na coragem de assumir as reais repercussões dos seus actos, execráveis na memória colectiva e exímios na manutenção de cenários de favoritismo. A casa pia é um escândalo. E assim o é, porque os tentáculos da sua real dimensão alastram para grande parte dos sectores com peso intervertivo em Portugal, porque assim vislumbramos, nua e cruamente, o assumido regime de total facilitismo. A casa Pia é também o reflexo destas últimas décadas: Impunidade, jogos de poder, inércia, falta de civismo, falta de coragem, muita falta de coragem. É este o exemplo que esta Geração de Abril (a que o viveu, não a que dela nasceu), tão ética nos seu plástico social, tão célere a educar os seus filhos mediante valores comportamentais cristãos, puros na sua essência mas tão supérfluos e vazios nos rituais elitistas estabelecidos, tão imediatos na utilização da condição etária que assim define a hierarquia social, pela experiência, dizem. Pois eu, que nasci em Abril, nos legados dessa mesma Revolução constato que essa experiência, foi para vós, demasiado. Talvez o excesso de liberdades tenha sido o antídoto da racionalidade, o elixir da imprudência, a causalidade que justifica tantos e tão graves erros cometidos. Viver em sociedade implica Comportamento e Comportamento identifica-se com regras: de saber estar, de sabe fazer, de saber Ser. Remeto-vos pois, a todos os que agora se mostram indignados, a condição que a nós rotularam... ...Geração Rasca, esta não será, garanto. Esta não viverá à sombra da nova disposição de podres poderes, não será esta a pactuar com a inevitabilidade do destino, não será esta a esconder-se atrás das batinas Dominicais, esperando que o poder Divino remedeie os Pecados que todos sabemos existirem. E daí lavo as minhas mãos? poderia ser a marca desta geração que me pretendeu ensinar aquilo que não fez. ??Practice what we Preach?? O que é feito desta velha máxima? Os joelhos gastos não justificam a sua aplicação? A régua pesada não foi suficientemente elucidativa? As máscaras sociais que todos envergam e que não são mais que o espelho dos mitos que se propagaram ao longo destas três décadas de fetiches kinky, que materializam os boatos que escondem uma cobardia atroz e real, que materializam o sentimento de imputação da culpa terceiros, são as mesmas que determinam o actual comportamento decisional, no qual o percurso escolhido é sempre aquele que contorna os problemas e raramente, o que os resolve.. Continuemos então, a ver a novela real que é a Casa Pia neste ridículo País, que nem ao nível das Instituições de Poder Executivo, mantém as condições exigidas pela sua natural condição: Credibilidade, Idoneidade e Confiança. Continuemos pois, a pactuar com o mediatismo proposto e tendencioso, pronto a defender actos de sucessiva vilanagem, movidos por interesses de defesa de grupos e ingenuamente, a ingerir aquilo que queremos que seja e não o que realmente é. Este País está enfermo. Mas felizmente, já não são poucos os que de tal, consciência têm... Tuesday, September 09, 2003
Uma Recessão, um Défice e uma Descida de Impostos VI
Nada como terminar (?) uma discussão da mesma forma que se começou (hehe) Na edição desta semana, a The Economist volta à carga, desta vez através do seu artigo Cover-Page sobre George Bush, já dentro da revista, na secção Leaders diz-se o seguinte: 1. It makes sense to run a deficit in a slump; 2. And it also makes sense to cut taxes, particulary if you try to move the burden from investment to consumption. 3. But Mr Bush has failed to curb public spending Venham cá outra vez chamar-me Keynesiano e Estatizante, terei todo o gosto em traduzir e enviar os elogios a, entre outros, Milton Friedman e James Buchanan. Felizmente não existem processos disciplinares na Internacional Liberal
Uma Recessão, um Défice e uma Descida de Impostos V
Com metade do plano de corte de impostos aprovado, as previsão da The Economist Intelligence Unit para os EUA são: GDP em 2003: +2.4 GDP em 2004: +3.6 Consumer Prices em 2003: +2.2 Consumer Prices em 2004: +1.3 United States Stock Indexes Variation Since 31st December 2002: DJIA: +14.7 S&P500: +16.6 NASDAQ Comp: +38.7 Curiosidade Extra: 3-mth money market United States interest rate: 1.04% Year ago: 1.73% Últimas: Amerca's economy grew faster in second quarter then preliminary estimates had suggested: GDP growth was revised from 2.4% to 3.1% at an annual rate. Retail sales grew by a higher than forecast 6.3% in the 12 months to July. There was more good news from manufacturers: the Institute for Supply Management's index of manufacturing activity rose briskly for the second straight month, from 51.8 in July to 54.7 in August. Aqui pela Europa as coisas andam infelizmente assim: Consumer-price inflation in the euro-area ran at 2.1% in the year to August. Producer prices, although unchanged from June, rose by 1.3% in the year to July; they fell by 0.3% in the year to the previous July. Euro-area unemployment stayed at a 42-month high of 8.9% in July for the second straight month. Manufacturing activity, according to Reuters' purchasing-managers index, improved slightly in August
Uma Recessão, um Défice e uma Descida de Impostos IV
Diz o João: O abaixamento dos impostos X à custa de um endividamento do estado só é racional se a baixa de impostos compensar a consequente subida dos juros (...) os juros sobem igualmente para todos da mesma forma. Existirão sempre empresas para quem o abaixamento de impostos não compensa a subida da taxa de juros e são essas empresas que são determinantes para a retoma.. Acontece que os factos não comprovam a hipótese de que o João fala. Diz-nos que pela baixa de impostos temos uma consequente subida das taxas de juro, o chamado crowding out effect. Não é assim. Os economistas da administração Bush já estão fartos de o dizer, e o papel já passou para os púlpitos dos discursos do Front-Office da Administração. O tema é «The effects of tax cuts on revenue and the relationship between budget deficits and interest rates». O Vice-Presidente Dick Cheney diz-nos: «They argue that increased deficits necessarily lead to increased interest rates, wich, in turn, slows economic growth. But the argument has one slight flaw. The evidence of recent years simply doesn't support it". A evidência está lá. As taxas de juro nos EUA estão historicamente baixas apesar do crescente desiquilíbrio das contas públicas dos EUA. Mitch Daniels, Office Management e Budget Director discursando acerca da relação entre o défice e as taxas de juro diz: «Well, the idea that there is some conection between deficits and interest rates is an article of faith for some people, but I say "faith" because there's just no evidence, zero. And at least at the levels that are now experiencing, historically very moderate - and as we see it, declining deficits- one would not expect an impact. You can expect an impact from greater economic growth, which we all hope will occur and which this budget attempts to make more likely. But as a direct effect of these deficits, no. We've gone from surplus to deficit, and interest rates have gone down. So I do not see that correlation» O Presidente do Council of Economic Advisers, Glenn Hubbard: «As an economist, I don't buy that there's a link between swings in the budget deficit of the size we see in the United States and interest rates. There's just no evidence» Esta é a minha visão de um não-fundamentalista discutida com o João Miranda nos primeiros posts: Alguém que não tem um anchoring crónico a manuais e ideias que acabam por ser contrariadas pela realidade. Alguém capaz de mudar.
Uma Recessão, um Défice e uma Descida de Impostos III
«Nor shall the argument seem strange, that taxation would be so high as to defeat its object and that given sufficient time to gather the fruits, a reduction of taxation will run a better chance than an increase of balancing the budget. To take the opposite view today is to resemble a manufacturer who, running at a loss, decides to raise his price. And when his declining sales increase the loss, wrapping himself in the rectitude of plain arithmetic, decides that prudence requires him to raise the price still more. And who, when at last his account is balanced when naught on both sides is still found righteously declares that it would have been the act of a gamble to reduce the price when you were already making a loss.» John Keynes. O Presidente Bush diz: «Well, we have a deficit because tax revenues are down. Make no mistake about it, the tax relief package we passed - that should be permanent by the way- has helped the economy, and that the deficit would have been bigger without the tax relief package» «are essencial for the long run... to lay the groundwork for future growth (...) That growth will bring the added benefit of higher revenues for the government - revenues that will keep rates low, while fulfilling key obligations(...)» Na Conservative Political Action Conference, Dick Cheney diz: «The President's proposal will reduce tax burden on the American by $670 billion over the next 10 years. By leaving more money in the hands of the people who earn it, people who will spend and invest and save and add momentum to our recovery, we'll help create more jobs and ultimately increase tax revenues for the government» O Porta-Voz Ari Fleischer diz: «The entire package the President does believe will lead to growth, which will over time grow the economy, create additional revenues for the federal government and pay for itself» Os economistas que trabalham com Bush, parecem ter lido Keynes e distinguido o que é positivo e negativo nas suas propostas.
Uma Recessão, um Défice e uma Descida de Impostos II
Diz o João: Gostava que o Manuel me explicasse as diferenças entre as situações seguintes: a) O estado baixa os impostos, recorre ao crédito para cobrir a queda da receita, paga o empréstimo com os impostos durante a retoma; b) O estado não mexe nos impostos. Os próprios agentes económicos recorrem ao crédito para pagar o excesso de impostos em relação à alínea a) e pagam o empréstimo durante a retoma; Na hipótese a) a baixa de impostos aumenta o preço das acções, aumenta o rendimento disponível das famílias, encorajando-as a consumir (2/3 do Produto nos EUA). Maior procura interna, aliada a uma subida no preço das acções cria condições de mercado para as empresas investirem e contratarem novos trabalhadores. Na hipótese b) é sensivelmente o inverso. Continua o João: Um governo liberal não baixa impostos para beneficiar um determinado sector da economia ou para relançar a economia. Se o fizer, deixa de ser liberal e passa a ser outra coisa qualquer Acontece que para contrapor o Manifesto de Crítica aos cortes de impostos de Bush, um conjunto de Economistas tidos como "as referências liberais vivas" assinaram um Manifesto de Apoio a esse mesmo corte de Impostos que o João considera ser "outra coisa qualquer" que não liberal. Com o intuito de acabar com a lenta recuperação americana, estes economistas defendem uma forte agenda fiscal e orçamental que inclua: 1. Descida adicional de impostos, em especial os que directamente restringem o crescimento económico, nomeadamente a dupla-taxação nos dividendos das empresas juntamente com "accelerated income tax rate reductions". 2. Redução de Impostos deverá ser permanente, ao contrário da redução em 2001. 3. Restrições na Política Orçamental, começando por acabar ou congelar um conjunto de programas federais sem utilidade aparente, diminuindo o peso do Estado no Produto. Como regra, os governos não conseguem criar riqueza ou expandir a economia. Conseguem, isso sim, limitar a capacidade de crescimento através de excessiva taxação, elevadas taxas marginais, excesso de regulamentação ou gastos desnecessários. (Como regra, atenção às excepções) Acontece que os signatários do Manifesto, sendo Liberais, não são loucos, e o ajuste orçamental será neste modelo alcançado a médio prazo. Ninguém diz défice 0 (zero) já ou vamos ficar todos mais pobres. Por isso é que escrevi, e repito, que a existência de um défice em recessão não é por si só um facto dramático. Assinam este manifesto 115 economistas, dos quais destaco: Milton Friedman - Nobel da Economia pelo desenvolvimento da Teoria Monetarista University of Chicago e Hoover Institution (Stanford University) James Buchanan - Nobel da Economia pelo desenvolvimento da Public Choice Theory George Mason University Vernon Smith - Nobel da Economia pelo contributo na "Economia Experimental" e Estudo de Mecanismos de Mercado Alternativos George Mason University E assinamos nós também.
Uma Recessão, um Défice e uma Descida de Impostos I
Voltamos então à discussão com o Liberdade-de-Expressão. O João Miranda argumenta que a manutenção de um défice orçamental no curto prazo durante uma recessão é um acto maléfico em que as consequências do acto são nefastas quer a curto quer a longo prazo, empobrecendo o Estado Nação em causa. A minha defesa de uma descida de impostos que implica o não-equilíbrio das contas de um Estado Nação no curto prazo merece-lhe igual crítica. Para o João, a existência de um défice é sempre estruturalmente maléfica e em circunstância alguma existem custos ou estratégias de ajustamento que lhe aconselhem uma aproximação contínua ao longo de anos (meses?) em direcção ao equilíbrio. A palavra défice vale como adjectivo, e não discute por exemplo: 1. A natureza do défice 2. A natureza do corte de impostos 3. Os termos do endividamento do Estado 4. Consequências económicas dos cortes de impostos(neste caso considera-as imprevisíveis) 5. As consequências económicas do ajustamento orçamental para 0 (zero) em período de recessão Uma crítica que para mim faria mais sentido seria este Manifesto, escrito nos EUA a propósito do corte de impostos levado a cabo pela Administração Bush, em que se tem em conta a natureza das propostas: «(...) Passing these tax cuts will worsen the long-term budget outlook, adding to the nation's projected chronic deficits. This fiscal deterioration will reduce the capacity of the government to finance Social Security and Medicare benefits as well as investments in schools, health, infrastructure, and basic research. Moreover, the proposed tax cuts will generate further inequalities in after-tax income. To be effective, a stimulus plan should rely on immediate but temporary spending and tax measures to expand demand, and it should also rely on immediate but temporary incentives for investment. Such a stimulus plan would spur growth and jobs in the short term without exacerbating the long-term budget outlook» (1) Este manifesto foi assinado por 400 economistas dos quais destaco: Paul Samuelson * Massachussets Institute of Technology Kenneth J. Arrow * Stanford University Robert M. Solow * Massachussets Institute of Technology Joseph Stiglitz * Columbia University William Sharpe * Stanford University Douglass C. North * Washington University Lawrence R. Klein * University of Pennsylvania Daniel L. MacFadden * Univeristy of california-Berkeley Franco Modigliani * Massachusetts Institute of Technology George Akerlof * University of California-Berkeley * Prémio Nobel da Economia (1) Economists Statement Opposing the Bush Tax Cuts Monday, September 08, 2003
A argumentação do De Direita aproxima-se mais das palavras de John Kitchen, Chief Economist for the House Committee on Budget da presente administração americana:
«Sitting back and waiting is not a viable option.» «You need to get a growth package through with sustained tax relief to boost job growth and get economy back to potential faster» No próximo post argumentamos e respondemos directamente à questão levantada pelo João no seu último parágrafo.
A argumentação do Liberdade de Expressão recorda-me o episódio da saída forçada da Libra (e da Lira) do Sistem Monetário Europeu em 1992.
Com os olhos de todo o mundo financeiro em cima, ao Presidente do Banco Central Britânico é-lhe perguntado o que é que ele fez durante o "ataque" especulativo à Libra, ao que o banqueiro respondeu: «Oh, I was singing in the shower.» Claro que depois disto passou a ter muito mais tempo para se dedicar à canção.
Será o Governo e o Estado dos EUA de Direita Estatizante, Tradicionalista, Limitador da Iniciativa dos seus Cidadãos?
O Presidente George Bush tem muito ou pouco poder nos EUA? E no mundo? O Treasury Secretary John Snow tem muito ou pouco poder nos EUA? E no mundo? O Presidente do FED, Alan Greenspan, tem muito ou pouco poder nos EUA? E no mundo? (a lista poderia continuar) São estas as minhas dúvidas em relação ao post no Cataláxia.
Existe ainda um mistério.
Retirando a tomada do Poder pelas armas, «para os liberais organizarem as instituições políticas de forma a que os governantes não possam causar muito dano» precisam de: 1. Formar um partido político - Misteriosamente imune às críticas habituais que os liberais mais radicais (termo não pejorativo) fazem aos Partidos 2. Vencer as Eleições - Misteriosamente sem cairem nas propostas propagandísticas e empobrecedoras no longo prazo que dizem ser necessárias para vencer eleições 2.1 Vencer as Eleições com uma Maioria Absoluta para de facto poderem organizar as Instituições com a pureza do seu programa sem contaminações Estatizantes à (ou da) Esquerda ou à (ou da) Direita 3. Tomar posse do Poder e não se deixar Corromper 3.1 Tomar Posse do Poder Absoluto e não se deixar Corromper Absolutamente 4. Constituir um Governo de pessoas competentes capazes de implementar impecávelmente o seu programa. 5. Implementarem o seu programa durante a legislatura independentemente das variações na opinião pública, considerando que o Governo está melhor informado que os cidadãos, ignorando então a opinião destes. No fundo utilizar para um bem comum final os instrumentos que dizem ser opressores. Mas com eles não. Onde é que eu já ouvi isto?
Ainda sobre o Post do Cataláxia "Estar à Direita".
Diz o Rui: No que o Manuel disse na sua última ?posta? sobressai, a meu ver, o facto de ele considerar que o recurso ao crédito por parte do Estado e ao investimento público dependem da lucidez de quem dirige momentaneamente o Governo. Por isso, escreveu ele que é possível haver uma boa política de intervenção estatal se, por exemplo, «o Governo em período de crescimento não for liderado por um irresponsável como António Guterres». O que eu escrevi é que é desejável em períodos de recessão que originem um défice por via de quebra de receitas, que o Estado não deteriore as condições de competitividade dos agentes económicos por via de um aumento de impostos para equilibrar as contas públicas. Esta não deterioração é possível se em períodos de crescimento o Estado não apresentar desequilíbrios orçamentais injustificáveis como aconteceram durante a governação de António Guterres. Continua o Rui: Eis, aqui, o busílis da nossa discordância: não cometemos a ingenuidade de presumir a torpeza da natureza humana objectivada no indivíduo e admitir a bondade e a recta intenção dos governantes. Pelo contrário, achamos, como Montesquieu, que o poder corrompe. E não tem de ser o poder absoluto, porque esse, como sabe, corrompe absolutamente. Por isso, como Popper ensinou, a questão que se coloca a um liberal não é a de escolher entre os bons e maus governantes, mas a de «organizar as nossas instituições políticas de forma que os governantes maus e incompetentes não possam causar muito dano». Também por isso, o Estado deve ter poderes mínimos de intervenção sobre a sociedade e o indivíduo Aqui existe um défice (hehe) de concretização da tua afirmação que se impõe. O que é que são "poderes mínimos" que impeçam um mau governante de causar dano? . O poder de envolver a Nação num conflito bélico é um poder máximo ou mínimo? . A representação do "Interesse Nacional" nas negociações da OMC, do FMI ou do Banco Mundial com consequências determinantes para os agentes económicos é um poder máximo ou mínimo? . A decisão de integração na União Europeia é um poder máximo ou mínimo? . O abandono da moeda Escudo pela moeda Euro é um poder mínimo ou máximo? Estes quatro exemplos (a lista poderia continuar) são exemplos de poderes que quando exercidos e tomadas más decisões têm consequências dramáticas para uma Nação. O Rui defende que estes poderes sejam retirados ao Estado? São falsas questões que devem ser anuladas ou são poderes que devem transitar concretamente para quem? Concordo que não seja a única questão, mas a escolha "entre bons e maus governantes", entre o melhor ou o menos mau é determinante. Sunday, September 07, 2003
Breves:
Por razões profissionais e pessoais foi-me impossível "blogar" desde o final do dia de sexta, tendo interrompido a dicussão com o Cataláxia e o Liberdade de Expressão. Hoje passo pela Bloguesfera apenas enquanto durar a chávena de café (negociações com o sexo feminino), mas amanhã volta-se à carga, até porque surgiu muito material relevante. Apenas uma nota, como gosto de ler o Cataláxia, fica "perdoada a ofensa", mas o próximo que me chamar de Direita Estatizante e Tradicionalista vai ter de o provar em tribunal! Friday, September 05, 2003
Caro Rui, O Primeiro-Ministro X é de Direita Estatizante e Tradicionalista?
No final da tarde volto ao tema em força. Apenas um esclarecimeto ao João Miranda acerca da parte final deste seu post. A génese desta discussão é um post em que critico a confusão entre a existência de um défice e as políticas Keynesianas. Como tal não estava a defender as políticas Keynesianas que o João cita no seu penúltimo parágrafo. "...vê em John Keynes a suprema encarnação do Mal e ao qual associam tudo quanto tenha a ver com a palavra "Défice". " Confusão que existe em quem tem uma obsessão persecutória por Keynes, que acaba por vê-lo onde ele pode não estar. Quem tem uma obsessão por ser contagiado pelo vírus da gripe, vai lançar as mãos à cabeça quando vir alguém espirrar perto, não imaginando que o espirro é, no presente caso, proveniente de uma alergia. Este tipo de pessoas acabam muitas vezes por argumentar contra os seus próprios fantasmas.
Um Estado X entra numa Recessão X.
O Estado X tem um Governo Liberal X. O Governo X fornece os Serviços Mínimos X à População X. O Governo X tem uma Política Fiscal X que recolhe Receitas X para financiar os Serviços Mínimos X. A Recessão X faz diminuir as Receitas X. O Estado X é brindado com um Défice Orçamental X. O Governo X considera que se Baixar em Y os seus Impostos X, o Sector Económico X irá Recuperar e a Recessão X acabar. Se a Recessão X não acabar, as Receitas X irão diminuir Z e o Estado X apresentará um Défice X Maior do que resultaria da Baixa em Y dos seus Impostos X. O Primeiro-Ministro X do Governo X fala aos Cidadãos X congratulando-se pela Retoma X. As Receitas X Geradas pela Retoma X pagam o Endividamento X que o Governo X tomou. O Governo X poderia não ter decretado o Endividamento X. Poderia ter cortado os Serviços Mínimos X, transformado-os em Serviços Insuficientes X, hipotecando a liberdade de iniciativa X dos cidadãos X para alcançar a Retoma X. Thursday, September 04, 2003
O Veto Político considera que o De Direita e o Liberdade de Expressão estão a travar um "falsa controvérsia". Confesso que quando li o texto do João Miranda também fiquei com essa impressão, do género: "Essa discussão não é comigo". Tive o cuidado de logo a seguir enviar ao João Miranda os artigos que citei, ficando agora à espera do que dali vai sair.
O mesmo em relação ao texto do Cataláxia, com quem, no entanto, tenho uma discordância no approach que o Rui faz. A prática diz-nos que muito do investimento público (de que falo agora pela primeira vez) acaba por ser não reprodutivo. Certo, e existe funcionalismo, máquinas estaduais gigantescas, ineficientes, desenvolvendo tarefas que há muito deveriam ter sido entregues ou abertas ao sector privado, etc. O que eu não concordo é que esse investimento público seja considerado mau "por definição". O Estado deseja investir, muito bem, isso tem custos. Vamos então ver que investimento e qual o retorno que se espera dele. Não me parece que um investimento seja globalmente negativo para um todo apenas porque é o Estado, recorrendo ao crédito, que o financia (isto porque se começar a imprimir dinheiro a história é algo diferente). À partida investimento público faz mais sentido em países em estado de desenvolvimento atrasado. O Estado, ao contrário de cada privado individualmente, tem um passado e uma capacidade de endividamento que proporciona algumas infraestruturas e recursos necessários para um determinado sector privado poder dar um salto qualitativo de outra forma impossível. Se pensarmos num país africano pobre, facilmente vemos que a capacidade de investimento virá, numa primeira fase do Estado e de Investidores Estrangeiros. Mais. Serão os próprios investidores estrangeiros que exigem que o Estado os acompanhe no investimento. Normalmente é algo do género: Nós construímos a refinaria, e você o porto. O Estado irá endividar-se para o fazer numa estimativa de criação de riqueza impensável na limitação ou inexistência de capacidade de investimento privado nacional. Onde é que esta economia no seu todo perde no longo prazo? Nos países da OCDE, por exemplo, fará menos sentido pensar-se em investimento público. Em períodos de recessão, baixam-se as taxas (ver FED e não BCE, ayatollah) e baixam-se os impostos. Isto é possível se o Governo em período de crescimento não for liderado por um irresponsável como António Guterres. Discordo ainda do argumento que o Rui apresenta quando diz que devido ao Keynesianismo (existe uma diferença, na minha opinião entre Keynes e os seus "implementadores") "levaram o Ocidente à dramática situação em que se encontra de descontrolo quase absoluto das despesas públicas, do qual não se vislumbra saída fácil". O que aqui acontece é a diferença de opinião relativamente ao peso que um estado deve ter numa economia e quais as funções que lhe são próprias. Uma coisa é a despesa pública que o Estado tem na execução das suas funções (excessivas ou não), e outra dimensão é o Investimento. Acontece que muitos (não todos) defensores das Teorias de Keynes trazem consigo uma visão, na minha opinião, de excessivo peso do Estado na Economia. Mas isso pouco tem a ver com a "bondade" do défice sob a óptica de investimento reprodutivo. Por outro lado não me parece que a situação esteja assim tão fora de controle. A Grã-Bretanha apresentou no ano 2000 um saldo positivo de 3.9% do PIB nas suas contas públicas. Hoje apresenta um défice de 3%. Quebra de receitas e baixa de impostos são as principais razões. A Espanha apresentava saldos positivos enquanto o nosso Engenheiro ligava a retro-escavadora. Os EUA de Clinton em período de crescimento apresentaram sucessivamente saldos positivos. Em período de abrandamento muitas das receitas desapareceram e os cortes de impostos têm-se sucedido e acompanhado as descidas das taxas de juro. A dificuldade que o Rui diz que a Manuela Ferreira Leite está a passar, tem sobretudo a ver com um conjunto de gastos que o Estado realiza que são ineficientes, não reprodutivos e, nalguns casos, num conjunto de áreas em que existem um conjunto de privados portugueses ou estrangeiros em perfeita posição para se subsituirem ao Estado com ganho para todos. Por fim, o Desesperada Esperança viu-me entrar no bar com uma gravata vermelha e pensou que eu era Lenine. Quando falei no défice não falei de investimento público, como agora o Bruno já terá dado conta se entretanto tiver lido os restantes posts. Défice é défice. Keynes é Keynes. O défice pode existir com zero investimento público, com zero subsídios às empresas, sem a absoluta criação de novas dependências. Pode ser o resultado de uma conjuntura económica sem que o Estado tenha decretado o que quer que seja de novo.
Um De Direitista que não faz um post há mais de uma semana por excesso de trabalho envia-me um e-mail com um excerto de um texto da Bomba-Inteligente.
Como zelador deste Blogue respondo: «Excesso de trabalho, deadlines, stress, mas com tempo para ler a Bomba?». Ao que recebo a seguinte resposta: «Leio sempre a Bomba. Faz-me bem à cabeça»
O HardBlog (cada referência é paga com um martini) está de volta a tentar reentrar, e diz:
"Amores de Verão que já lá vão, ou já lá não estão..." Meu caro amigo, podemos já não estar a viver os gloriosos tempos do Gymnaestrada, mas o centro da metrópole continua um target rich environment. Wednesday, September 03, 2003
Nota: Os posts em atraso não se referem directamente ao caso Português. Qualquer aproveitamento propagandístico nesse sentido é da exclusiva responsabilidade de quem o realizar. Está dito.
Post 4
O João Miranda diz: 1. "Por outro lado, quando o deficit do estado terá que ser pago um dia. Os deficits elevados causam custos a médio prazo. Se o estado aumenta agora o deficit, terá que aumentar os impostos ou reduzir as despesas mais tarde. Esta política acaba por se reflectir em crescimentos mais lentos a médio prazo." Se o argumento é esse, e nos esquecermos da bondade ou não do investimento, o argumento não é correcto e é uma má medida de gestão. Se há algo que faz todo o sentido é o recurso ao crédito. Aumentando o custo total mas distribuido pelo tempo e futuras receitas o pagamento da dívida. É este o comportamento das famílias e das empresas. Torna possível um desenvolvimento impossível por "fundos próprios". Os custos do crédito são inferiores às futuras receitas que ele propicia. 2. "Quando a economia está em recessão, o estado injecta dinheiro na economia " O João não leu os artigos e citou a mais controversa das hipóteses. E este é o aspecto mais importante da discussão: A natureza do défice. Quando uma economia entra em recessão, existe uma quebra nas receitas do Estado por via de uma menor colecta de impostos sobre lucros, consumo, transações, etc. Pode o Estado gastar exactamente o mesmo que no ano X-1, e apresentar um défice orçamental sem ter "injectado" mais um centavo que seja na economia em relação ao ano anterior. O que o The Economist fala e eu subscrevo, é qual a atitude a ter nesse momento. Num momento de recessão, qual a racionalidade de um Estado aumentar os impostos para equilibrar o Défice se o mesmo Estado tem capacidade de endividamento? Aumentar os impostos é agravar as condições que o mercado tem para reagir, para inovar, para voltar a crescer. 3. "As falências de empresas, os despedimentos e a queda da taxa de lucro são uma consequência das más decisões que causaram a crise. As medidas keynesianas impedem que esses sintomas se manifestem. Ao impedirem os sintomas, as medidas keynesianas impedem o mercado de se auto-corrigir perpetuando os comportamentos que geraram a crise. A doença continua lá, mas podemos fingir que não está." Uma vez mais é essencial debater a natureza da crise. É ela criada por um sector económico obsoleto? E se for por uma crise energética? Ou por mudanças nas Leis do Comércio Internacional? Qual a lógica do Estado agravar as condições de competitividade e investimento das empresas, limitar a sua capacidade de reacção? . O que aqui pretendi foi quebrar o manicaísmo na análise do défice orçamental. Até podia defender um choque fiscal, que no curto prazo se traduz no agravamento do défice sem "injectar" um tostão em investimento público. Mas aquilo que defendo é o não agravamento das condições de competitividade que o Estado propicia através dos seus instrumentos num momento que já é de recessão. E nisto estamos em acordo ou em desacordo? Tuesday, September 02, 2003
Post 3
Isto está da seguinte forma: (Excertos retirados do The Economist) SUPPOSE that the governments of rich countries had announced in 2000 that they planned to go on a borrowing binge, and turn their combined balanced budget into a deficit of more than 4% of GDP by 2003. The bond markets would have freaked out. Yet that is what governments have done. The ratio of rich-country government debt to GDP is likely to reach a record 80% by the end of this year, almost twice as large as in 1980. Earlier this year the OECD estimated a combined budget deficit in rich countries of 3.6% of GDP in 2003. But slower-than-expected growth in many economies, along with additional easing of fiscal policy, means that the deficit could now reach 4-4.5%.That would still be less than the post-second-world-war peak of 5.2% in 1993. But emerging-market governments have also been borrowing more. In Asia outside Japan, budgets were close to balance in the early 1990s; now they add up to a combined deficit of 3% of GDP. As a result, global government borrowing may be approaching record levels. America is the chief culprit. In 2000 it had a general-government budget surplus (including state and local governments) of 1.4% of GDP. This year the IMF reckons that its deficit could reach 6% of GDP. Some of that reflects the economic slowdown, which reduces tax revenues and increases benefits. But most of it is due to the biggest fiscal stimulus for decades—with tax cuts and higher spending equivalent to 5% of GDP over three years. In contrast, the euro area's structural budget deficit has been more or less unchanged over the same period. The swing in its headline budget position, from broad balance in 2000 to a deficit approaching 3% of GDP this year, is the result of the region's sluggish growth. Automatic stabilisers (falls in tax revenues and rises in benefit payments) have been allowed to operate, but nothing more. Indeed, some governments—notably Germany and Italy, which are both in recession—have been forced to tighten fiscal policy. Despite this, Germany's deficit could reach 4% of GDP this year, breaching the 3% ceiling under Europe's stability pact for a second year. The European Commission warned Germany this week that it could face sanctions unless it reduces its deficit in 2004. Unlike the euro area, Britain has seen a big easing of fiscal policy, turning a surplus of 3.9% of GDP in 2000 into a deficit of almost 3% of GDP this year. That is dwarfed by Japan's deficit of 8% of GDP, but Japan's rapidly mounting public-sector debt actually conceals a modest tightening in its structural budget balance, ie, after adjusting for the cycle, since 2000. In its latest Economic Outlook, the OECD paints a grim picture of future fiscal positions. Assuming that annual GDP growth averages almost 3% and that underlying fiscal policies are broadly unchanged, the average budget deficit of OECD countries will still be 2.6% of GDP in 2008, and the ratio of public debt to GDP will rise to 86%. The underlying fiscal situation is even worse since these numbers ignore future pension liabilities as populations age. Some economists argue that governments should now be running budget surpluses to reduce debt and the need for future tax rises. The OECD concludes that rich economies have little scope for further fiscal stimulus besides the automatic stabilisers. In some cases, it says, future fiscal problems are so severe that governments need to start tightening now. DON'T PANIC: A recent analysis by UBS suggests that the OECD's concerns may be overdone. The main reason to worry about government borrowing is that it could push up long-term interest rates, crowd out private-sector investment and hamper growth. But with the exception of Japan, public-sector debt is hardly spiralling out of control. The OECD's forecasts suggest that in 2008 the debt-to-GDP ratios in America and the euro area will still be below their peaks in the 1990s. Moreover, while there is some economic slack, borrowing by firms remains weak and monetary policy is loose, there is scant risk that rising interest rates will crowd out the private sector. Bond yields have risen, but they are still much lower than a few years ago. The main reason why total OECD government debt is rising so fast is Japan, where debt is already 156% of GDP and heading for nearly 200% by 2008. So should Japan's government immediately slash public spending and raise taxes? Not until its economy looks stronger—its ratio of debt to GDP has been soaring partly because its nominal GDP has been shrinking. Japan's public-debt problem may be less severe than it looks. Around 60% of it is held by the Bank of Japan or other public-sector institutions. It is therefore not really “debt”: bonds purchased by the central bank rather than the private sector imply no net increase in public-sector debt service and hence no need for future tax increases. Ben Bernanke, a governor at America's Federal Reserve, has argued that, to kick-start Japan's economy, tax cuts should be financed directly by the Bank of Japan. If such a fiscal boost increased nominal GDP while debt in private hands was unchanged, this would reduce the debt ratio. Rising nominal GDP would also boost tax revenues and trim the deficit. Has America's recent budgetary binge been imprudent? Bill Dudley, an economist at Goldman Sachs, argues that a big increase in America's budget deficit was inevitable after the bursting of its bubble. To understand why, one needs to focus on an accounting relationship: by definition, the sum of net private-sector saving (saving less investment) and public-sector saving (the budget balance) must be equal to a country's current-account balance. In 2000 the private sector had a net financial deficit of 5% of GDP, while the public sector had a surplus of 2%. Together they were equal to the current-account deficit of 3% of GDP. The private-sector deficit was unsustainable and has shrunk to 1% of GDP. But thanks to an overvalued dollar and sluggish growth abroad, America's current-account deficit has widened to 5% of GDP. So to satisfy the accounting rule, all the adjustment in the private-sector deficit had to be accommodated by a rise in the budget deficit. Without tax cuts the economy would have been weaker (and the current-account deficit smaller). To allow the decline in the private-sector deficit, the budget deficit would still have had to widen sharply—through a deeper recession eroding tax revenues. A better criticism of the Bush administration's tax cuts is their composition. The equivalent stimulus could have been achieved at a much lower budgetary cost, both near and long term, by focusing tax cuts on lower-income households who are more likely to spend their gains. The recent increase in government borrowing may not be cause to panic in the short term so long as private-sector demand is weak. Indeed, there is a strong case for Germany to loosen its fiscal policy. But the biggest test will come when economies recover. Continued heavy borrowing could then start to push up interest rates and harm private investment. That is when governments must act swiftly to tighten their belts. But not yet.
Post 2
O The Economist argumenta (excertos): The jump in borrowing partly reflects the economic slowdown, which has caused tax revenues to dwindle and welfare benefits to swell. But some countries, notably the United States and Britain, have also had a large stimulus from tax cuts and spending increases. As a result, the ratio of public-sector debt to GDP, which had been falling in the second half of the 1990s, is now climbing in many countries. There are three reasons why rampant government borrowing might be a cause for concern—but none is very convincing right now 1. One is that bigger deficits push up interest rates, crowding out private investment and curbing growth. That is true in the long run, but not when economies have a huge amount of slack and firms have little desire to borrow 2. A second worry is that governments may be tempted to create inflation to erode the real burden of debt. Today, inflation is, if anything, too low in some countries, so that too is hardly a pressing concern. 3. And third, some argue that a fiscal stimulus is a waste of money: it will not boost demand, because as public debt mounts households expect taxes to rise, so they save more and neutralise the stimulus. Yet Japan's experience suggests otherwise: even as its government debt has soared over the past decade, household saving has fallen sharply. Whether a budget deficit is good or bad may depend more upon what shape tax cuts or spending increases take America's recent tax cuts are in theory the right medicine to support its economy, but they have failed to give maximum stimulus per dollar of revenue lost, so they will increase the long-term budgetary costs. Tax cuts aimed at low earners are more likely to be spent than handouts to the rich, for they save more. There is nothing wrong with a budget deficit in recession so long as governments move into surplus in the next boom. But raising taxes when an economy is still weak—as some are urging on both Japan and Germany—is suicidal. The Japanese government prematurely raised taxes in 1997: it helped to push the economy back into recession. Europe's stability pact is far too rigid in demanding deficit cuts now. However, the euro area has less room to ease fiscal policy than America, because America went into this downturn with a structural budget surplus; the euro area's was already in deficit The real lesson is that governments should have been more prudent during the boom and run bigger budget surpluses. Governments did tighten their belts in the 1990s, but less than they should have done.
Rápido que tenho de continuar a trabalhar
Post I As considerações generalistas que o João Miranda tece servem uma discussão em que eu não sirvo como opositor. Vamos por partes: Fundamentalismo: "Aceitação e defesa de um conjunto de princípios de natureza religiosa tradicionais e ortodoxos tidos por verdades fundamentais e indispensáveis a uma consciência religiosa (individual ou colectiva)." Das duas uma, ou a palavra faz sentido ou não. A extrapolação deste conceito para outras áreas é uso corrente, recorde-se o momento em que Wim Duisenberg tomou posse como Presidente do Banco Central Europeu. Nas caixinhas de perfil que foram publicadas na imprensa económica europeia, a quase totalidade citava a sua "alcunha" académica: "O Ayatollah do Monetarismo", claramente referindo-se à sua faceta "Fundamentalista". Podíamos discutir em termos gerais, mas no caso concreto que citei considero que existe uma corrente académica que ainda hoje se deixa envolver emocionalmente na disputa Keynesianos vs Monetaristas, bloqueando um conjunto de conceitos em que ambas as correntes podem perfeitamente convergir. Disputa essa que diabolizou alguns conceitos e extremou posições. A palavra défice é um exemplo clássico. Nessa corrente académica, proferir a palavra "défice" é semelhante a elogiar Satanás num Colégio Opus Dei. Défice = Keynes = Mau. "Verdade Fundamental e Indispensável". Negam-se a ouvir. Não querem saber. A "Verdade" existe para além de todas as circunstâncias e não lhes ocorre que porventura as circunstâncias são infinitas e como tal existem em maior número do que aquelas que conseguiram modelar. Como tal ouvir é sempre uma boa ideia. O meu elogio ao The Economist surge pelo facto de uma revista tendencialmente não-Keynesiana olhar os factos sem ódios nem preconceitos e ter produzido dois textos que me parecem analisar muito bem a realidade económica e orçamental que estamos a viver nos países ricos. No próximo post explico porquê. Por último o João pergunta "Porque é que uns são chamados de fundamentalistas e os outros não?" É que o tempo é um recurso escasso e no momento decidi escrever apenas sobre um dos lados.
De regresso as linhas que nos orientam os fios do pensamento. E numa breve passagem pelos reptos que questionaram a menor participação do De Direita, no panorama ácido-crítico da Blogosfera, manifesto uma vénia ao Manuel pela tenacidade em manter a fleuma deste Blog e a satisfação pelas inteligentes abordagens do André Mendes às quezilentas manifestações de expressão transcendental que prolongam a segregação encefálica deste nosso País. É inegável que variados condicionantes de uma Doutrina Católica velha, pesada e gasta, continuam a afundar no ruralismo, a parca auto-estima do cidadão nacional. Este País necessita de pessoas que acreditem no Eu, que reneguem a justificação esotérica dos seus próprios actos, que assumam, de uma vez por todas, que são responsáveis por si e pelo que directa e indirectamente, imputam aos que os rodeia. Deixemos o Outro, pensemos, verdadeiramente, em nós e nos próximos.
Este Verão, para surpresa dos que ainda acreditam, foi surpreendente. A cidade voltou a ficar entregue às aves que deterioram o património, os eléctricos recuperaram a expressão lírica perdida, os turistas que de assalto Lisboa tomaram, ficam novamente com a ideia de que esta é uma capital onde ainda se respira o equilíbrio que, também eles, perderam. Não obstante o clima económico em que vivemos, todos voltámos às férias. Até Durão Barroso, exemplo de tenacidade e de valores convictos, se afundou nas raízes Mediterrâneas, e abordou os condicionantes normais da essência humana. Existem, no entanto, conjunturas, que tal como a designação determina, são momentos de características fortemente tipificadas e que se mantém durante tempo limitado. É nesta existência de momentos, que os Portugueses falham. O vizinho do 4º andar pediu um empréstimo ao banco e foi passar uns dias de (merecido?) descanso, num resort magnífico, com condições de mergulho ímpares, um verdadeiro paraíso, que só ele conhece. O do 2º acabou de ser despejado, não sem antes ter entrado em processo de litígio com o proprietário, o que lhe permitiu residência gratuita durante longos meses. Um dos vizinhos do lado encontrou, no Brasil, o eldorado, e promete voltar e construir uma pensão à beira mar com uma plantação de mangas, porque lá, sim, lá, a vida é vivida como todos a deveriam viver. Pois eu, ao contrário do que o silêncio das palavras que ecoam na tangibilidade da imaginação pode, em erro, induzir, tive apenas repartidas e escassas, mas vividas, férias. Fiel aos "1001 projectos empresariais", usufruí apenas de quatro dias no Algarve, passeando a libido pela Festa Branca no Clube do Castelo, um equívoco forçado, que me traz à memória o notável psicólogo Remy Chauvin e o seu livro "dos Animais e dos Homens". Outros quatro dias, no intenso e já não tão hippie Sudoeste Alentejano. Serão estes, motivos de futuras dissertações. No Presente, e na essência, tudo está na mesma. Os Portugueses continuam Portugueses, o desastrado Ferro continua a expressar a sua titânica inabilidade política e ate já a Esvaziada Esquerda acredita que ele está no bom caminho. O Mário é o único, dentro do próprio partido, que percebe o Estado deplorável ao qual o PS chegou e, como nunca teve jeito para fazer kits de modelismo e como está farto das suas Fundações e da sua Europa, prepara com maquiavélica arte o mais hilariante momento de 2005. Os incêndios são motivos de directos esvaziados de humanismo e recheados de oportunismo, o clamor do povo, neste novo modelo de sociedade Orwelliana, continua a desviar as atenções do que é essencial. O Euro2004 entrou de férias, a America's Cup já é assumidamente nossa e tudo se irá resolver com naturalidade, a mesma, com que enfrentamos a conjuntura neste nosso Portugal de tendências erráticas... A Lua, essa, está lá sempre, mas por vezes é preferível ignorá-la.
A Irracionalidade dos Agentes Económicos
A suprema prova da irracionalidade dos agentes económicos mais informados reside na propaganda esquerdista que Belmiro de Azevedo todos os dias paga no jornal "O Público". Um mistério insondável que nunca consegui desvendar. "Só o comunismo fora da órbita do Estado pode romper com a racionalidade instrumental das várias culturas políticas, com a racionalidade que se coloca no olho da nação e se desliga das diferentes formas ver o mundo e a vida, não tomando a multidão como um sujeito múltiplo, mas homogeneizando-a num conceito esvaziado de poder próprio - o povo, o país, a nação. Por isto, para os comunistas, a única opção de poder é a de um comunismo mais movimentista do que nunca. "
Mais Blogues:
Reparamos a injustiça que as férias obrigaram e citamos mais "novos" Blogues: Leopardo das Estepes Um Bom selvagem que escreve na Tasca da Cultura Independente e Anónimo E uma Rata Maluka Monday, September 01, 2003
Economia para principiantes
O The Economist descreve de forma simples, natural e descomplexada porque é que um défice não é assustador em períodos de recessão, antes pelo contrário pode ser uma óptima medida. Algo que me parece só poder ser negado por fundamentalismo de uma determinada corrente académica que vê em John Keynes a suprema encarnação do Mal e ao qual associam tudo quanto tenha a ver com a palavra "Défice". Dicing with debt Budget deficits are fine in bad times?as long as they are cut in good times Budget Deficits are OK. The rising tide of red ink Governments have resumed their profligate habits |
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