De Direita
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Monday, June 30, 2003
Reflexões sobre a Bloguesfera V:
Este fim de semana a CP oferecia no Alfa uma entrevista de Maria João Avillez a Diogo Freitas do Amaral. Domingo à noite a mesma jornalista entrevistava João Salgueiro. Dizia hoje ao Tiago que tenho a estranha sensação que a Maria João entrevista as mesmas talvez 40 pessoas há uns 20 anos. Uma espécie de Big Brother político contínuo. Uma passagem pela imprensa escrita e a sensação é a mesma. Conheço aquelas caras há 10, 15 anos. Conheço a essência do seu pensamento. Alguns dizem o mesmo sobre as mesmas coisas desde que os comecei a ler. Outros continuam pessoas lúcidas e válidas. A capacidade de inovação e mudança nos discursos e/ou actores é muito inferior aquilo que é saudável e que se assiste noutros países mais desenvolvidos. A Bloguesfera foi uma agradável surpresa. Tantas e interessantes pessoas de uma só vez. Uma nova geração letrada com capacidade para discutir uma agenda diferente. Depois da imprensa estrangeira, a Bloguesfera foi uma das maiores lufadas de ar fresco no meu dia a dia. Posso novamente ler com regularidade em português.
Reflexões sobre a Bloguesfera IV:
Porque obscura razão a generalidade dos media portugueses tradicionalmente criticados por imediatismo, fulanização, superficialidade, amiguismo, capacidade para ver tudo menos o essencial, etc., chegariam à Bloguesfera e lançariam uma visão profunda e acertada sobre o fenómeno? Se por exercício de raciocínio apagássemos o Abrupto ou o Aviz, o que mudaria na essência da Bloguesfera? E qual seria o interesse dos media na Bloguesfera nesse cenário? À excepção de dois artigos no Diário Económico em que fomos citados, sobre os quais escrevemos um post de agradecimento à Carlotta e uma crítica ao colunista Mário Melo e Rocha, o nosso critério tem sido o de seguir um silêncio olímpico sobre os artigos que vão sendo escritos. Gosto do Abrupto e do Aviz, este universo virtual tornou-se ainda mais interessante com a sua chegada. A sua eliminação acima ensaiada é apenas um exercício de raciocínio.
O Cosmopólis não correu bem...
Confesso que, para iniciar a tal transformação dos conceitos tão intínsecamente sedimentados, na classificação político-cultural deste País, não me sai muito bem. Mas espero que este deslize não diminua a minha capacidade de proposta. Aos que confiam, acreditem...e fica já aqui a próxima: Lux, esta Quinta-Feira - METRO AREA
O João M. envia-nos mais um Post. Um tributo às nossas visões clubísticas, bem presentes no Bola Verde.
Obrigado João, Um tributo aos ‘leões’ deDireita. Adeus Alvalade Sou adepto do FCP. Sempre fui, desde que me conheço. Não sei porquê. Não tenho ligações ao norte. Não tenho familiares que partilhem desta minha preferência. Acho que quando percebi que existia um desporto chamado futebol, que era rei, também eu devia escolher um clube com o qual me sentisse representado. Como nunca gostei de me diluir na multidão ou defender teorias inquestionáveis, e sempre tive tendência para conquistar através do esforço e glória, não achei por bem ser benfiquista. Sendo a militância predominante na altura. Assim, aliando o meu gosto pela cor azul, a vontade de sofrer por um lugar cimeiro no pódio e poder rebater opiniões, escolhi o FCP como torcida. Ser tripeiro em Lisboa é algo difícil de gerir. Acho que tive sempre a sorte de ser ‘o miúdo’ do bairro, senão não me escapava dumas coças valentes. Como qualquer miúdo, não poder sentir o vibrar dos seus ídolos (a não ser em cromos e pela televisão), é algo angustiante. Ir às Antas sozinho estava fora de questão. Os amigos eram todos, ora do Sporting, ora do Benfica. Um dia o repto surgiu: - És miúdo... eles deixam-te entrar comigo! – diz-me um amigo da Juventude Leonina. - Óptimo! – pensava eu... Foi o primeiro contacto com um estádio de futebol ‘dos grandes’. Sporting vs. FCP (já o Porto era um símbolo na Europa) em Alvalade. Fui para a bancada da, na altura, pior (num enquadramento futebolista) claque de futebol em Portugal. Estive a conter-me o jogo todo, principalmente quando havia uma aproximação do ataque do FCP à baliza do Sporting. Azar o meu, o Porto perdeu nos últimos minutos por uma bola a zero. Fui ‘obrigado’ a celebrar... Foi a primeira de muitas idas ao estádio de Alvalade. Aliás, único ‘grande’ que conheço. Por razões diversas nunca fui à Luz. Se calhar, por o Benfica ser ódio de estimação. A partir dos 15 anos comecei a gostar menos de desporto e mais de boémia e talvez por isso nunca tivesse ido às Antas. Mas foi a boémia que me fez continuar ir ao estádio de Alvalade. Concertos. Nunca os houve tantos e tão bons como em Alvalade. E ontem, mais uma e pela última vez isso se confirmou. O festival GalpEnergia, dedicado à despedida do velho Alvalade, deixo-nos a todos derreados, literalmente! Porquê? - 8 (oito!) horas de música; umas bandas melhores, outras nem tanto, mas todos a contribuir para a animação; - um dia de Verão muito frio, que levou a reconsiderações de deixar o recinto e ir para ambientes mais acolhedores; - os mantimentos para a barriga eram à razão de 6 tendas de SuperBock (cada uma com 6 torneiras de imperial) para 6 carrinhos de cachorro-morno ao preço de 3 € cada 2 salsichas daquelas pequenas (metidas no pão com a mesma mão que fazia trocos). E depois queixam-se que a malta bebe muito!; - queres ir lá fora, comer, buscar lenços de papel, pôr as lentes? Só tens 10 minutos, depois disso só entras porque o porteiro te faz um favorzinho; - água muito cara para nos lembrar-mos de hidratação; - Os malfadados wc (agora só em versão feminino, já que os rapazes perderam o pudor) que geram filas que vão quase até ao palco; E ainda: artistas que não deixam a malta pôr o pé no chão. Caetano que não deixa o coração sossegar. Um Abrunhosa estridente aos saltos. Um Calú com tendências suicidas e uma deputada em trajes menores nos ombros de um marmanjo, qual teenager imberbe, são ingredientes de sobra para mais um concerto memorável como devem ser sempre os últimos. Sou adepto do FCP. Sempre fui, desde que me conheço. Na despedida ao José Alvalade, estádio de muitas glórias, não trouxe um pedaço de relva como os saudosistas, mas devia! João M.
Volto,
E da melhor forma, iniciando a semana com um belo almoço em que o de direita encontra a Voz do Deserto. De entre muito do que se discutiu e o que se descobriu que ainda irá discutir, constato que a chave está a nossa frente, naquele momento. Que é essa que justifica o tempo que muitos de nós não temos, mas que cedemos nesta dissecação colectiva de ideias. A predisposição que todos os intervenientes desta Blogosfera tem para escrever, ler ou comentar, materializando a ânsia de conhecimento. Justifica a explosão da vontade da discussão, traduz o Big-Bang da palavra crítica que verificámos neste últimos meses. Os "ilustres desconhecidos" como concordávamos com o Tiago, são aqueles que arriscam a exposição de si próprios, das suas ideias, das suas crenças, ignorando quaisquer inseguranças na tomada de posições, vencendo o conservadorismo ainda presente na imprensa Portuguesa, constituindo uma nova geração de "opinion-makers", com o mérito de o fazer sem interesses materiais, sem linha editoriais presas por razões externas à consciência individual. É claro que nem todos os Blogs cabem neste modus vivendi. Parece-me pacífico aceitar que muitos o fazem como uma extensão de si mesmos, no intuito de transportar os seus compromissos com os interesses já estabelecidos. Essa constatação justifica, que o diálogo breve que tive com o Carlos Rosado, editor de Economia do Público, à entrada de uma catedral nocturna na madrugada de Domingo terminasse com a inevitável questão: "Quais são os seus interesses, publicitários ou políticos?". É natural, pois é assim que todos assumimos a acção, o empreendorismo, neste País. A Blogosfera é mais que isso. A exposição, para mim, significa a capacidade de mostrar uma visão e encontrar quem com ela concorde ou discorde, e por tal, a esteja disposto a discutir. Significa que não temos que esperar pelas opiniões já esgotadas, pela matriz ideológica sempre previsível, dos eternos intervenientes nos meios até agora disponíveis. A Blogosfera mudou esta realidade. Os "ilustres desconhecidos" tornam-se, entre eles, conhecidos. Já valeu a pena.
Blogs - análise de mercado
O desenvolvimento destas novas formas de comunicação coloca desafios novos à imprensa jornalística, dos quais ressalto, a erosão (relativa) do valor das marcas na construção da opinião pública e da lealdade dos leitores, a canibalização das ideias a retalho vendidas pela imprensa corporativa ou a competição pela notícia-novidade. A construção de barreiras à entrada deixou de ser uma estratégia segura num ambiente concorrencial no qual a rapidez e o esforço para adquirir mind-share no mercado são determinantes fulcrais. A questão dos nichos apresenta aqui toda a sua pertinência. O serviço disponibilizado por um blog está muitas vezes acessível com a menor fricção possível em comparação com a concorrência, para além de serem demasiadas vezes mais competitivos em qualidade e preço. Os seus autores utilizam a internet como instrumento de fornecimento do «imediato», ou seja, a oferta está disponível quando os internautas (o seu público) dela necessitam, independentemente do local ou da hora em que se situem, independentemente da rigidez política editorial ou do timing de publicação da imprensa em papel. De entre as vertentes mais características desta «nova imprensa no imediato», saliento: Simplicidade - descarga/download rápida, navegação intuitiva, edição automática; Interactividade - diálogo aberto com o leitor, solicitação constante de feedback, mecanismos de fidelização a temas e grupos de interesses; Conectividade - fomento de comunidades de interesse entre utilizadores; partilha de informação e conhecimentos; Personalização - possibilidade de personalização por parte do utilizador, participação dos leitores nas especificação dos posts e na agenda dos assuntos em debate; «Benchmarking» - possibilidade de comparações sérias e extensas com a concorrência em papel e com os outros blogs. ; A blogoesfera constitui, a meu ver, um conjunto de mecanismos e tecnologias, que, capitalizando sobre os benefícios da Internet, transforma os antigos «canais de valor» da imprensa escrita e os canais de distribuição físicos e informacionais, acelerando as «transacções» e estabelecendo contacto mediático (opinativo) directo entre oferta e procura em condições de mercado nunca antes verificadas. Os melhores artigos de opinião, que tenho lido nos últimos dias, vieram em grande parte da blogoesfera. A prova disso é que a própria discussão sobre a blogoesfera, em si mesma, teve os melhores ensaios em blogs estrangeiros e nacionais e não tanto na velha imprensa escrita. O que em parte é prova de que o meio não é tão umbiguista quanto alguns o suporiam ser. a blogoesfera vai bem e aconselha-se. Ip ip, Hurrey!!!
Correspodência sã.
Continuando a discussão do licenciamento em Arquitectura, o Luís Neves escreve-nos dizendo: "Continuando então... Sim... concordo consigo... o direito de cada um projectar a sua própria casa... porque não o salvaguardar? Estamos contudo a restringirmo-nos ao domínio da "casa própria"... da moradia unifamiliar, não é? Repare: este é o domínio dos desenhadores neste País: dos desenhadores que beneficiam da assinatura de favor do engenheiro civil. O nosso arquitecto autodidacta também vai dispensar os serviços do desenhador, a assinatura do engenheiro-civil? Esta assinatura é mesmo e tão só uma assinatura... nada mais! Imagine o negócio que o Estado está a proporcionar aos engenheiros civis... o que eles ganham só por uma assinatura... Devo-lhe dizer que a maioria das pessoas, mesmo possuindo formação académica de nível superior têm uma enorme dificuldade não só em desenhar, mas também em "ler" um desenho. Quero-lhe com isto dizer que não me parece que existam muitas pessoas que, propondo-se projectar a sua "casa própria" pudessem dispensar o desenhador... Agora... repare! O que se deseja é que o desenhador tenha uma formação de nível universitário... que seja um arquitecto! Já lhe ressalvei que acharia conveniente que se atribuísse o título de arquitecto a quem, não tendo feito a sua formação numa escola de Arquitectura se tenha mostrado na profissão digno dele... Possivelmente você sente com os arquitectos o mesmo que eu sinto com os advogados... uma grande frustação... há casos em que eu penso seriamente que faria melhor do que eles...há maus advogados... simplificando... por vezes enganei-me... não estavam a fazer o seu trabalho tão mal como me parecia... e não estou livre de me voltar a enganar... Agora... repare! Decerto não vai reparar... mas eu gostaria que reparasse... há desenhadores que tem acesso ao mercado e são francamente maus... faz-se muita coisa francamente má... repare... Será difícil a alguém que quer fazer a sua casa encontrar o seu arquitecto com quem a possa projectar? Rectifico uma anterior afirmação minha: a qualidade da Arquitectura não depende só da qualificação da autoria, mas tambem da qualidade da encomenda (ou do encomendador). Também eu me desagrado com muita coisa feita por colegas meus... se possível desculpo-os com a encomenda, a execução... há responsabilidades que só abusivamente são imputadas ao autor da obra... o mercado está difícil e não se podem recusar trabalhos... E desagrado-me com a muita presunção sobre a Arquitectura: não é fácil e está difícil... Quanto aos 100%: garanto-lhe que existe neste País pelo menos uma câmara municipal onde os projectos de arquitectura de obras particulares submetidos a licenciamento ou autorização não são informados por arquitecto. E... mais uma vez... os arquitectos não deferem, não despacham, não decidem... informam o decisor: o presidente da câmara, o vereador com o pelouro do urbanismo! Dão informações, dão pareceres... não vinculativos! Fundados em leis em regulamentos que não aprovaram... Os pareceres do IPPAR são vinculativos... ainda bem que são! Podemo-los discutir. Seria interessante que você expusesse o seu caso aqui com desenhos e fotografias... Mas eu repito: ainda bem que são! Peço-lhe: vá a Freixo-de-Espada-à-Cinta, uma vila que foi descrita como a vila mais manuelina de Portugal... Deixe-me exagerar... há discursos assassinos, criminosos, e o seu (e não só seu, claro!) é responsável pela barbárie que se abateu sobre aquela vila num ápice de tempo quando todos nós andavamos a ser entretidos com a descoberta das gravuras do Côa que fica mesmo ali ao lado... vá lá ver e perceberá o que eu quero dizer..." Conheço bem Freixo-de-Espada-à-Cinta, apesar de não ter voltado lá desde há uns bons 7 ou 8 anos. Luís, repara que referi que sou a favor de, sem fundamentalismos, definir áreas em que a intervenção deve ser cuidada. Não tenho nada contra a definição de áreas protegidas. Não vejo onde é que o meu discurso possa ser "assassino" quando aplicado ao exemplo que citas. O que eu não entendo é a tendência para a desculpabilização contínua de uma classe. Os "assassinatos" feitos em caixotes ao alto de Queluz ou Amadora têm a assinatura de quem? (não digo que esta seja a tua opinião) Eu não tenho qualquer tipo de proteccionismo em relação aos meus colegas de profissão. A sua formação académica - nalguns casos traduzida em quatro anos de mulheres, copos, king e umas noitadas antes dos exames - não os eleva acima da crítica nem lhes confere qualquer competência por decreto. Saltamos todos para o mercado e alguns são bons profissionais, outros não. Um conhecido Professor de Gestão da nossa praça colocou 2.5 milhões de euros (na altura 500 mil contos e não me lembro de quanto em ECU's) nas mãos de um aluno e colega meu de faculdade com 19 aninhos para este aplicar no mercado de capitais. Quanto aos resultados posso dizer que foram brilhantes. Outros colegas teenagers entretinham-se a ganhar as simulações bolsistas que várias entidades organizavam. Limitavam-se a ter boas taxas de rentabilidade durante toda a simulação para, nos últimos segundos de negociação no mercado contínuo, lançarem ordens reais na BVL para alterarem o valor das cotações no mercado real e assim ultra-valorizarem o seu portfolio na simulação. Como vês, a genialidade ou a esperteza saloia não têm idade nem diploma. Considero que barreiras fortes à entrada nas profissões são geradoras de ineficácia. Prejudicam a performance e a mobilidade a troco de status. Admito excepções em áreas onde os resultados das decisões sejam dramáticos e irreversíveis, como é o caso da medicina. Quanto ao resto, se não se importam, é caso para pedir licença para laissez faire se faz favor.
Umbiguismo político
É engraçado como alguma da esquerda blogo-partidária procura, com um certo tom frenético-eleitoral, realizar, através dos seus “inerentes” contactos nos media, o apanágio exuberante dos seus blogs partidários. Tss, tss, ....... É assim que se criam os falsos opinion maker portugueses.
A manhã de hoje é passada em negociações com a Administração Pública.
Se tivesse algum tipo de fé diria "God grant me patience..." O Tiago não poderia ter escolhido melhor dia para marcar um almoço. Saturday, June 28, 2003
Reflexões sobre a Bloguesfera III:
O De Direita concebeu um novo projecto que está ainda numa fase inicial, e desenvolve-se dentro do PPD-PSD. É um projecto interno que terá uma visibilidade externa desejada igual a zero. Irá ocupar um tempo que já é escasso em todos nós. Seguramente até depois do Verão não surgirão mudanças, mas lá para Outubro teremos de repensar a sério o nosso Blogue. Sem excluir opções. E independentemente do número de pessoas que nos visitam, que é saudavelmente crescente; perto de quebrar a "barreira psicológica" das 300 visitas/dia. (to be continued)
Reflexões sobre a Bloguesfera II:
O modelo Bola Verde é o paradigma de futuro imediato na Bloguesfera em Portugal para muitos de nós. O primeiro Blogue Colectivo em Portugal, alimenta-se dos posts de: Fumaças De Direita / De Esquerda Pais Relativo Espigas Jaquinzinhos Epicurtas O Direito de Sonhar A Bloguesfera tem em si potencial para desenvolver novos e mais aliciantes projectos. A Coluna Infame não lançou uma Spectator por não ser uma prioridade para eles. As condições estavam criadas. O Valete perdeu os planos de Blogues Colectivos num qualquer aeroporto europeu. Uma FrontPage Mag não está já no forno por falta de vontade. A vontade e a capacidade de criar novas realidades e abandonar as existentes realiza-se em Portugal a passo de caracol. É pena. Sobretudo quando pensamos nos achievements de muitos que são bastante mais jovens do que a maioria dos autores de Blogues em Portugal. Basta dar uma saltada, por exemplo, ao website dos Young Republicans e seguir os links.
Reflexões sobre a Bloguesfera I:
O meu maior interesse nos Blogues é aceder a opiniões de pessoas interessantes com ideias sobre temas que gosto de ouvir e discutir. O "aceder" é a palavra chave, porque antes dos Blogues não tinha acesso às opiniões daqueles que agora leio com interesse. A leitura de Blogues de pessoas que possuem outros canais de comunicação para se fazerem ouvir, constitui para mim um ganho marginal pequeno (atenção à palavra ganho). Quando o mesmo interlocutor tem vários canais de comunicação, tendo a escolher aquele em que investindo menos do meu tempo consigo aceder ao essencial do seu pensamento. Elimino os restantes canais.
Carlos Queiroz e o Real Madrid
A chamada "Geração de Ouro" era constituída por duas realidades distintas: os jogadores e os técnicos. Se por um lado surgiram um conjunto de jogadores fabulosos que rapidamente saltaram para as melhores equipas europeias, os portugueses olhavam também com admiração e esperança para a equipa técnica que os formou e treinava. Técnicos da Federação Portuguesa de Futebol, como Queiroz, Costa ou Rui Caçador. A ida de Queiroz para treinador principal do Real Madrid e a possibilidade de sucesso neste, dará à equipa técnica dessa mesma "Geração de Ouro" a verdadeira consagração que até agora não tinha verdadeiramente alcançado. Aguardamos com interesse e vontade que assim seja.
Rafael,
Estourar dinheiro dos contribuintes é mesmo isso. Estourar. Se a Casa da Música tivesse uma gestão rigorosa, em vez de ter custado o dobro, poderíamos ter construído duas em vez de uma. Ou várias outras mais pequenas por diferentes cidades do país. Ou ter resolvido os problemas de saúde a muita gente. Ou de educação. As opções são várias e os exemplos citados são-o ao acaso. Os critérios de exigência nada têm a ver com o optimismo ou pessimismo. Não viste uma linha minha a favor ou contra a Casa da Música ou acerca dos exemplos que citas daquilo que é importante para Portugal. Quem ocupa os últimos lugares tem de correr o dobro, e isso implica uma afectação eficiente de recursos. Se nós gastamos 2x mais do que aquilo que precisávamos para ter uma obra X, vamos ter que trabalhar 2x mais tempo para conseguir construir a próxima (produtividade constante). Assim nunca mais lá chegamos. A tradição é este despesismo terceiro-mundista e quem pensa assim é responsável pelo nosso atraso. Friday, June 27, 2003
Interessante e real a opinião do Manuel, no que respeita à irritante tendência de apropriação cultural por parte da Esquerda. Reforço o papel dos Agentes Culturais. E acrescento, que se tal acontece, também é resultante de um profundo demérito da nossa Direita. Que peca pela ausência, na opinião, na proposta, na crítica. E que, em não raros casos, permite-se a potenciar essa situação, considerando essa vocação natural, que é a capacidade de ver e ouvir arte, convencional ou não, como o seu legado pós-25 de Abril.
Os que me acompanham nessas diatribes, são de Esquerda e de Direita. Não assumem o gosto ou a sua ausência, como uma herança ideológica. Antes, partilham. Espero encontrá-los no Cosmopólis. Bom Fim-de-Semana
Posts e E-mails de resposta ao Kg no De Esquerda
Se o Mário Melo e Rocha nós está a ler, queira visitar-nos no dito Blogue e assistir à negação da sua teoria sobre a natureza dos Blogues. Será que muitas pessoas ainda não perceberam que os Blogues se leem no mesmo monitor onde lemos a maioria da imprensa dita "tradicional"? O formato é irrelevante, a natureza do autor não o é.
Na continuidade do tema debatido esta semana, quente como o Sol que empurra os Alfacinhas para fora do seu domínio, deixo aqui um texto enviado por um nosso muy caro amigo e leitor.
Agradecemos. Ontem a RTP na sua missão de serviço público cada vez mais coerente, serviu a toda a audiencia um debate interessante sobre a realidade do EURO 2004 e as consequencias esperadas na economia portuguesa e na sociedade em geral. Que o EURO 2004 vai ser uma realidade todos nós sabemos,por isso a eventual discussão sobre se deviamos ter feito 10 estádios ou apenas 6 é agora pura perda de tempo e apenas serve para desviar as atenções do que é realmente interessante neste assunto. O actual governo e bem levou em frente um compromisso assumido pelo Governo portugues anterior e cessante, e mal seria se não o fizesse. Mas a primeira questão que se coloca é se de facto o tão esperado efeito-barcelona se vai realmente verificar ? Para quem nao sabe o efeito barcelona, aconteceu como consequencia de uma conjugação de esforços entre comunitat, generalitat e governo central espanhol durante 30 anos ( sim foram mesmo 30 anos ) a trabalhar com um objectivo unico que foram os jogos olimpicos de 1992. Os efeitos multiplicadores na economia local e central ainda hoje se fazem sentir por via do acréscimo de turistas e visitantes mesmo numa época em que as viagens tem sido afectadas por factores exogeneos ao proprio pais. E é exactamente aqui que reside a grande vantagem para a nossa economia. O turismo representa cerca de 10 % do PIB em valores reais e Portugal é neste momento o 16º destino turistico mais visitado do mundo, logo a realização de um evento desta natureza apenas trara vantagens para o pais ao nivel do acrescimoo de receitas de turismo e consequente efeito multiplicador gerado nos anos subsequentes ao evento, bem como na preparação de novas centralidades e acessibilidades, serviços e consequentemente emprego directo e indirecto. Dai que nao percebo onde e que se podem encontrar dificuldades em perceber isto. Se alguem duvida que o turismo e de facto a alavanca da nossa economia então aconselho vivamente uma leitura sobre as opções do plano. Para terminar , o euro 2004 será aquilo que todos os portugueses juntos e unidos quiserem que realmente seja em todos os sentidos. 25/6/2003 António Duarte
Os matutinos Europeus, em particular os Portugueses, deviam efectuar com maior frequência alguns exercícios básicos de isenção jornalística, de forma a incutirem com a qualidade possível (que não é difícil elevar dada a mediocridade actual), o vazio que ilustra o panorama informativo Português. A tendência fatalista e populista é apanágio de maior parte destes pasquins. As linhas editoriais são cada vez mais, uma ode ao ego, ao exibicionismo, à informação tendenciosa e manipulada. No outro lado do Atlântico, não encontramos situação muito diferente. A única solução que temos, meus caros, é confrontar ambas as posições e dissecá-las de acordo com a nossa racionalidade. Mas não deveria ser este o papel dos jornalistas? Estes, são cada vez mais raros.
Dou uma ajuda: Friday, June 27, 2003 Posted: 6:27 AM EDT (1027 GMT) (CNN) -- The CIA has in its hands the critical parts of a key piece of Iraqi nuclear technology -- parts needed to develop a bomb program -- that were dug up in a back yard in Baghdad, CNN has learned. Thursday, June 26, 2003
O aço. A força. O poder. O conhecimento.
“O grande incêndio da Biblioteca de Alexandria ocorreu em 642, sob as ordens do general árabe Amrou Ibn Al-As, que conquistou o Egipto e fez a célebre pergunta ao Califa Omar: - Que fazer com tantos livros? O resposta ao dilema de Omar ficou tristemente célebre: “se todos os livros são conformes ao Alcorão, são inúteis e têm de ser destruídos; se contradizem o livro sagrado, são perigosos e também têm de o ser”. O veredicto foi claro e o resultado foi a dispersão de milhares de rolos, destinados a aquecer os banhos da cidade. E diz a lenda que houve matéria suficiente para seis anos de queima.” Sobre a história das bibliotecas, observa-se que desde o surgimento das mesmas, os homens que exercem o poder, consideraram-nas como instrumentos imprescindíveis da reconstrução e (des)construção civilizacional. O paradigma tradicional dos sistemas de conhecimento é baseado na procura de interpretações consensuais de informação assente nas normas sociais observadas. o conhecimento é um processo humano que influencia, não apenas a materialidade das realidades observadas mas, inclusive, transforma a forma como estas são questionadas, interpretadas, transformadas em ideias, em acção, em matéria e circunstância. O crescimento cumulativo do conhecimento não é proporcional ao crescimento dos seus suportes documentais nem ao maior ou menor acesso dos indivíduos às infra-estruturas que os suportam. É, no entanto, uma condição essencial a existência dessa informação e a disponibilização dessas bases para que o enriquecimento do stock de conhecimentos se realize. A biblioteca de Alexandria perdeu-se. Sem dúvida. Mas os princípios norteados na sua construção e nos seus conhecimentos mantiveram-se até aos dias de hoje. Eles são o berço da nossa civilização. Bábaros, esses, existirão sempre que alguém queira coagir à força a consciência humana. Ocorreu com a Biblioteca de Alexandria, notavelmente a mais famosa do mundo, destruída por motivos religiosos. Ocorreu na Idade Média, quando a Igreja Católica tentou destruir inúmeras bibliotecas. Paradoxal a essa tarefa ciclónica, foram os mosteiros que serviram como esconderijos dos livros salvando-os para a posteridade (sobre isto, o romance histórico de Umberto Eco, o Nome da Rosa, é deveras ilucidativo.....o humor, o humor). Ocorreu durante a Segunda Guerra Mundial, quando Monte Cassino foi bombardeada e o maior repositório do conhecimento humano sobre a Europa foi destruído. Ocorreu com a destruição da Biblioteca Nacional do Camboja pelo Khmer Vermelho, destruindo as informações sobre a civilização cambojana. Sempre foi por demasiado evidente que quem ganha a guerra, escreve a história. Do you want to now the riddle of steel, my son? Flesh is stronger than steel! Conan, The Barbarian
Reencontro com a Deusa Ísis
Antes de partir para as terras de Califa Omar, sob o tórrido sol do Julho mediterrâneo, para visitar a humilde campa de Amenhotep III, tenho que me obrigar a levar um livro de história. O tema da Biblioteca de Alexandria, versado em posts do Projecto e do Deus Visível, é interesse quanto baste. A proposta da Amazon é atractiva: Editorial Reviews The Dewey decimal system of cataloguing and its modern successors are relatively new, and they sometimes seem inadequate as ways of organizing knowledge in ever-changing fields of study. But the idea of bringing order to collections of written material is an ancient one, as Lionel Casson writes in this lucid survey of bibliophilia in the ancient Mediterranean. Among the earliest examples of written material that we have are lists of library holdings, clay tablets from Mesopotamia that archive commercial inventories, scholarly texts, and a surprising number of works on witchcraft and remedies against it. Ancient libraries grew, Casson writes, by many means: by peaceful trade, as when book-hungry Romans spent extravagant sums on Greek texts made in southern Italy; by conquest, as when the Assyrian king Ashurbanipal looted the libraries of his ancient rival Babylon, carting the contents to his capital of Nineveh; and by fiat, as when the Egyptian pharaohs appropriated private collections to round out their own. Those libraries nourished the great philosophers and writers of old, shaping world culture into our own time. But, as Casson ably shows, the enemies of books are many, among them floods, fires, insects, and intolerance. As it is today, so it was in the past, and contending empires and ideologies too often expressed themselves by sacking and burning the collections of their enemies--by reason of which we have only a few of the works that engaged readers in the distant past. Casson's slender book enhances our understanding of the role of books and their collectors in the ancient world, and bibliophiles and historians alike will find much of value in its pages. --Gregory McNamee --This text refers to the Hardcover edition.
Uma visão interessante, experiente, no The American Conservative de alguém que conhece a fundo a realidade Israelo-Palestiniana e os Planos de Paz. Dando os devidos descontos de filiação partidária, é um texto que vale a pena ler.
A começar pela afirmação da desistência, pela apatia ou incoeência , da condução deste processo por parte do eixo negocial inicial (UE/USA/Russia/ONU) e cedência do mesmo à posição Norte-Americana. É de notar que é um Norte-Americano, com importante papel na diplomacia internacional, que o afirma sem receios de dúbias interpretações. De facto, existe apenas uma: Continuamos a observar o Grande Jogo, sem capacidade de definir regras ou sequer arbitrar. Mr. Solana devia ler... "Of course, that is how the Washington power game works. The only difference is that, for some of us, the survival of the state of Israel, a state whose existence many of us regard as miraculous, is simply too important to become part of Washington games. And it is a Washington game. After all, it isn’t played in Israel. The Bush road map gets around this problem by dumping sequential compliance in favor of parallel moves that happen concurrently. Palestinians must end anti-Israel violence, while at the same time Israelis must pull back from areas reoccupied during the intifada and freeze settlements. Instead of waiting for Sharon to deem Palestinian efforts to combat terror sufficient for a reciprocal measure, the sponsors of the road map assume that role for themselves (and specifically for the United States). Neither side can refuse to meet its obligations by claiming that the other has not acted. One can only hope. But no one should doubt the opposition Bush will face if he persists. So far, the signs look good. And, as those who opposed his tax cuts and the war with Iraq know, this president is nigh unstoppable when he believes in the cause. His cause this time is the long-term survival of Israel and, of course, America’s interests in the Muslim world. My guess is that Bush will stay the course. If he does, he will help redefine just what is considered pro-Israel and what will be understood as perpetuating a status quo that is disastrous for Israel, for the Palestinians, and for our own country." M.J. Rosenberg, Director of Policy Analysis for Israel Policy Forum, is a long time Capitol Hill staffer and former editor of AIPAC’s Near East Report
Quando as pessoas perguntam a este blog, "Onde posso obter uma fotografia bonita da minha pessoa com Jesus?" este blog dirigi-as para aqui.
Psalm 10:14 "Surely the LORD is in the place, and I was not aware of it." Vamos lá..... 30 a 84$! Não custa assim tanto! Eu viàluz irrrmão!!
Noah Shachtman disserta sobre o tema dos mercenários em África:
A consortium of mercenary groups has made the UN a deceptively simple proposal: give us $200 million, and we'll help bring an end to the war in the Congo Vale a pena ler, sobre este assunto, o longo post de Trent Telenko sobre a contratação de militares e logística militar privada. Outsourcing military missions also lets the Pentagon do things Congress might not approve. Congress, for example, has said the military can have only 400 U.S. soldiers in Colombia, an oil-rich country destabilized by guerrillas and the cocaine trade. But for years, civilian pilots employed by DynCorp, a KBR competitor, have been flying what amount to combat missions in Colombia under contract to the State Department, spraying coca crops with defoliant and occasionally getting shot at. Representative Janice Schakowsky, Democrat of Chicago, has been trying to put a stop to this kind of end run around Congressional oversight, but in the bellicose post-9/11 atmosphere on Capitol Hill, she can't get traction. Congress would never authorize the U.S. military to perform such a politically explosive mission as the Colombian spraying, Schakowsky argues, and if an American soldier was killed in Colombia it would be Page 1 news. I find it interesting that the role of these companies (KBR, EODT, etc.) is not restricted to simple logistics / training within the military. The line about EODT handling minesweeping duties, a hazardous, if not necessarily combat oriented role (i.e. people actively shooting at them) struck me in particular. These are companies that have hired ex-military personnel, understand the military culture and mindset, operate within a corporate pseudo-military structure. Sounds like a PMC to me. At what point, I wonder, will companies like this be used to handle more combat focused roles? With the problems that the military has had with recruitment, especially within the reserves, and the idea of a draft unpopular for a host of reasons, will companies like KBR and EODT some day be used to fill the ranks? It raises questions of conflicts of interests, oversight, etc.
Acordo rápido e fácil. Foi assim que Carlos Queiroz e Real Madrid chegaram ontem a um entendimento, com o técnico português a assinar um contrato válido por dois anos.
Com dois portugueses na melhor equipa do mundo, temo que ainda abram uma filial em Lisboa para inscrição de sócios. Não sou um seguidor atento do mundo do futebol, em grande parte pelo populismo exacerbado que o rodeia, fora as politiquices bairristas. Ao ler-se a imprensa da especialidade, tem-se sempre a sensação de que o jogo se passa fora das quatro linhas e não na relva, onde o desporto faz justiça ao seu nome. Mas sempre gostei de assistir aos jogos mais interessantes dos campeonatos europeu e mundial. Ver o Real Madrid, não é ver apenas futebol, é ver um sistema, uma equipa, desempenhos individuais enquadrados de forma quasi-perfeita numa filosofia auto inovadora, num arquétipo de boa gestão, num desempenho excepcional, numa táctica eficaz, numa execução eficiente, numa liderança apopléctica e empenhada, onde a técnica se alia à arte, o negócio ao espectáculo, o esforço ao triunfo. Talvez, quem sabe, seja por isso que os portugueses gostem tanto do Real Madrid.....
Para ajudar à dissecação sobre a Reforma da Administração
O Dia do Fato Azul Escuro No interior da FIL, onde o primeiro ministro leu o discurso sobre a reforma do sector, o ambiente não podia ser mais contrastante. As cerca de mil pessoas presentes pareciam saídas de uma fábrica de directores-gerais: quase todos homens, todos de gravata e fato azul escuro com botões dourados, à excepção de meia dúzia de ousados que envergavam fatos cinzentos. Enquanto Durão Barroso anunciava as novidades, toda esta mancha escura de pessoas mergulhava na penumbra da sala e muitas delas, talvez pouco preparadas para as circunstâncias soporíferas da ocasião, dormiram durante boa parte da comunicação enquanto outras se abanavam com cópias do discurso para mitigar o calor e enxotar os bocejos . Uma metáfora da função pública? Elisabete Vilar in Público Quarta-feira, 25 de Junho de 2003
Em conversa sobre o Beco das Imagens que já publicitamos no De Esquerda , um amigo envia-me um e-mail comentando o seguinte post no dito Blogue:
"MAIS AGRADECIMENTOS, PARTE II Ao Aviz, agradecemos o simpático mail e o lugar na coluna dos links. Ao Blog de Esquerda agradecemos a referência e asseguramos que metade do Beco das Imagens (ou seja, eu) vai continuar a colaborar activamente no BdE, com posts em itálico, sempre que houver temas a exigirem debate, reflexão ou simples “refilanço”. Aqui no Beco é só imagens, mas lá fora há outro mundo onde é preciso intervir… Um abraço para os manos Silva!" O Comentário: "ora aqui está o que eu desconfiava. o beco das imagens é esquerdalho do be. eu desconfiei pelo nome, nenhuma pessoa de direita optaria por ser o beco de qql coisa seria sempre uma avenida, uma alameda, um lugar bonito e arejado beco? hummm, deve ser esquerdalho... confirma-se" Será?
Reforma da Administração V
Ainda no outro dia, falava com uma pessoa sobre Sá Carneiro, que o tinha conhecido muito bem em vida. Defendia a pertença daquele ícone a um espectro de centro esquerda e afirmava que se hoje fosse vivo, não se identificaria, certamente, com o PPD/PSD de hoje. Poderia ser assim, se caísse de rompante aqui e não percebesse a evolução da política nacional e internacional que, desde então até agora, a social democracia atravessou. Também segundo este meu caro interlocutor, cuja atenção e simpatia muito aprecio, Sá Carneiro era defensor de um modelo interventor do estado e de um peso considerável do mesmo na economia nacional, à semelhança das economias norte europeias na proximidade do Reno. Poderia ser assim na altura. Mas se ele visse como está gordo e lerdo o “bicho” hoje, acredito que seria o primeiro a vir com a faca na mão a reclamar a matança do porco! É que uma economia renana não se avalia apenas pelo nível de fiscalidade sobre o PIB mas, inclusive e sobretudo, pelo nível de serviço público que legitima essa fiscalidade.
Reforma da Administração IV - As Quintas da Discórdia
As comunidades humanas procuraram, históricamente, diminuir as distâncias entre elas como forma de tirar partido dos diferenciais de quantidade, qualidade e diversidade da sua produção. Os transportes marítimos, ferroviários, rodoviários e aéreos incorporaram, no passado, as tecnologias cerne deste processo de «aproximação». Do mesmo modo que os fluxos de bens e moeda entre comunidades distantes se generalizaram, subsistiu sempre a necessidade de troca de informação, uma vez que nenhuma transacção se realiza sem a transferência de um conhecimento. Se considerarmos o exemplo da expansão da linha férrea do Estados Unidos da América no período histórico da colonização do interior continental, verificamos que foi sempre associada à expansão da linha do telégrafo. Much of the early growth of the telegraph network was in response to the contemporaneous of the railway industry, which stimulated phisical wide-area trading A necessidade de uma rede informacional de apoio a uma rede de transportes não é, deste modo, um dado recente. A diferença na economia contemporânea (séc XXI) reside no facto de esse fluxo informacional se ter complexificado e ganho outra relevância, não somente porque os bens passaram a incorporar conhecimentos mais complexos e abrangentes e porque implicam um maior grau comunicacional entre clientes e fornecedores, mas sobretudo porque a informação e o conhecimento se converteram num produto em si, com sistemas de produção e distribuição distintos dos circuitos da economia material. O desenvolvimento da comunicação computadorizada incrementou a distribuição de conhecimento explícito através da distribuição de documentos, desenhos, imagens vídeo e mensagens de voz de forma electrónica, mas transformou, inclusivamente o sistema e os métodos através do quais as pessoas aprendem, expandindo desta forma a capacidade de um número crescente de pessoas de gerar conhecimentos tácitos úteis através do acesso a esse conhecimento distribuído. A reforma da Administração Pública, neste sentido, implicará destruir muitas quintinhas, chefiazinhas, departamantozinhos, tachinhos e mentalidadezecas....
Reforma da Administração I
Fayolismo - doutrina administrativa da organização, o fayolismo, baseado numa estrutura hierárquica acentuada, na permanência de uma linha de comando a todos os níveis, na repartição das operações em seis funções (administrativa, técnica, comercial, financeira, contabilística e de segurança) e pressupunha a existência de chefias que detinham todos os conhecimentos necessários ao negócio. Isto faz-nos lembrar o quê? As empresas da primeira metade do século XX. Mas não nos faz lembrar alguma coisa mais? Ahh...pois.....esse monstro do século XXI, criado após a crise de 1929...... É claro que há ilhas de inovação, são de salutar. Mas nós precisamos é de continentes!
Reforma da Administração II
Segundo Peter Drucker, os sectores de crescimento no século vinte nos países desenvolvidos não foram os ligados ao mundo dos negócios. Foram outros – os governos, as profissões liberais, a saúde, a educação; tudo sectores onde, dramaticamente, faz falta uma boa gestão. O mesmo defendeu que, para o século XXI, o sector que mostrará maior desenvolvimento será o do sector social sem fins lucrativos. Segundo o programa operacional Sociedade da Informação, Portugal entrou tardiamente num processo essencial para vencer o atraso histórico no âmbito da Sociedade da Informação. O fim da ortodoxia na disciplina de gestão em termos de organizar e gerir pessoas ainda não se instalou por completo e de forma definitiva na generalidade das organizações geridas pelo Estado. A ideia do francês Henri Fayol, no início do século, de que havia um único tipo «correcto» de organização deixou de ter qualquer utilidade. Ao longo do século vinte, foram-se sucedendo soluções “únicas” atrás de soluções “únicas”, embora o Estado tenha mantido constantemente os princípios de inércia que caracterizaram as organizações do princípio do século. Ao invés de se constituir como uma “ferramenta”, a organização pública tornou-se um “fim” em si mesma. A introdução das tecnologias da informação na administração pública nem sempre obedeceu ao fundamento de que a revolução económico-social em curso é, sobretudo, uma revolução da informação e não uma revolução na tecnologia, na maquinaria, nas técnicas, no software e na velocidade. Trata-se de uma revolução de conceitos. Não percebê-lo conduz a que a implementação das tecnologias da informação e comunicação continuem a ser encaradas como processadoras tecnocêntricas de dados, em vez de serem entendidas como produtoras de informação, conhecimento e serviços que conduzem a novas e diferentes questões e estratégias. A imagem do trabalhador da administração pública obedece aos estigmas do indivíduo perdido numa organização que não o compreende, destinado a realizar actividades rotineiras e mecanizadas, numa instabilidade de direcção que não se relaciona com o seu arbítrio, subordinado a chefias sem autoridade e poder, que se constituem como nomenclaturas de uma burocracia estagnada no tempo. Tal como Weber vaticinou: quanto mais o homem se empenha no conhecimento de uma realidade, mais perde o sentido dessa realidade. Desta forma, a organização administrativa do Estado cria a pessoa-instrumento ao serviço da administração, pelo que a reforma pretendida dessa organização deverá procurar desenvolver a organização-instrumento ao serviço da pessoa, dos cidadão-cliente e dos interesses públicos. Reforma da Administração III Pela experiência do que tem sido a reforma administrativa em Portugal e no Mundo deduz-se, numa perspectiva global, que esta ainda está aquém daquilo que se desejaria. Subjacente a isto persiste a ideia de que a reforma da administração arrasta a reforma do Estado e esta é lenta pela sua envolvente política, sobretudo em democracias estabilizadas; pela confusão entre modernização e reforma fazendo daquela a bandeira para esquecer a segunda; pelo “stop and go” das medidas por vezes enunciadas, pela inércia da burocracia e a sua rejeição tradicional às mudanças e, acima de tudo, a um renovado conceito de reforma, por um lado, e à maneira de a conduzir, por outro. Reformar a reforma tornou-se um imperativo da gestão das organizaçães de interesse público sobre administração do Estado. Mais do que pretender-se que a gestão sustente a reforma, o que se deseja é que a reforma se sustenha numa nova gestão. Sem esta mudança, a própria introdução das tecnologias da informação poderão circundar-se a uma modernização relativa sem o carácter estrutural que suporta os novos fundamentos da prestação de serviços de qualidade ao cidadão numa perspectiva de “cliente”. O excesso de departamentalização que está na origem da burocracia poderá ser responsável pela criação de uma nova burocracia electrónica, se cada serviço e/ou departamento do Estado entender caminhar de modo autista na senda do progresso tecnológico, recusando partilhar sistemas e encadear processos interdepartamentais que beneficiariam o cidadão e os agentes económicos. O desafio da implementação das tecnologias da informação não será apenas o de assegurar a reengenharia dos serviços públicos, mas também assegurar a sua reinvenção, baseada nas novas estratégias de serviço público. Trata-se tão somente de fazer o que as grandes empresas privadas alcançaram entre a década de 80 e 90. Mais uma vez, Drucker, o pai, estava certo.
O facto de termos um Blog que se chama De Esquerda tem as suas coisas cómicas.
Já tínhamos notado que sazonalmente surgem promoções a eventos culturais nos Blogs à Esquerda, e muito menos nos Blogs à Direita. O cómico de tudo isto é que nós recebemos no De Esquerda e-mails de pessoas que nos pedem para DIVULGAR "blogs e iniciativas culturais" de todo o género. E no e-mail do De Direita? dedireita@hotmail.com? Puxando pela memória nem um. Passo pelos outros Blogs de direita e nestum de referências às ditas iniciativas culturais. Imagino que o seu correio está tão vazio como o nosso. Aos "agentes culturais" que leem ou fazem parte da Bloguesfera, queiram fazer o favor de DIVULGAR as suas iniciativas para todos os quadrantes. Obrigado. Wednesday, June 25, 2003
Ouvi o JPP na TSF defender uma posição, naturalmente inteligente, relativa ao caso Paulo Pedroso. De entre alguns pontos de comum acordo, disseco e acrescento:
É óbvio que o PS continua confundido na sua luta interna de poderes. E só isso justifica o pedido de levantamento da imunidade parlamentar. Mesmo que, por desígnios da ciclicidade política, a clavilha tivesse sido projectada em vez da granada. Mesmo que o discurso irresponsabilizado e popularista que é corrente na esquerda portuguesa, e ao qual a costela de camaradagem Ferrista não permite distanciamento, lhe permita desdizer o óbvio no prazo que medeia as já banais conferências de imprensa do PS. Mesmo que pudessem defender a permanência da imunidade contra o levantamento da mesma com que se debateram no caso de Cruz Silva. Podiam tê-lo feito, porque já nos habituram a fazer. Não fizeram, e desta, fizeram muito mal. Sejamos claros. A Imunidade Parlamentar não é um fetiche político. Existe porque é necessário que exista. Tem um fim, bastante definido e que nos traduz que os políticos representam o comum cidadão e que por tal, têm responsabilidades que podem ser alvo de ataques despojados de ética, tão frequentes entre nós. Os Socialistas, depois do erro, chamam a estes ataques, cabalas, uma palavra bem Ferrista. Meus caros, se é de facto, uma cabala, se também existe a prisão preventiva, que, como sabemos, pode durar tempo demasiado para considerarmos esta medida séria, se Paulo Pedroso sabe que está inocente, porque, por todas estas razões, não exerceu seu direito de deputado e utilizou, com total justiça, esta medida? Se foi pelas razões que transcrevi nas linhas inicias, pelo hino à coerência, o PS já há muito perdeu o direito de o trautear. Por outra razões? Talvez... O PS continua a reboque de um legado, uma traição, demasiado pesada. Ferro nem tem culpa. Simplesmente não tem capacidades para contrariar o território minado que não soube que iria herdar. Alguns já o perceberam. “Os socialistas querem esquecer a pedofilia com o Estado da Nação. O líder parlamentar do PS, António Costa, escusou-se ontem a prestar declarações após o seu testemunho de cinco horas no Departamento de Investigação e Acção Penal (DIAP), em Lisboa. "Eu não posso dizer nada sobre o que aconteceu nesta conversa, nem sobre as minhas convicções com o senhor magistrado", disse Costa à saída do DIAP” in Publico de hoje Ficamos à espera da coerência perdida.
Extremamente cómico, o exercício semanal de pessoal mediatização a que determinados intelectuais se sujeitam nos sucessivos debates promovidos pela RTP. Sempre que chego a casa antes dos intervenientes perceberem que ainda não debateram a questão que é normalmente o mote dos referidos debates (o que normalmente acontece a 2/3 do programa), nessas raras situações, assisto ao programa acompanhado de um Cartuxa, para não tornar demasiado amargas as frases condicionadas e olear a blindagem da consciência. Ontem, naturalmente, existiram momentos da mais pura manifestação hilariante, que me fizeram regozijar a abertura do néctar.
António Nogueira Leite foi atroadoramente pragmático, cortou à esquerda e à direita (o que é de salientar conhecendo as suas posições políticas), no assunto que já domina, num crescendo, o panorama nacional. O Euro2004. Com algum exagero, sempre presente nas suas intervenções frontais, Nogueira Leite questionou o desígnio nacional, a forma e a condução do mesmo. Argumentos interessantes, que são no fundo um resumo das suas intervenções, mas que apenas nos trouxeram, no campo da novidade, a animalidade com que tocou os seus argumentos. Mais interessante, foi ouvir Madalena Torres, Administradora do ICEP e responsável pela coordenação da promoção do Euro2004. A sua impetuosidade, discurso fácil e coerente (com o objectivo ICEP) deixam-nos mais descansados quanto ao profissionalismo condução do processo. A lição estava bem estudada e não se engasgou como aqueles que o fizeram, e que não o poderiam fazer. Mas atemoriza-nos a cumplicidade de meios e objectivos. E relembro, Dra., iniciar uma campanha com tanta veemência apenas justifica o trabalho exíguo feito no passado recente de um ICEP despesista e ineficaz e recorda a falta de óleo que a engrenagem portuguesa continuar a apresentar. Esperamos que essa energia não desvaneça no pós Euro e não seja necessário mais um projecto megalómano para acordar os Portugueses da sua constante letargia.
No mesmo Cruzes vi a referência a uma interessante teoria que relaciona as curvas das modelos da Playboy com os ciclos económicos.
É rápido, tem sobretudo a ver com psicologia e é interessante.
O J do Cruzes Canhoto diz:
"QUANTOS AFINADORES DE PIANOS EXISTEM NO MUNDO? - O aumento do desemprego deu azo a que os empregadores desatassem a fazer todo o tipo de perguntas cretinas e quebra-cabeças aos seus candidatos, como a questão atrás. Gostaria de ver o que responderiam os empregadores a tais perguntas. J" O J é induzido em erro pelo mau artigo da Wired. Os empregadores não só responderiam como responderam. Quem conhece os mecanismos de recrutamento de, em especial, algumas empresas de consultoria e banca de investimento sabe que este tipo de perguntas são essenciais e rotineiras. De momento consigo lembrar-me de: - Quantos pêlos tem um cão? - Quantas bolas de golfe cabem numa piscina? - Quanto pesa a terra? - Quantos restaurantes tem Tokyo? - Quantos parafusos tem um porta-aviões? Pretende-se com isto avaliar a capacidade analítica do candidato, obrigá-lo a um exercício de ginástica mental e testar a sua flexibilidade. Não é importante acertar ao mílimetro, mas é importante para perceber a forma como funciona o cérebro de cada um. Não é aberrante, cretino e muito menos fruto da recessão. No pico da pujança yuppie estas perguntas já se faziam, fizeram-se durante toda a década de 90 e continuarão a fazer-se no futuro visível.
Deveras.
In one discouraging study conducted by Harvard University psychologists, interviewers were found to make up their minds about a candidate within just two seconds of seeing the person. The revelation could mean that brain teasers -- or any other interview questions for that matter -- add little value to the selection process.
O colunista quinzenal do Diário Económico, Mário Melo e Rocha lança a seguinte farpa:
"O primeiro texto constitucional europeu não se confunde com outros. Nem com revisões que venha a ter. Há matérias e momentos que se revestem de alguma solenidade. Que não cabem na informalidade volátil de um blogue." Não lhe ocorrerá que a voltalidade ou não do informal, como se o formal fosse por si só sólido, advém do autor e não do formato blogue, revista, jornal, webpage pessoal, etc. Que raio de mania de meter tudo no mesmo saco. Como se um disco fosse igual a um livro só porque eventualmente é vendido no mesmo local ou da mesma forma. Não seria mais simples dizer que discorda das posições daqueles que, em determinados Blogues, expressaram as suas opiniões sobre a Constituição Europeia? Ou da forma "informal e volátil" como a discutiram? Dito dessa forma reduz-nos a todos a um conjunto de graçolas em part-time. Parece que "A Luz", Séria, Formal e Sólida nos é revelada de quinze em quinze dias nas páginas do DE. O link
No Arquitonto:
"Ao post de Manuel sobre a Casa da Música: Chateia-me tanto e entristece-me mais haver tantos velhos do restelo em relação à arquitectura em PT!" Procuro e não encontro um post meu sobre a arquitectura da Casa da Música. Olhe que não. Esse post é do Pedro Crespo e está no De Esquerda
Um pouco do património de todos nós, a Nau Catrineta.
Lá vem a Nau Catrineta, que tem muito que contar! Ouvide, agora, senhores, Uma história de pasmar." Passava mais de ano e dia, que iam na volta do mar. Já não tinham que comer, nem tão pouco que manjar. Já mataram o seu galo, que tinham para cantar. Já mataram o seu cão, que tinham para ladrar." "Já não tinham que comer, nem tão pouco que manjar. Deitaram sola de molho, para o outro dia jantar. Mas a sola era tão rija, que a não puderam tragar." "Deitaram sortes ao fundo, qual se havia de matar. Logo a sorte foi cair no capitão general" - "Sobe, sobe, marujinho, àquele mastro real, vê se vês terras de Espanha, ou praias de Portugal." - "Não vejo terras de Espanha, nem praias de Portugal. Vejo sete espadas nuas, que estão para te matar." - "Acima, acima, gajeiro, acima ao tope real! Olha se vês minhas terras, ou reinos de Portugal." - "Alvíssaras, senhor alvissaras, meu capitão general! Que eu já vejo tuas terras, e reinos de Portugal. Se não nos faltar o vento, a terra iremos jantar. Lá vejo muitas ribeiras, lavadeiras a lavar; vejo muito forno aceso, padeiras a padejar, e vejo muitos açougues, carniceiros a matar. Também vejo três meninas, debaixo de um laranjal. Uma sentada a coser, outra na roca a fiar, A mais formosa de todas, está no meio a chorar." - "Todas três são minhas filhas, Oh! quem mas dera abraçar! A mais formosa de todas Contigo a hei-de casar" - "A vossa filha não quero, Que vos custou a criar. Que eu tenho mulher em França, filhinhos de sustentar. Quero a Nau Catrineta, para nela navegar." - "A Nau Catrineta, amigo, eu não te posso dar; assim que chegar a terra, logo ela vai a queimar. - "Dou-te o meu cavalo branco, Que nunca houve outro igual." - "Guardai o vosso cavalo, Que vos custou a ensinar." - "Dar-te-ei tanto dinheiro Que o não possas contar" - "Não quero o vosso dinheiro Pois vos custou a ganhar. Quero a Nau Catrineta, para nela navegar. Que assim como escapou desta, doutra ainda há-de escapar" Lá vai a Nau Catrineta, leva muito que contar. Estava a noite a cair, e ela em terra a varar.
Cada vez que penso em Contabilidade sinto um arrepio na espinha.
Pode ser que este Blog ajude a mudar o sentimento.
For a country that is joyously blind to the difference between vandalism and union activity there seems to be alot of crying about the fact that José Bové©®™ had his front door smashed in. The police called three times for him to open the door before commencing operations. Isn't it José Bové©®™ who said 'they'll have to come and get me!'. Well, they did. Bové's been prowling too often with his Palestinian friends. His craving for martyrdom is starting to get the best of him.
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A Avaliação do Desempenho na Função Pública.
Na Sic-Notícias e no Jornal das 22:00 do Canal 2, Correia de Campos explicava porque é que a avaliação feita por entidades privadas aos funcionários públicos é um disparate. Em termos abstratos, existem 99% de razões para ser um disparate. Em termos concretos, apenas 1%. A avaliação de resultados está directamente relacionada com os objectivos que derivam do planeamento. Este tipo de competências faz todo o sentido estarem concentradas dentro da organização. No sector privado todos conhecemos as reuniões trimestrais, semestrais e anuais para avaliação de desempenho. Em muitas delas o sistema é Up-or-Out. Ou se é promovido ou despedido. Durante todo o ano recebem-se e-mails com um screening dos nossos resultados... falta 30% do tempo para 40% dos resultados, ou em 70% do tempo atingiste 130% dos resultados. A cultura de exigência, cumprimento e avaliação imparcial está implementada. Não há promoções automáticas para ninguém e a avaliação não é nem um pro-forma nem é escrita em termos de romance. E, sim senhor, gera cabelos brancos nas noites e dias anteriores a muito boa gente. Acontece que a Função Pública neste momento é o que é. A Função Pública não é auto-regenerável. Necessita, como qualquer organização de choques e upgrades externos, de outras culturas. Das sinergias com outras organizações tem sobretudo a ganhar o mais fraco. Defendo que um sistema de avaliação sério seja desenvolvido para a Função Pública por uma empresa privada. E que esta ou outra seja responsável pela aplicação do mesmo nos primeiros, talvez, dois anos. Depois de interiorizada a cultura de avaliação, a competência deve ser passada de novo para o Estado. Só lá vão assim. Tuesday, June 24, 2003
O que eu sinceramente não percebo é porque é que tem de ser negado a um cidadão o direito de desenhar a casa onde deseja viver, em nome de um subjectivo conceito estético cuja pertença lhe é negada por decreto, e que já por si é hiper-díspar ou contraditório entre os próprios Arquitectos.
Defendo que exista um conjunto de regras de ordenamento do espaço que todos tenhamos de respeitar. Faz todo o sentido que sejam delimitadas determinadas zonas de protecção cuja intervenção arquitectónica deve ser cuidada e sujeita a um juízo estético (mas sem fundamentalismos). A partir destes pressupostos defendo a liberdade de criação. Têm medo do caos estético do resultado? Não é esta a filosofia de vida que aplicamos às pessoas e às suas vidas em concreto? Desde quando é que o betão armado é mais importante do que os seres humanos que entre ele caminham?
Ainda sobre o Direito à Arquitectura:
Luís Neves: (e-mail em post de sexta-feira 20) "É óbvio que sendo a arquitectura um direito deveria ser consequentemente providenciado um qualquer "serviço nacional de Arquitectura"." Sim e não. O que eu considero essencial num "direito" é a reserva da opção de um cidadão exercê-lo ou não. Caso contrário é uma obrigação. "A informação de que dispõe não é correcta. Os projectos de Arquitectura não são apreciados nas câmaras municipais a 100% por arquitectos, (...)" Mas o Luís não corrige em que é que não é correcta. Para um projecto ser aprovado numa Câmara Municipal necessita do diferimento por parte do Arquitecto responsável pela zona. O que é que aqui não está correcto? "(...)mas também não compete a estas e aos arquitectos ou não arquitectos que nestas apreciam estes projectos pronunciar-se sobre a qualidade da sua Arquitectura." Compete aos IPPAR's, DEMU's , etc's, atolados de Arquitectos, em zonas definidas também pelos Arquitectos como sendo mais ou menos "protegidas". Por duas vezes o projecto da minha casa foi chumbado por Arquitectos por ser considerado muito bonito e estiloso mas demasiado moderno para a zona histórica de Lisboa (verídico!! Lourenço, estás aí?). Estou à espera do despacho dos mesmos senhores para a Arquitectura Pombalina que o Gehry tem na manga. "(...) Logo, a qualificação do projecto arquitectónico só pode ser tentada pela qualificação da sua autoria!" Próximo post.
Mimetismos
Vale mesmo a pena passar pela página do João Barroso Soares e ler o seu interessante artigo no Dunya (Turquia). Acho que estou a aprender a técnica de “leitura na diagonal” do Professor Marcelo Rebelo de Sousa. Creio até que inventei uma nova técnica: a suprema técnica da “Leitura na Vertical”. Deixo aqui uma imprescindível transcrição para aguçar o apetite: Savas ve Barýþ ile hedefler. Joao BARROSO SOARES* (...) Ben geniþlemiþ Avrupa Birliðinde, Birleþmiþ Milletlere ve bu kuruluþlarýn üstlendikleri görevler ile uluslararasý hukuka inanan temkinli bir iyimserim. Zorluklarýn bilincindeyim ancak günümüzün zor ve çetrefilli koþullarýnda enerji ile yaratýcýlýgin sayesinde oluþacak çözümlerin de bugün içinde bulunduðumuz çýkmaz gibi algýlanabilen durumun üstesinden gelebileceðine inanýyorum. L Bence, Birleþmiþ Milletlerin ihtiyaç duyduðu acil yenilenmeyi gerçekleþtirmek için de yaratýcýlýða ve cürretkar fikirlere ihityaç duyuyoruz.D (...) Imemorável !
Do soarismo júnior dentro do PS
Os últimos boatos no Expresso, que relatam a volátil fatalidade da substituição de Ferro Rodrigues na direcção do Partido Socialista, são a prova de que o movimento está vivo e recomenda-se leitura atenta dos próximos episódios. É óbvio que muito do estado de amargura em que o PS mergulhou, nos últimos tempos, está directamente correlacionada com asnice política derivada de uma utilização absurda do papel de “chefe da oposição”. De tal modo é evidente essa autoria que há quem queira enterrar o defunto antes do velório e outros há que discutem a portas fechadas quem carregará “pesarosamente” a importante tarefa de levar o caixão à cova.. Ferro Rodrigues errou. O socialistas admitem-no. Ele admite-o. Implícita e profundamente, de forma “politicamente correcta”. Sacrificou-se o formigueiro pela formiga. Falar de António Vitorino como uma possibilidade coerente é a prova de que o D. Sebastianismo ainda se demarca profundamente no imaginário popular. Vá por mim, enfie-se bem debaixo da sua secretária em Bruxelas ou oficialize já a candidatura antes que o vão aí buscar à força. É a prova da amargura. O PS necessita de mostrar que tem nomes e alternativas à falta dos mesmos. A sua credibilidade depende disso, aos olhos incrédulos dos eleitores do centro. Monday, June 23, 2003
Informa-se que neste espaço o mais parecido que temos com um filósofo é, em teoria, dois economistas.
Ainda assim, os posts anteriores sobre Niilismo, Vergílio F., a Bíblia, Titus (Shakespeare), Nietzche e o pecado foram escritos por um gestor. Tal como os de Arquitectura (os passados e os que estão no forno). A discussão está sempre aberta em dedireita@hotmail.com Niilismo, quê? Com ou sem rótulo? Servido a quente ou a frio? É como o paroquiano freguês o desejar...... O seguinte excerto foi retirado do Dicionário de Política, Volume 2, Editora UNB, Décima edição, Autores: Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino, Brazil. De nihil, nada: termo que indica um pensamento - ou também uma condição geral da cultura e da existência - em que se negam o ser e os valores, e se afirma, ao contrário, o nada como única "realidade". ........O termo foi introduzido na terminologia filosófica na Alemanha nos últimos anos do século XVII, no contexto dos debates acerca dos sucessos idealistas do kantismo. Assim, F. H. Jacobi (provavelmente o primeiro a usar a palavra com significação filosófica precisa), fala em Niilismo numa carta a Fichte para indicar o carácter do idealismo como negação de Deus e absolutismo do mundo. Num sentido análogo, encontramos o termo Niilismo em Baader; enquanto traços explicitamente niilistas, deste teor, podem ser encontrados em autores sensíveis aos aspectos mais claramente idealistas do romantismo, como E.T.A. Hoffman, H., von Kleist e, principalmente, Jean Paul, cujo Discurso do Cristo morto (1797) foi indicado como uma "alegoria do niilismo". A popularidade do termo Niilismo, que encontramos durante a primeira metade do século XIX usado as vezes pelos filósofos com significações não tematicamente precisadas (por exemplo, Hegel fala em Niilismo lógico pra indicar o caráter dialético da lógica), se inicia na Rússia dos anos 60, quando a opinião conservadora e moderada tacha de niilistas os que rejeitam a ordem vigente e os valores tradicionais. Com excepção da significação específica assumida na Rússia, na segunda metade do século XIX, o conceito de Niilismo encontra sua precisão filosófica principalmente em dois autores: M. Stirner e F. Nietzsche. São eles os primeiros a se declararem niilistas em filosofia. Para Stirner (O único e sua propriedade, 1844) trata-se de desmascarar o carácter mistificador de todos os valores que sempre tiveram a pretensão de se impor ao homem, afirmando em seu lugar o eu, que por outro lado não possui base alguma de legitimação; sua luta desta forma acaba se fundamentando explicitamente sobre o nada. A posição de Nietzsche é mais complexa. Ele vê no niilismo a característica básica de toda a história da cultura ocidental, pelo menos a partir de Sócrates. Esta cultura tentou, com todas as suas forças, contrapor ao fluir da vida e a seu caos estrutura e valores imutáveis; estes, porém, acabaram revelando progressivamente sua característica de meras ilusões, ate se chegar ao ponto em que, como descreve Nietzsche, "Deus está morto" ou, o que é a mesma coisa, a ideia de um mundo verdadeiro não passa de uma fábula (Crepúsculo dos Ídolos, 1988). O desaparecimento de Deus e dos valores foi possível, segundo Nietzsche, unicamente porque, no decorrer da história construída para se justificar os dois, a existência humana tem se tornada cada vez menos violenta e insegura, tornando supérflua toda visão global e metafísica do mundo. No vazio deixado por estruturas metafísicas e valores, afirma-se como único princípio real a vontade de poder. É preciso, segundo Nietzsche, abandonar as posições de Niilismo passivo ou relativo (que considera a morte de Deus como uma perda irreparável) optando, em seu lugar, pelo Niilismo activo, o do homem que assume como sua responsabilidade de definir valores e leis. O duplo sentido que o Niilismo tem no pensamento de Nietzsche - dissolução dos valores metafísicos e responsabilização consciente por parte do homem - serve para caracterizar também, numa dimensão bastante generalizada, a história deste conceito no século XX. Segundo Martin Heidegger (Nietzsche, 19651) também o Niilismo activo de Nietzsche pertence à história do Niilismo, percebida como história da dissolução (ou "esquecimento") do ser da qual o pensamento precisa buscar afastar-se; porém existem outros, como Ernest Jünger, que salientam o afastamento, por parte do Niilismo, de toda concepção pessimista. Para Jünger, o Niilismo não se identifica de maneira alguma com uma situação de abandono à decadência e ao caos. Muito pelo contrário, o niilismo é a condição que acompanha a implantação da forma mais radical de racionalização técnico-científica da existência (o que, por sinal, tinha sido percebido também por Heidegger em seus estudos sobre Nietzsche). Em sentido análogo, podemos relacionar com o Niilismo também o discurso politológico de Carl Schmitt, cujo decisionismo se fundamenta na percepção do desaparecimento, do mundo moderno, de toda a legitimação baseada em estruturas metafísicas estáveis. No contexto dos que salientam o carácter afirmativo do Niilismo se situa também uma corrente muito recente do pensamento francês, estruturalista e pós-estruturalista, que coloca na eliminação do ser metafísico a condição para o reconhecimento da multiplicidade de estruturas (retóricas, linguísticas e psicológicas) que compõem a existência histórica. Permanece, porém, bem viva, mesmo na cultura mais recente, uma concepção "negativa" do Niilismo, que no campo político, conforme alguns autores, teria encontrado sua expressão no nazismo, como política de poder cujo fim é ela mesma. Outro sentido, também "afirmativo", do niilismo, mas sem qualquer conotação nazi, podemos encontra-la na obra de Albert Camus, onde o reconhecimento do absurdo dos valores metafísicos tradicionais abre o caminho para uma ética baseada em valores mínimos de respeito pela vida e de solidariedade humana elementar. Manhã Submersa Vergílio Ferreira nunca foi um escritor de massas. Quem na adolescência lê a experiência conturbada do catolicismo seminarista por que passou, sabe muito bem que ninguém percorre incólume na vida as mazelas das cruzes passadas. Tal escola estava bem longe das preces de Harry Potter. Vergílio vingou-se ali. Afinal, todos os males criam os seus próprios carcereiros. Anjos existem que carregam a espada. Vergílio empunhava a pena. Quando no fim, “por acidente”, o engenho de fogo de artifício rebenta inteligivelmente na mão da criança, apercebo-me de que ali, finalmente, a presença da luz divina iluminou o espírito de uma alma em libertação. Ali foi decidido que não mais a palavra de Deus seria em vão usada para guilhotinar a puberdade da vida. A criança ultrapassou-se. Nasceu o homem. Apesar do custo que por isso pagou. O Homem só o será quando entre ele e Deus não tiver nenhum intérprete. Quando afastar de si os interlocutores oportunistas e compreender que a interpretação, que a presença, que a palavra, não é exclusiva de nenhum casto terráqueo de suposta abstinência sexual. O parlamentarismo vitoriano apercebeu-se disso. A democracia apercebeu-se disso. O “laica sofisticação” da ciência iluminista apercebeu-se disso. O multimédia não é um exclusivo da igreja. Ele está presente, na rua, no bolso, no carro, em casa. O século XX democratizou-o. “A casa de deus” perdeu a exclusividade da sua ostentação. Entre o iluminismo e o ilusionismo vai uma grande distância.
Ainda não consegui perceber se o Tiago é um teaser inteligente ou um argumentador.
É que um argumentador argumenta e contra-argumenta o seu contrário, o diferente ou o complementar. Em (suposta) resposta a um post de André Mendes no dia 16 de Junho, o Tiago escreve no dia seguinte: " Metáfora literária O sucesso de Nietzsche nas livrarias desta terra está ao mesmo nível das boas vendas daqueles bonecos de louça em que um padre levanta a batina e desfralda o seu frondoso orgão viril sempre que estimulado pelo nosso puxar do cordelinho." Queira Sua Santidade desculpar a heresia dos que humildemente buscam o conhecimento. Ou terá sido apenas uma forma de chutar para canto a discussão? Nota: Este post é, ele sim, um teaser para trazer o Tiago à discussão. Se lhe apetecer.
Depois da Casa da Música ter custado mais de duas vezes o valor orçamentado, se eu fosse o Sr Burmester, metia-me num buraco e não saia dele tão cedo; e quando saísse seria para, a título de indemnização aos contribuintes, oferecer-me para tocar para estes grátis até ao fim da minha vida.
Parece que em Portugal os dinheiros públicos não derivam do esforço e sacrifício de cidadãos livres e não exigem cuidados de maior a quem os gere. E quem rebenta num piscar de olhos 40 ou 50 milhões de euros pode aparecer de novo publicamente com um ar superior pronto a dar lições de boa gestão ao país. É pena. Saturday, June 21, 2003
Breves antes da praia:
Caro Rafael: 1. Peditório: 50 mil assinaturas. Número de Arquitectos em Portugal = 15 mil. Se a estes acrescentarmos os respectivos Papás, Mamãs e os irmãos... Não... com os irmãos já rebenta os 50 mil... O número não é especialmente impressionante, não é? 2. Obviamente não assinei o Peditório. 3. " (...) proteccionismo da classe (algo que está continuamente a referir, parece ódio pessoal contra os arquitectos) (...)" Pronto... tinha de ser... qualquer discordância é logo um ódio pessoal, uma indignação, mais os etc's do costume. Breve espreitadela à minha vida privada: Vivo debaixo do mesmo tecto com uma Arquitecta, se odiasse a classe levava um pontapé suficientemente forte para ir parar ao coração do Jardim da Estrela. Isto para além de perder uma boa percentagem de companhias para jantares, copos, eventos culturais, praias, viagens. A sério, é uma discordância, não é mesmo nada pessoal. Ah, para além de estar neste momento a construir uma nova casa e... e... o projecto é da autoria de uma Arquitecta. 4. O Stark: Aí talvez me tenhas interpretado mal. O que eu queria dizer com isso é que quem beneficia directamente com o Peditório é a Conta Bancária dos Arquitectos. 5. A do Arquitecto-Artista vs Arquitecto-de-Negócios: Não precisas de pagar direitos de autor, mas essa é da minha autoria. 6. Segunda-feira volto ao tema, deixo entretanto um post que o João Miranda teve a amabilidade de ir buscar ao fundo do arquivos: O problema das ordens ... é que elas não são simples associações de Homens livres. O problema é que elas têm o monopólio de parte do espaço público e as suas decisões sobre esse espaço público afectam toda a população e não apenas os seus membros. Estado Corporativo Ordem dos Advogados Ordem dos Médicos Ordem dos Engenheiros Ordem dos Economistas Ordem dos Arquitetos Ordem dos Enfermeiros Ordem dos Médicos Dentistas Ordem dos Farmacêuticos Ordem dos Médicos Veterinários Ordem dos Revisores Oficiais de Contas Ordem dos Frades Menores Capuchinhos Altruismo II Segundo a Ordem dos Médicos Dentistas, há demasiados dentistas em Portugal. Friday, June 20, 2003
Provocações no estilo, mas penso mesmo o que escrevi, na substância.
No Arquitonto: DEBATE CADA MACACO NO SEU GALHO #1 Dei este nome à presente discussão porque parte do objectivo principal de tantos manifestos, lutas e petições que a nossa classe tem tido ultimamente. O que, nós arquitectos, queremos, é cada macaco no seu galho, cada profissional na sua especialidade, ninguém a ultrapassar as suas competências. Isto é básico, fundamental e de direito. Digo mesmo, lógico! Vejo-me na necessidade de rebater algumas coisas que foram ditas em alguns blogs, como dedireita, que me parecem mais provocações que talvez opiniões verdadeiramente sentidas. posted by rafa at 10:35
Vamos a ela. O capitalismo chama por mim, mas no final do dia estou lá.
Versão 1.1: Mudança de planos. Bom fim de semana. Segunda. Caro Manuel: Aproveito a oportunidade que me dá para participar no debate. Vejo com cepticismo a iniciativa recente da OA pelo direito à Arquitectura. É que o Decreto 73/73 há muito que está morto e enterrado, esta era aliás a posição do anterior CDN da OA, pelo que o problema manifestamente não está aí. Escuso-me agora e aqui a explicar o como, mas o parecer do Diogo Freitas do Amaral explica-o muito razoavelmente. É óbvio que a posse de uma licenciatura em Arquitectura e a inscrição na OA por si e em absoluto não são garante da qualidade dos serviços prestados por um arquitecto. É óbvio que existem não arquitectos cujo exercício profissional no domínio da Arquitectura é mais meritório do que o de muitos arquitectos. Seria aliás perfeitamente justo para estes que se previsse um dispositivo de excepção de admissão na OA. É óbvio que sendo a arquitectura um direito deveria ser consequentemente providenciado um qualquer "serviço nacional de Arquitectura". Concordo que há uma discussão mais proveitosa a fazer em torno da administração urbanística do País, designadamente a autárquica, o sistema de corrupção aí instalado que tem como argumento (de Estado) o financiamento ilegal do nosso sistema político partidário. E com isto não quero deixar de dizer que acho normal que sejam arquitectos, isto é, licenciados em Arquitectura, a fazer projectos de Arquitectura e que a Administração no âmbito da regulação de um mercado (da construção civil) que não é perfeito nem livre (!), em defesa da livre concorrência e dos direitos dos consumidores, lhe estabeleça claramente esta regra. A informação de que dispõe não é correcta. Os projectos de Arquitectura não são apreciados nas câmaras municipais a 100% por arquitectos, mas também não compete a estas e aos arquitectos ou não arquitectos que nestas apreciam estes projectos pronunciar-se sobre a qualidade da sua Arquitectura. A apreciação que aí é feita, atendendo ao quadro legal existente, incide exclusivamente e de um modo geral sobre quesitos de ordem programática e não sobre a qualidade da solução arquitectónica conferida ao programa (preliminar ou base) pese embora esta seja já evidente no estudo prévio que lhe é submetido. Os muitos regulamentos existentes e que são presentes no acto municipal de apreciação do projecto de arquitectura (falamos, claro, de obras particulares) não garantem a qualidade da Arquitectura e a Administração Local não tem neles base legal para se opor à execução de um mau projecto. Há aqui uma distinção que se torna relevante a fazer entre Planeamento e Arquitectura, entre plano urbano e projecto arquitectónico, estes se situambo embora no mesmo domínio profissional. O que o arquitecto ou o não arquitecto, funcionários municipais, fazem no âmbito da apreciação dos projectos de arquitectura de obras particulares é do âmbito da execução do plano urbano da Autarquia. No exercício desta tarefa eles não se colocam nunca como co-autores do projecto de Arquitectura da obra particular cujo licenciamento ou autorização são requeridos ao município pois que esta tarefa só interfere com o programa, a encomenda, subjacente aquele. Logo, a qualificação do projecto arquitectónico só pode ser tentada pela qualificação da sua autoria! E não se podendo impôr que todos os autores sejam grandes artistas é razoável exigir-se que tenham recebido antes uma formação artística adequada. A Arte também se ensina, a Arquitectura ensina-se nas escolas de Arquitectura e não nas escolas de Engenharia, não sendo esta aliás uma disciplina e profissão artística como os próprios reconhecem. Óbviamente que a qualidade geral das nossas cidades (e dos nossos campos) não está só dependente da qualificação da autoria em Arquitectura ou ainda da qualificação dos funcionários públicos com responsabilidade (técnica) na gestão do território. Ao abordar esta parte do problema haverá que não esquecer que os funcionários públicos não são os decisores públicos! Nem são condicionadores da decisão destes! A sua missão é informar o decisor! Avançamos para esta discussão? Luís Neves
Óptimo. O e-mail foi "postado" apenas para aqueles que não possuem um Blog.
Caro colega-blogger Aceito e subscrevo qualquer discussão produtiva sobre arquitectura, se fôr a http://arquitonto.blogspot.com irá descobrir algumas adendas às suas opiniões. Gostava que estes temas fossem discutidos mais no plano dos blogs que remetidos para o anonimato do mail, porque de facto, tudo interessa a todos! Até breve, esperando a volta da discussão Rafael Vieira
Aproveitando o Post do João M., sigo na especulação mediática que tão bem praticamos desde a existência de livre concorrência, no mercado da exposição televisiva.
O seguinte excerto é da autoria de Robert Wilson, que no seu premiado romance policial, “Último acto em Lisboa”, Edição Gradiva, 1999, revela-nos uma outra nação, exposta às suas fraquezas ambivalentes, aos conturbados momentos de meio século de convulsões, sempre silenciosas, sempre sofridas, sempre digeridas. Da Segunda Guerra, passando pela Revolução de 74, vislumbramos as constantes crises de identificação do ser português. “Posso mantê-lo numa cela por um ano sem acusação formada enquanto faço as minhas investigações. Estamos em Portugal e a nossa lei é assim. É culpado enquanto não for provado que está inocente.” Considero sempre interessante constatar a imagem de nós por outros, que não condicionados com sentimentos dúbios de nacional sentimentalismo. Nem sempre é a mais verdadeira, é um facto. Ou, se quisermos, é verdadeira à luz de distintos elementos culturais. Mas é, acima de tudo, e quase sempre, crítica. No seguinte exercício de distanciamento, pretendo, numa tentativa de ignorar o peso da responsabilidade de declarações avaliadas por impulsos e verdades-feitas, reflectir sobre as capacidades e responsabilidades de auto-organização de um povo que se bateu por um tumulto cultural, exemplar na decisão do seu destino, mas não tanto no seu planeamento e prossecução. Chegava ontem a casa, quando um indivíduo com idade para ser meu pai, me aborda. Era o arrumador de carros da hora em questão, pronto para receber mais um impulso para a sua vida construída por momentos. Reparei então, que era diferente dos demais. Não queria apenas a normal compensação por um discutível serviço. Queria falar. Falava-me da sua vida e os seus olhos reflectiam dor angustiada. Decidi conversar, enquanto subíamos para o Largo Camões. E, ao mesmo tempo que tertuliávamos sobre as últimas décadas, as que vivi e outras que nem tanto, a mágoa de um destino forçado dava lugar a um brilho de esperança. O desabafo, por si só, tem destas virtudes. Encontrar alguém que nos ouve e, ao mesmo tempo, ter também a capacidade de ouvir, é algo que se perdeu. E neste momento de gratuita simplicidade, o “andei a lutar por vocês no Largo do Carmo” ganhou mais sentido. Por um lado, a inequívoca constatação de que a desilusão de tão altas expectativas é real e perigosa. O País, as pessoas, continuam à espera de muito que não têm. A Liberdade, essa, ninguém nos tira. Mas e o resto? Não nos alimentamos de Liberdade, antes a Liberdade alimenta-se de muitos de nós. Por outro, a inequívoca passagem de testemunho. “Tenho dois filhos da sua idade. Um está numa empresa boa, americana. Mas não sei por quanto tempo. O outro ainda a estudar. Lutámos por vocês. Agora têm que ser vocês a tratar de nós.” Esta exasperação retrata, é certo, um situação conjuntural, um capricho da economia Mundial, à qual somos tão susceptíveis. É, no entanto, inquestionável, que permanecemos no limbo das elevadas possibilidade por tempo a mais. E com isto não conseguimos construir uma sociedade sólida, crente em si e no seu futuro. Somos retalhos de boas ideias, mas também de muitos comportamentos dolosos. São muitos os sectores, que pela falta de objectividade e pragmatismo, padecem de credibilidade e confiança. Os casos jurídicos que assaltam a privacidade de cada um, nestes últimos tempos de sucessivos shows urbanos, invocam a reflexão sobre os valores e as liberdades individuais. Colocando o nosso pensamento, na actuação da justiça em casos de particular dúvida e que se iniciam sob a acusação, o indício, a suspeita, sem provas existenciais de qualquer acto, chegamos à conclusão que estamos perante um cenário onde se correm sérios riscos de erro, onde as ambiguidades são o resultado natural das incertezas associadas. Os casos recentes de Paulo Pedroso, Carlos Cruz, Fátima Felgueiras, são apenas a face visível, mais exposta, de uma lista interminável de anónimos cidadãos, que sob acusações despoletadas de forma relativamente simples, são colocados sob a figura de “suspeita de prática de actos criminosos”, constituindo assim, no entendimento de quem de direito, perigo para a segurança pública e por tal, colocados sob “prisão preventiva”. Esta é uma realidade que condiciona, abruptamente, a vida de muitos inocentes. Temos assistido a um discurso tranquilizador. Entre muitos outros, o professor Marcelo Rebelo de Sousa, do seu mediático Olimpo semanal, defende o sistema actual, que protege o interesse nacional, o colectivo dos cidadãos, que assentam nos princípios básicos da segurança. Isto traduz-nos que, em situações de fortes e declarados indícios, a prisão preventiva terá sentido. E até certo ponto, aceito esta interpretação, nos casos que, não podendo ser provados no momento, pela morosidade dos processos jurídicos, os factos de flagrante delito são suficientes para justificar tal medida. Mas o que dizer de tantos outros casos, em que apenas são colocadas suspeitas, e que mesmo em que se apresentem fortes probabilidades, estas continuam a ser isso mesmo, probabilidades... A prisão preventiva retira-nos algo que, por direito e constituição, é nosso, a Liberdade. E acrescenta-nos um conjunto de menos-valias, impressas na personalidade e vivência e das quais dificilmente nos libertaremos. E não é com o discurso de condescendência, que arguta a presunção de inocência até ao momento do julgamento, que se resolve esta grave falha da Justiça. Refiro-me à Justiça, no seu sentido real. A Justiça, que sendo Justa, assumiria as suas próprias fraquezas. Que daria um passo, no necessário caminho para a credibilidade e confiança, assumindo que a actual ausência de meios, que se materializa na morosidade indescritível de todo e qualquer processo, não é compatível com medidas de aplicação implacáveis, rigorosas e redutoras. Para exigir, temos de ser exigentes connosco próprios, temos de dar o exemplo. Aprendi a viver assim, mas sinto-me cada vez mais, um ser estranho neste País de seres indecisos, inseguros, contraditórios e errantes. Parece que todos nos esquecemos do verdadeiro sentido da vida. Volto às palavras de Robert Wilson. “Em Portugal (...)É culpado, enquanto não provar que está inocente”. E agora, professor?
Even now I curse the day, and yet, I think,
Few come within the compass of my curse, Wherein I did not some notorious ill: As kill a man, or else devise his death; Ravish a maid, or plot the way to do it; Accuse some innocent, and forswear myself; Set deadly enmity between two friends; Make poor men’s cattle break their necks; Set fire on barns and hay-stacks in the night, And bid the owners quench them with their tears, Oft have I digg’d up dead men from their graves, And set them upright at their dear friends’ doors, Even when their sorrows almost were forgot; And on their skins, as on the bark of trees, Have with my knife carved in Roman letters, ‘Let not your sorrow die, though I am dead.’ Tut! I have done a thousand dreadful things As willingly as one would kill a fly, And nothing grieves me heartily indeed But that I cannot do ten thousand more. Luc. Bring down the devil, for he must not die So sweet a death as hanging presently. Aar. If there be devils, would I were a devil, To live and burn in everlasting fire, So I might have your company in hell, But to torment you with my bitter tongue!
Flourish. Enter LUCIUS, and an army of Goths, with drums and colours.
Luc. Approved warriors, and my faithful friends, I have received letters from great Rome, Which signify what hate they bear their emperor, And how desirous of our sight they are. Therefore, great lords, be, as your titles witness, Imperious and impatient of your wrongs; And wherein Rome hath done you any scath, Let him make treble satisfaction. First Goth. Brave slip, sprung from the great Andronicus, Whose name was once our terror, now our comfort; Whose high exploits and honourable deeds Ingrateful Rome requites with foul contempt, Be bold in us: we’ll follow where thou lead’st, Like stinging bees in hottest summer’s day Led by their master to the flower’d fields, And be aveng’d on cursed Tamora. Goths. And, as he saith, so say we all with him. Titus, William Shakespeare Adivinha Qual é coisa qual é ela que é um livro? Um livro muito vendido. Com muitas versões. Com muitas alterações históricas. Com muitas traduções. Com muitas interpretações. O livro com mais histórias de assassínios, genocídios, infanticídios, lenocínios, fratricídios, facadas nas costas, guerras raciais, guerras radicais, guerras territoriais, guerras políticas, da avidez. Palavras inócuas lançadas ao vento mas ciosas com o advir dos tempos. Ambições desmedidas, ganâncias desmesuradas, perfídia, cobiça da beleza alheia, logro de massas, traições abjectas e relatos hediondos da condição humana? Não, não é Titus, o de Shakespeare. É um livro bem mais conhecido que esse. De autores que se conhecem mas não assinam. Que daria lições de traição política e deslealdade íntima a esse. Profundamente mais disseminado. Mais enraizado. Mais apregoado. Mais evocado para legitimar as profundas ambições dos políticos intemporais. Dos líderes dos bons costumes. Dos cicerones da moral alheia. Citado para corroborar a mesquinhez das pretensões inumanas nos homens. Para comandar bárbaros. Para isentar crueldades. Para aliviar injustiças. Para pregar a concórdia com a miséria. Para aliar os ignóbeis. Para crucificar o filho de Deus e com ele crucificar os seus seguidores na eternidade. Na devoção. Na subserviência. No medo. Na vénia. Na Cruz. Terá sido o livro que em parte nos fez? Ou será o livro um puro e genuíno espectador da saga antropológica? Aplicar-se-á nesta gnose a máxima dogmática da sociologia e da biologia de que o observador modifica os factos observáveis? Talvez. Teatralizará ele a nossa história? Ou teatralizará ele a nossa consciência sobre o futuro? O que consubstancia esse livro? Meras palavras impressas em papel, diriam uns. Saberes profundos incrustados e privativos de uma instituição secular, diriam outros. Anátema do Mal maquinista, vociferariam alguns pregadores laxativos. Registo do purgatório ou do paraíso terreno. Expediente do mal ou do bem. Instrumento da vontade do homem. Talvez. Qual é coisa qual é ela? Ele vende-se em todo o lado. Todos o vendem. Ele é vendido por todos. Todos o usam para vender. Todos se vendem através dele. Já todos sabemos qual é. Seria precisa uma voz bem mais hercúlea do que a de Jesus, de um bastão bem mais longo na sua mão, para os vendilhões do templo conseguir banir da nossa odre civilização, da nossa intrínseca cultura, da nossa extrínseca agremiação. Bem hajam aqueles que a batina decidiram envergar e não aqueles que a batina deixaram que lhes impusessem. Longo é o caminho que se propuseram percorrer. Usem-no bem. Para o bem. De facto. E não para o platónico e poético sermão.
Sobre as considerações efectivadas pelo DeEsquerda, sobre o sindicalismo Português, apraz-me reflectir.
“No entanto, nesta época em que as cidades com 50,000 habitantes que trabalham todos na mesma empresa não existe mais, ou o que ainda não ruiu está a desaparecer, o papel dos sindicatos”. O saber é residente na cabeça dos que sabem, ainda que possa ser representado em artefactos de conhecimento, como livros técnicos ou artigos científicos, por exemplo, e embebido nas tecnologias e processos de trabalho produtivas. Em última análise, ele existe dentro das pessoas enquanto seres relacionados em rede com outras pessoas. Trata-se sobretudo de construir ligações, conexões entre indivíduos. Sem este contexto comum, uma efectiva partilha do saber nunca ocorrerá dentro da organização. É este conhecimento tácito, que cada um de nós acumulou do conhecimento explícito e disciplinar e ao longo de milhares de dezenas de experiências pessoais, que as organizações têm de cativar para ganharem vantagens concorrenciais sustentáveis no mercado. O desafio constitui-se em criar uma “comunidade de saberes” dentro da organização, tendo presente que um balanço de competências apenas existe na relação que os indivíduos estabelecem entre si e com o espaço material que os rodeia, ou seja, o saber é aplicado e produzido num processo de contacto e partilha entre diferentes agentes. A realidade sindical de caracterizar todo o trabalhador como peça insignificante, homogénea, insipiente e inactiva de uma engrenagem taylorista, é redutora, ineficaz e retrógrada. No fundo, o denominador comum da gestão moderna é considerar que o elemento central é o «humanware», ou seja o processamento humano e não o processamento da informação. Procura-se criar soluções que criem ambientes favoráveis à partilha de saber dentro da organização, que instiguem a conversação em geral, que fomentem uma cultura colaborativa. O espírito da rede humana sobrepõe-se ao da tecnologia, ao da maquinaria. Verifica-se a alternância do capitalismo da “alienação do trabalho” para o capitalismo dos trabalhadores proprietários do seu próprio saber. O trabalhador industrial estava alienado, como dizia Marx, das ferramentas para trabalhar, como do próprio produto que fazia. O capitalista era dono de (quase) tudo, das máquinas e do resultado do trabalho, e quando a produção era vendida o consumidor ficava com ela. Pelo meio, o trabalhador via o salário, e mal. Contudo, com o trabalho baseado no conhecimento, a questão da propriedade e dos mecanismos de apropriação dos factores de produção tornou-se mais complexa. O trabalhador do saber é proprietário do seu cérebro, dessa ferramenta, por enquanto, insubstituível, e o empregador apenas o arrenda, se assim se pode dizer. O trabalho que faz é propriedade do empregador, mas o conhecimento nele empregue continua a residir dentro do próprio trabalhador, pela natureza da sua fonte, que é intangível. Isto aplica-se, inclusivé a muitos trabalhos com componente braçal. Quando o resultado desse trabalho é vendido o cliente fica com ele – nem sempre com a propriedade total – mas o produtor e o empregador ainda ficam com parte da sua propriedade. Por estas razões, muitas novas e interessantes questões se vêm colocar à organização sindical. Por exemplo: Como é que se remuneram convenientemente os empregados quando eles são os investidores do seu próprio capital humano? Como é que se fixa o preço dos produtos quando o próprio cliente, contribuiu, muitas vezes, para a sua criação? Conseguiriam os nossos sindicatos fazer parte do conselho de administração das empresas como órgãos cooperantes do desenvolvimento sustentado? A resposta está ai. Como diria alguém: “If you’re not a part of the solution, you are a part of the problem”
Onde está Nuno Cardoso? O que andará a fazer este personagem? Agradecem-se informações para dedireita@hotmail.com. Wednesday, June 18, 2003
E em maré de sugestões, acrescento a minha, para hoje.
Richard Dorfmeister presents: Tosca feat. Mc Sugar B., Earl Zinger and Ras MC T-weed plus visual support by Fritz Fitzke and very special guest le Madrid de los Austrias + Gu-Mix Onde? No local de Lá...
Ahhh!!! No fundo os Arquitectos querem é mesmo uma reforma da administração local e licenciamento de obras.
E eu que pensava que queriam eliminar a concorrência por decreto. Pode ser o que o Lourenço pensa, mas o que está no Manifesto Direito à Arquitectura não é isso. Com ou sem um processo de licenciamento válido, o que o Peditório reclama é a eliminação da concorrência.
Mais do que estimado leitor, um caríssimo amigo, sempre presente nas diatribes de direita, envia-me esta dissertação. Um tema interessante, cujas múltiplas abordagens se justificam e ao qual me dedico esta semana, no cenário da funcionalidade da Justiça em Portugal. Um Post a ser publicado sexta-feira.
Agradecemos e esperamos por mais partilhas de pensamentos. Vendas em Informação Ainda sobre a abertura do Telejornal, em directo do Brasil, com Fátima Felgueiras… Muita tinta correu sobre a legitimidade ou não do privilégio concedido a Fátima Felgueiras na sua primeira aparição, desde que se tinha evadido para o Brasil. Concordo que ainda que pública, a RTP também é uma televisão comercial – no sentido que vende um produto ou serviço – por isso, parece-me inteligente dividir o filão “Fátima Felgueiras em directo do Brasil” com as restantes televisões portuguesas. Em tempos de estimulação económica, é importante não subestimar o excelente serviço que a RTP pode prestar. Aliás, parece-me pouco saudável a tão malfadada política reguladora que o estado pode exercer numa empresa que, á semelhança da PT, EDP e TAP, pode ser altamente rentável, ajudando a criar valor acrescentado no ciclo, com mais valias económicas e sociais na sociedade. Ainda para mais, esta empresa já tem concorrência, tornando o mercado mais competitivo e consequentemente, gerador de “riqueza” a montante e a jusante do consumo. Sim, porque já soubemos o que era ter televisão sem concorrência! Lembram-se? A RTP tem - como qualquer instituto público – o dever de servir bem os interesses da maioria dos contribuintes que usam o serviço. Principalmente aqueles que (re)conquistou com mérito, nos últimos tempos. É importante perceber a interligação ou se quiserem a promiscuidade, entre o critério comercial e o critério editorial em informação televisiva. Sendo este o assunto que me traz aqui. Nos blocos informativos em televisão, estão sempre presentes fórmulas de, através da divulgação populista, conseguir atingir a maior fatia de espectadores. É o que se chama o efeito big-brother! A chamada ficção à séria! Não se faz bom cinema (entenda-se comercializável: gerador de valor acrescentado financeira e culturalmente) em Portugal, mas faz-se boa realidade ficcionada! Nisso somos mestres! É o que o “povo” quer!! É o que “vende”. Como gostam de dizer os editores dos nossos dias... Torna-se tudo uma questão de moral e bom senso, que como se sabe não é mensurável com instrumentos de precisão, numa indústria já toda ela assente em critérios dúbios e persona-dependentes: o coordenador/editor/jornalista como interveniente e juiz da mesma história. Se as direcções de informação dos meios de comunicação social nacionais não inverterem este caminho, rapidamente percebemos que para um editor, um suicídio filmado pode ser ou não alvo de exposição tele-noticiada. Esta decisão do editor/coordenador depende apenas de: características educacionais, morais, emocionais; se acordou bem disposto nesse dia; das opiniões do(s) colega(s) sobre o assunto e/ou a decisão a tomar; etc. Este é o dilema: um potencial suicídio on air vende! Mas está estatisticamente provado que nos dias seguintes, há um mar de suicidas em potência. E então o que prevalece?? Qual é o critério de decisão?? Onde está o interesse jornalístico nesta matéria?? Este é o dilema: Fátima Felgueiras, fugida da justiça com mandato de captura, live on-air do Brasil a propagandear-se, vende! Uma entrevista live on-tape, conduzida pela subdirectora de informação da RTP à mesma pessoa, combinando de antecedência a data e hora de emissão, inquestionado o valor informativo da mesma, vende!! Com que direito? Nos dias seguintes deviam surgir manifestações dos prisioneiros efectivos, preventivos, encoleirados, domiciliários e outros, a pedir o mesmo direito de antena! Também vende! Garanto-vos! Aliás, fica a sugestão para um programa de televisão, à semelhança daquele da Júlia Pinheiro na TVI, que vai ao encontro dos anseios da população desempregada. Neste caso era da população suspeita de crime, com ou sem acusação, mas acima de tudo indiferenciada! Só é possível isto acontecer com o aproveitamento de uma sociedade pouco desenvolvida culturalmente, com níveis educacionais e cívicos baixíssimos, associado ao síndroma pós-25 de Abril de que, tudo o que é regular, controlar e avaliar critérios jornalísticos, feito por não jornalistas, é censura! Assim, só vejo uma forma de resolver este dilema: os tempos de informação serem emitidos no chamado horário não nobre. Deixando o sensacionalismo (que tanto vende!) para os programas, que diga-se, não têm problemas deontológicos! Ou têm?? (ler “O Vazio Deontológico” ) João M.
A discussão do tema está ser feita com o Blog O Projecto.
Caso existam mais interessados em contribuir para a discussão: dedireita@hotmail.com
O Direito (?) à Arquitectura
O que no fundo se pretende é transformá-lo numa Obrigação. Se apenas a qualificação em arquitectura gera as ditas competências, porque a obsessão em protegê-las? Confessem lá... há mais quem saiba, não é? (,,,) Reservar aos Arquitectos as competências cujo exercício só a sua especial qualificação justifica e exige. Say again? (...) Todo o arquitecto é um criador No fundo é uma questão de status, regardless da qualidade do edifício: (...) mas nem todos os criadores de projectos de edifícios são arquitectos. Artistas mas nem tanto: (...) A liberdade de criação cultural é reconhecida a todos os cidadãos pela Constituição (artigo 42º) A de Primeiro-Ministro não, qualquer idiota analfabeto pode ser desde que votado: (...) contudo, a arquitectura é uma arte e uma técnica que implica responsabilidades de tal relevância social que o seu exercício deve estar reservado àqueles que possuam formação superior na especialidade. Os exemplos que citas não são equivalentes: Ninguém é obrigado a ir ao médico. Cada pessoa é livre de tratar a sua saúde como bem entender. Existe, por outro lado, um Sistema Nacional de Saúde que garante a gratuicidade do serviço do médico. Repara que mesmo grátis não é obrigatório. No caso de pessoas com conflitos, estas podem resolvê-los com acordos directos entre as partes. Ainda em tribunal, em muitos países civilizados pode-se dispensar a presença do advogado. E tal como na saúde, se não tiver dinheiro para um advogado, o Estado garante-lhe uma defesa. No caso dos pilotos, para além da lei, são os clientes quem valoriza essa opção. Se uma empresa disser: Os nossos pilotos são melhores, não têm é diploma... muito dificilmente alguém voa nela. A vossa proposta "Direito à Arquitectura" é impingir à força algo que o mercado parece ou não valorizar ou não ver necessidade de regular. Compreendo e defendo que sejam Arquitectos aqueles que, nas Câmaras, aprovem ou chumbem os projectos que lhes são apresentados. O Direito à Arquitectura é-me garantido nessa fase. Se o projecto entregue ao Senhor Arquitecto na Câmara for da autoria de um Engenheiro de Minas.... Parabéns à prima. É-me totalmente indiferente. Até pode ser da autoria do pedreiro ucraniano. O Arquitecto da Câmara dirá da validade do mesmo. Os Arquitectos que estão à frente dos respectivos departamentos das Câmaras, IPPAR's, DEMU's, etc são responsáveis pela descaracterização ou má qualidade do que quer que seja nas cidades. Apenas 4.1% dos projectos são feitos por arquitectos, mas 100% são aprovados por Arquitectos. O que aqui verdadeiramente acontece (na minha opinião e não só) era-me confessado por uma Arquitecta há uns meses quando me pediam a assinatura: "É que nós sofremos imensa concorrência na elaboração de projectos por parte de Engenheiros Civis, Desenhadores, etc" Concorrência? Ai, credo.... Um decretozinho proteccionista e ineficiciente dava-me mesmo jeito para mudar a minha casa de banho para Philip Stark.
Cocorocó
Cocorocó o galo já cantou Levanta nego, tá na hora de tu ir pro batedor O nega me deixa dormir mais um bocado Não pode ser o senhorio está zangado com você Ainda não pagaste a casa este mês Levanta nego, que só falta dez pras seis O nega me deixa dormir, eu hoje estou muito cansado O relógio da parede talvez esteja enganado O nega me deixa dormir, eu hoje estou muito doente Deixa de fita, malandro, você não quer ir pro batente Paulo da Portela Encontrei isto por acaso, num blog chamado Preto, Pobre e Suburbano. Feito do outro lado do Atlântico, tem uns artigos sobre as claques de futebol no Brasil e um relato diário num português muito diferente do que usamos aqui em Portugal. Tuesday, June 17, 2003
Um artigo interessante sobre a regulamentação europeia na internet:
Dalzell recognized that the U.S. government's true fear of the Internet was not indecency or obscenity, but hypothetical worries about how "too much speech occurs in that medium." Dalzell and eventually the Supreme Court realized that the best way to foster the soon-to-be spectacular growth of the Internet was to reduce government regulation--not to increase it. Unfortunately, Europeans still haven't quite figured that out. The Council of Europe--an influential quasi-governmental body that drafts conventions and treaties--is meeting on Monday to finalize a proposal that veers in exactly the opposite direction. Nem os blogs ficam de fora..... The all-but-final proposal draft says that Internet news organizations, individual Web sites, moderated mailing lists and even Web logs (or "blogs"), must offer a "right of reply" to those who have been criticized by a person or organization. With clinical precision, the council's bureaucracy had decided exactly what would be required. A conclusão parece justa : while the Council of Europe is very influential and its proposals have a tendency to become law, that outcome is not guaranteed. E depois os outros é que são puritanos.....
It is not the employer who pays wages – he only handles the money. It is the product that pays wages.
Henry Ford, Sr
De onde é que lhes vem o socialismo?
1. António Dias da Cunha 2. José Silva Lopes 3. António Nogueira Leite (colaboracionista)
Por razões meramente pessoais a minha casa está constantemente atolada de Arquitectas e Arquitectos.
Costumo regularmente visitar um certo Atelier da capital para tertuliar com a classe. Gosto imenso de assistir ao dilema espiritual do Arquitecto-de-Negócios vs Arquitecto-Artista. Confesso que tenho algum excesso de convívio com a classe, as palavras "alçado" ou "desconstrutivismo pós-moderno" ecoam fortemente na minha cabeça de vez em quando. Existem um conjunto de episódios cómicos, como foi o do execrável manifesto "Direito à Arquitectura". No dito Atelier pediram a minha assinatura, e eu, muito honestamente, perguntei: O que é que a vossa profissão protegida por lei quer desta vez? E não é que era mais protecção? Isto tudo para saudar a chegada de mais um Blog, assinado por LAC (que não conhecemos) e que se chama O Projecto. Monday, June 16, 2003
E deves estar a perguntar-te o que é que o Desportivo de Chaves está a fazer em Massachusetts.
Quem estiver em Boston e saltar por cima do Charles River aterra em Cambridge que, entre muitas outras coisas, tem uma forte comunidade portuguesa. Penso que a seguir a Newark é a maior comunidade nos EUA. Existem imensas lojas portuguesas e óptimos restaurantes, incluindo uma Portugália. Recomendo o Atasca , que faz um bacalhau assado fabuloso, servido com um Esporão levado pelo Roquette quando o SCP foi lá jogar segundo nos contava o dono do restaurante. One of East Cambridge's hidden treasures, this cozy Portuguese restaurant serves up misleadingly simple food with impeccably fresh ingredients, minimally prepared. Order a selection of tapas with a $10 bottle of vinho verde. The queijo fresco (fresh white cheese) comes from a farm in Lancaster; the linguiça was made in Ludlow. Portugal's love affair with the sea is reflected in dishes like grilled bacalao and a cataplana, or copper pot, of shrimp, clams, mussels and linguiça steamed in their own juices with a touch of white wine. Who knew that french-fried potatoes could be so delicate and greaseless? And wait until you try pasteis de nata for dessert. These grilled lemon-phyllo tarts topped with cinnamon and powdered sugar are as light as clouds. No wonder the neighborhood keeps this place a secret. Como curiosidade, a esmagadora maioria das empregadas da cantina da universidadezeca local são portuguesas e maioritariamente transmontanas. Saudades, saudades... Como dizia o nosso Durão Barroso, os transmontanos estão em todo o lado.
Numa pausa para NetReading, descobri um jornal informativo curioso. É sempre interessante vislumbrar como as nossas comunidades emigrantes, exacerbadas pelo sentimento colectivo da Pátria, dissecam esta fragmentada Nação.
A GUERRA NUNCA É FÁCIL’ O sargento Carlos Beirão, reservista dos fuzileiros navais americanos, termina no dia 17 quinze dias de licença, passados entre a família, que reside em Union, e que foram um apetecido intervalo nos quatro meses de presença no Iraque, onde chegou no início de Fevereiro integrado nos contingentes americanos que em Março invadiram aquele país. “A guerra nunca é fácil” - disse lembrando as experiências daquilo a que o presidente Bush chamou a “Iraq Freedom Operation” e comentando: “As coisas correram bem, apesar da resistência bem forte que por vezes tivemos, mas a resistência nunca foi aquilo para que estávamos preparados. E ainda bem que não foi”. Integrado em colunas de abastecimento, o sargento Carlos Beirão não conheceu os ardores dos combates na frente, mas conheceu escaramuças e as incertezas de quem se movimenta por terrenos que nem sempre são amigos. Conta, contudo, outros momentos entre os mais difíceis da missão que foi cumprir ao Iraque. E para o Manuel Pinheiro e todos os Transmontanos: Desportivo de Chaves vence em Massachusetts O Desportivo de Chaves, da II Liga portuguesa de futebol, venceu por 5-0 a selecção da New England Luso American Soccer Association (NELASA), num jogo particular disputado quarta-feira em Nova Bedford, Massachu-setts. Ao intervalo a equipa portuguesa vencia por 2-0 com golos apontados por Edu, aos 27 minutos, e Trigueiro, aos 29. No segundo tempo, Edu voltou a marcar aos 79 minutos, Isidro elevou o marcador para 4-0 aos 87 e Luís Cláudio estabeleceu o resultado final aos 89, na transformação de uma grande penalidade. A NELASA é uma associação de equipas de futebol amador constituídas na sua maioria por emigrantes cabo-verdianos e portugueses. O próximo jogo do Desportivo de Chaves é no sábado, frente a uma selecção de New Jersey, no campo da Kean University, a partir das 5:00 da tarde.
Realidade sindical - Parte I
Visito o site da CGTP. Nunca lá tinha ido e pedem-me logo que transfira um euro para apoio aos trabalhadores e ao movimento sindical da Palestina. Escolho o link Actualidade e não percebo o que leio: “O PACOTE LABORAL NÃO ESTÁ EM VIGOR A LUTA CONTRA O PACOTE LABORAL NÃO TERMINOU Pese embora a aprovação, do Pacote Laboral, na Assembleia da República, no passado dia 10 de Abril, a luta não terminou. Temos que continuar a lutar: Exigindo o apuramento das inconstitucionalidades; Estando atentos à regulamentação da legislação especial; Contrapondo nos locais de trabalho o exercício dos direitos consagrados nas leis do trabalho e nos Contratos Colectivos de Trabalho. O que está em vigor são as actuais leis e os Contratos Colectivos de Trabalho” Perceberam? O Pacote Laboral não está em vigor apesar da sua aprovação na AR. Em que ficamos? Falta sair no DR, mas está aprovado. Confesso que “o que está em vigor são as actuais leis” fez disparar uma gargalhada sonora aqui na sala. Insisto, vamos ver o que dizem no guia do trabalhador jovem: “Quais os teus deveres para com a entidade patronal? Tu também tens os teus deveres, que deves respeitar sob pena de te sujeitares a um processo disciplinar. Esses deveres são os seguintes: c. Obedecer à entidade patronal em tudo o que respeite à execução e disciplina do trabalho, salvo na medida em que as ordens e instruções daquela se mostrem contrárias aos teus direitos e garantias (se te derem uma ordem ilegal, uma ordem que ponha em causa os direitos que te são atribuídos por lei, não deves cumpri-la e deves queixar-te ao sindicato);” A pérola aqui é mesmo o Tu também tens deveres sob pena de levarmos com um processo disciplinar. Estamos surpreendidos, temos mesmo de trabalhar? Não podemos ficar aqui só a falar sobre Marx e do exemplo cubano, não podes explicar outra vez essa coisa da Palestina? Já agora, posso queixar-me ao sindicato tendo as quotas em atraso? E se não for sindicalizado, posso queixar-me mesmo assim? Rumo ao site da UGT. Molhos de textos à disposição e escolho o link do smoke at work, um programa destinado particularmente às pessoas que trabalham na indústria do lazer - bares, discotecas e restaurantes. O risco dos efeitos do tabagismo passivo é maior para estes trabalhadores, uma vez que a possibilidade de controlar a sua exposição é menor. Estão a ver os trabalhadores dos bares a manifestarem-se porque existe muito fumo no local de trabalho? Ou quem está nas discotecas? O DJ a protestar porque o volume do som é demasiado elevado? Há no movimento sindical coisas inúteis e os sindicatos estão em muitas coisas, para lá da realidade, muito para lá do En un lugar de la Mancha de cuyo nombre no quiero acordarme...
Publica-se no oásis do deserto, cuja escrita apreciamos e passarei a ler atentamente:
Visões Com muito interesse o poste do De Direita sobre a eventual ressurreição de Cristo no século XXI. Para abrir o apetite: "Por tudo isto, cada vez mais agradeço a educação ateia que tive. Apenas acredito naquilo que vejo e não vejo aquilo em que me fizeram acreditar". Mas o mistério (termo caro aos meus companheiros católicos) da fé passa também pela afirmação de Jesus: "bem-aventurados os que não viram e creram". Voz 12:29 AM Nesse caso, meu caro Tiago de Oliveira, quero eu ser “mal-aventurado” para poder realmente Ver e, dessa forma, descrer aqueles que dizem conhecer o Mistério, mas que proclamam fielmente a doutrina pia do seu asfixiamento. Como pode alguém negar o pecado sem o conhecer? Como pode haver santos se todos os animais têm boca para comer? Haverá algum santo popular fora dos infernos forjado? Não! No entanto, das suas biografias eclesiásticas, não rezam essas ignóbeis existências, usurpadoras dos 10 Mandamentos. Eles estão lá para serem cumpridos, apregoados. Não como proibições inibidas de uma vida vedada. Mas como leis! Como Santo Roteiro! Como Casta Peregrinação! Humana e legítima Tentação! Os 10 passos para os portões do divinal inferno e da bem-aventurada redenção. Só evita o fogo, a criança que nele queimou a mão. Planos de castidade para quê? É essa a porta da compreensão, e da liberdade no livre arbítrio daí subjacente? Voltamos a relembrar Nietzche: deve-se falar somente daquilo que se superou. Muitos não perceberam que o seu Anti-Cristo era bem mais cristão do que muitos... Bem haja, Zaratrustra. Amén.
Many aircraft are no doubt bought and sold in entirely conventional ways. But many are not. After all, lots of airlines are still state-owned and not subject to normal business rules. Commission payments (licit or illicit) on multi-million-dollar aircraft deals increase the capital cost of aircraft, which are therefore subject to higher depreciation or operating-lease charges, or both. But these extra costs are barely discernible in the pool of red ink created by the carriers' perennial losses.
[...] In November 1997 Sabena had approved an order for 17 Airbus A320s (narrow-bodied aircraft) which it did not need. Even more oddly, it had doubled the order at the last minute to 34, a move which helped trigger the airline's collapse four years later. O Economist traz um artigo sobre o mercado da aviação e a corrupção que grassa quando as contas se fazem na dezena de milhão. O mercado das empresas semi-públicas de aviação é de difícil entendimento, as empresas fecham e abrem com os mesmos aviões e balcões, mas outro nome, e os fundos públicos misturam-se com verbas pouco ou nada transparentes. Quem diz o mercado da aviação pode acrescentar os mercados da defesa, em geral. Ao contrário do mundo da bola, onde as verbas são espalhafatosas e as despesas se dividem por várias contas bancárias, ou no caso do Benfica, por vários cheques, os intervenientes do mercado da aviação são relativamente anónimos e o volume de dinheiros envolvidos muito maior. O caso da Airbus é caricato e recorda algumas decisões deste governo como a compra dos aviões que irão substituir os C-130 e os novos submarinos para a Marinha. Os concursos públicos para aquisição destes equipamentos não são transparentes e não se entende que um almirante grite franceses e o ministro dite alemães. Claro que existem verbas que circulam por várias pessoas, ou não fosse este o país que perde um milhão de contos em contratos de fardas tropicais para o Exército da Polónia. Com o calor que lá faz em Dezembro... A Airbus enquanto alternativa europeia aos construtores americanos representa uma reserva de independência e até de soberania, se considerarmos que os americanos podem vender-nos aviões equipados com sistemas de espionagem. Não ter alternativa à Boeing ou a outro fabricante representa um risco que os europeus não estão, e bem, dispostos a correr. Aplica-se neste caso o argumento de protecção à indústria nascente, subsidiando a indústria aeroespacial europeia no seu arranque. Today airlines are ordering about 400 aircraft a year. But in good times 800 planes, worth around $60 billion, are sold a year. In the past ten years Airbus (originally a consortium, now owned 80% by EADS and 20% by BAE Systems) has caught up with Boeing, which had enjoyed two-thirds of the market since its 747 jumbo-jet entered commercial service in 1970. A Airbus tem o seu posicionamento e a sua quota de mercado e agora não faz sentido o apoio dogmático à empresa europeia. Para os utilizadores, viajar num Airbus ou Boeing de médio curso é equivalente, sendo o passageiro mais sensível ao serviço prestado pela companhia do que ao avião em si. O que não se pode aceitar é que o suborno seja legal, que seja possível deduzir os subornos nos impostos e que esta seja uma prática reconhecida e frequente. Airbus has not been subject to such constraints. France ratified an OECD convention to outlaw bribery of foreign public officials in 2000. Until then the government even permitted French companies tax deductions for giving bribes. [...] But the American government has also spoken out on the subject of bribery. Two years ago Grant Aldonas, an under-secretary for international trade, told a congressional committee: “...unfortunately this [aircraft manufacturing] is an industry where foreign corruption has a real impact....this sector has been especially vulnerable to trade distortions involving bribery of foreign public officials.”
Plano de Posts
O Perfil de uma Morte em S. Petersburgo O Ensino da Diversidade numa Universidade Americana A Incógnita da Sucessão no FED Americano
O João disse que ia arrancar e arrancou.
É sempre bom ter um Blog a pedalar à nossa frente e a puxar pelo resto do pelotão. Os Blogs têm diferentes ritmos em diferentes fases, segundo a inspiração, o tempo disponível e a vontade. O essencial é continuar a pedalar.
Aproveitando a deixa do De Esquerda:
And daddy doesn't understand it, He always said she was as good as gold. And he can see no reason 'Cause there are no reasons What reason do you need to be shown? Tell me why? I don't like Mondays. Tell me why? I don't like Mondays. Tell me why? I don't like Mondays. I want to shoot The whole day down. All the playing's stopped in the playground now She wants to play with her toys a while. And school's out early and soon we'll be learning And the lesson today is how to die. And then the bullhorn crackles, And the captain cackles, With the problems and the how's and why's. Bob Geldof, I don’t like Mondays Sunday, June 15, 2003
Nunca passei uns Santos Populares tão descaracterizados como este ano.
Estar no Elevador da Bica, junto ao Bicaense, e estar numa rave ou lux-night é mais ou menos a mesma coisa. Atolado entre mulheres bonitas, certo, e isso foi anestesia suficiente, mas qualquer relação entre aquela festa e o Santo António Alfacinha, a existir, está para além da minha compreensão.
O Independente
Agradecemos à Direcção do Independente a publicação da nossa Carta de Protesto sobre o tratamento dado pelo jornal ao "caso" Luís Valente de Oliveira. É um gesto revelador de uma natureza de discussão que celebramos. Apenas tínhamos conhecimento de uma notícia sobre o mesmo tema no Correio da Manhã da mesma semana. O Independente carimbou, com a sua publicação, um certificado de autenticidade sobre o que poderia ser entendido como mais um boato no CM. Penso que o tratamento jornalístico dado ao caso da Pedofilia se divide em três planos: 1. Jornalismo de Investigação 2. Jornalismo Sensacionalista 3. Jornalismo de Contra-Informação E eu já perdi o Norte na imprensa portuguesa. Friday, June 13, 2003
A última notícia dos blogs portugueses vinha no DN do aviao, que confirmava o fim da Coluna Infame. Eu preferia que tivesse sido o blog-de-esquerda a encerrar para obras e aguardo os projectos dos ex-coluna infames. A net devia ser sempre assim, de borla.
A Harvard Book Store e a Intolerância da Esquerda
A livraria é igual a uma outra livraria americana qualquer. Vende livros, tem empregados universitários ultra-dedicados ao cliente, tem uma newsletter semanal, tem um plano de actividades diário que em conjunto com uma cultura de bom trato gera um sentimento de comunidade a quem por lá passa. Tudo bem, não são as qualidades da livraria a razão deste post. Suponho que em Junho de 2001, anunciava-se mais uma actividade. Para discutir o lançamento do livro The Trial of Henry Kissinger, a livraria iria organizar uma "noite" (5 da tarde) de discussão, sendo que o convidado principal era o próprio Henry Kissinger, que gentilmente aceitou discutir os argumentos expostos no livro com a assistência. Mundo ideal, não é? Um autor pensa que Kissinger é um criminoso de guerra, que deve ser julgado. O próprio lê o livro, e dipõe-se a discutir o tema numa livraria normalíssima com uma assistência anónima. Tudo muito bonito, tudo "ultra-tolerante". Um exemplo de calma e civilização. A beleza desta história acaba onde uma certa esquerda começa. A partir do momento em que Kissinger confirmou a sua presença, os radicaizinhos da esquerda envolveram-se numa orgia emocional de ódio. As mensagens começaram a passar, a presença "Dele" não poderia passar incólume, quem alí vinha não era um cidadão livre e tolerante. Era um imperialista que por razões imperialistas não se encontrava atrás das grades. Era um Culpado, Condenado e Cadastrado aquele que se propunha vir. Era necessário passar a mensagem na rua, preparar os cartazes, os insultos, os ovos e os tomates (como os que os energúmenos do Partido Socialista Revolucionário liderado por Louça atiraram a Le Penn). A sua vinda devia ser preparada com artigos nos media de Boston, por Chomsky, preferencialmente. Era necessário incendiar... A espiral de ódio cresceu na tribo do costume, e a Harvard Book Store e Henry Kissinger decidiram concertadamente cancelar a actividade. O meu dia, o meu conhecimento, os valores do respeito e da tolerância, todos eles ficaram mais pobres. E são estes radicaizinhos que usam e abusam da palavra democracia e tolerância. Depois queixam-se do excesso de polícia em Davos ou em Cimeiras do G-8. Convinha que os Media ajudassem e dissessem às populações que a polícia se encontra nesses lugares para proteger, entre muitas coisas, duas em especial: A Nossa Democracia e os Nossos Valores de Tolerância. Por todos nós e contra eles.
Subscrevo o João na afirmação de que o Abrupto está em forma e pronto a saltar para o ringue.
E parece confirmar uma tendência que tenho observado com curiosidade: A sua produção é, de uma forma geral, muito mais interessante quando "o deixam em paz". O Abrupto tem uma agenda muito própria e muito válida. Thursday, June 12, 2003
Manhã na Av. da Liberdade. Serviu para constatar as manifestações de orgulho alfacinha, no aprumo dos preparativos para a festa rija de logo. Se tivessemos sempre esta motivação e "self-confidence", se encararássemos com prazer mais uma oportunidade de viver, sempre que vislumbramos o constante dourado debruado a céu azul, talvez este país fosse o sítio óptimo para viver.
Nesta pacata manhã, escrevia, liguei o rádio na TSF. Felizmente não passavam reposições do melodrama da vida real que ocupara o Prime-Time da noite anterior. Ainda existe algum bom-senso nos meios, apesar de tudo. Continuo bem-disposto, até que a locutora de serviço, vocifera o inevitável...Derrapagem finaceira no Euro 2004, 127 milhões de Euros..a azia provocada pela noite anterior, em que os Fados foram regados com uma quantidade desmesurada de Sangria, sobe. Para logo descer. Convenço-me que esta é apenas, a notícia que já todos sabíamos, mesmo que não nos dissessem. Neste país, caímos todos no lugar-comum da previsibilidade, infelizmente, quase sempre pela negativa. A locutora persiste, parafraseando um rol interminável de números indizíveis, materializando a informação que já não importa, porque peca pela ausência da novidade...até que esta última surge: "Exemplo único de derrapagem zero é o Alvalade Séc. XXI" Penso para mim próprio, que esta situação não é possível. Nem neste, nem na maioria dos países que nos aglutinam. Mas ela persiste: "cujo valor total do contrato-programa assinado em Junho de 2000 _ 73 659 980 _ se manteve inalterado até final de Abril." Sinto uma enorme satisfação por saber que o clube que me move na irracionalidade é o autor deste feito, e que na prespectiva racional que mais vezes deveríamos praticar, é incomparavelmente superior, em benefícios, para uma nação que necessita urgentemente de ter mais motivos para extrapolar a sua alegria, do que aqueles que monopolizaram os últimos anos em Portugal. Fico descontente quando o Sporting faz uma época desastrosa, em termos de resultados que se nomeiam, de uma forma demasiado redutora, de desportivos, e que nos traduzem se o Campeonatos ou as Taças vieram ou não para ao ego de cada e da "colectivaidade" do Clube. Mas resultados desportivos representam uma dimensão superior. Representam os custos de oportunidade, sem dúvida danosos, na época que agora termina, de uma opção que nos faz sorrir para o futuro. São também resultados desportivos, a valorização constante e bem sucedida de novos valores do culbue, jovens com inquestionável potencial e infra-estruturas com qualidade. A isto se denomina de Gestão Eficiente, ao contrário da Gestão Danosa que é prática habitual, nas SAD's do nosso quotidiano. Devíamos aprender com o exemplo. Está a passar o tempo em que o Clubes de Futebol eram isso mesmo, clubes de bairro, com prejuízo para o próprio e os que nele revêm grande parte da sua vivência. A SAD do Sporting muda, de ano para anos, esta realidade. Quando o país, também ele, mudar, provavelmente teremos mais realidades como a vivida no Mónaco. Será reposta a justiça dos factores, o Sporting estará para tal preparado. Rapaziada, a Vitória será nossa, Cantem todos comigo, Viva o Sporting!
Plano de Posts
A Harvard Book Store e a Intolerância da Esquerda O Perfil de uma Morte em S. Petersburgo O Ensino da Diversidade numa Universidade Americana A Incógnita da Sucessão no FED Americano
Tribunal da consciência??!!?
Claro. É por existirem por aí tantos desses “tribunais da consciência”, que se julgam acima do tribunal da consciência colectiva, ou seja, as leis portuguesas, que existem inúmeros crimes de corrupção. serviço público de televisão........ Felizmente, porque somos um país dos pequeninos, também a nossa Evita Peron é obra da escala nacional. Está comprovado que os portugueses sabem discernir entre o teatro e a frontalidade. O nosso senso comum entende que quando uma menina arruma a sua colecção de sapatos e parte para o Brazil não é por respeito à nossa Democracia e sistema judicial, nem para encarar de frente um processo de acusação que garante ser falso. Como se pode dar voz a injurias à nossa Constituição provindas de alguém que anda a monte? Dizer-se exilada por motivos políticos é semelhante a afirmar que a nossa magistratura é perniciosa e actua sem fundamentos de prova, por motivos de perseguições avulsas e/ou contratadas por interesses obscuros. É dizer que se concorda com a democracia e depois proclamar escandalosamente a discórdia com os seus alicerces. Tudo isto é triste Tudo isto é asco
Os Links 2
Ontem, a caminho de casa, lembrei-me de uma boa meia-dúzia de Blogs que leio e que não pus nos Links. A actualização segue dentro de momentos. Wednesday, June 11, 2003
Serviços Mínimos
Com a totalidade do De Esquerda e uma parte substancial do De Direita a disfrutar dos prazeres do som no Sonar , o Blog só voltará em força a partir da próxima Segunda-feira. Até lá estamos em serviços mínimos. Um pouco como Lisboa esta semana.
Os Links
O html parece o Pascal. Finalmente o sistema de Links começa a tomar corpo. Agora só tenho de acertar as linhas, mudar as cores, por os códigos para os acentos, etc. Os "acabamentos". Fiz a lista de Blogs de cabeça, pelo que caso alguém se sinta excluído agradecia que nos enviasse um e-mail para dedireita@hotmail.com O mesmo se aplica à distribuição por categorias.
À Coluna Infame o nosso obrigado e até sempre.
Adiante iremos, na estrada nos encontraremos. E eu até desconfio que será num Congresso do PPD-PSD. Tuesday, June 10, 2003
Hoje, a Coluna Infame não é o Blog que leio com mais interesse, nem é aquele com que ideologicamente mais me identifico.
Mas foi o primeiro que eu li, e esse é um marco que ninguém lhe pode retirar. E foi também o seu discurso inteligente e atractivo no estilo que atraiu muitas pessoas a escrever e lançar-se no mundo dos Blogs. Habituamo-nos a um discurso triangular na autoria, sendo que um dos ângulos, o JPC, caracterizava-se pela ausência, talvez um ou dois posts por semana. Como leitor regular é com pena que vejo o desfazer do triângulo, gostava da fórmula e achava-a consistente. Só os próprios saberão se a Coluna faz apenas sentido a três, e com aqueles três. Mas numa visão pragmática de leitor, com aquele ou outro nome, gostaria que todos eles continuassem a escrever. Juntos ou separados é algo sobre o qual não devo opinar.
Não gosto de escrever sobre o PCP nem sobre o BE.
Considero-os um espasmo nervoso-civilizacional de um corpo morto que é o Marxismo. Quem, como eu, adora a modernidade e a inovação, há muito tempo que arquivou e selou esse tipo de literatura. O Futuro não lhes pertence. Aos meus amigos desses partidos, costumo lançar-lhes a mais que famosa frase samurai: O fim é importante em todas as coisas. E a sua expressão facial é a de quem foi tocado por uma barra de gelo na espinha dorsal.
Ferro Rodrigues é testemunha num caso de pedofilia.
Foi chamado para prestar declarações. O seu braço-direito, Paulo Pedroso, foi preso. Pela lógica socialista no Caso Moderna, não deveria Ferro Rodrigues pedir a demissão? Depois de pedir a demissão de Paulo Portas, o facto de Ferro Rodrigues não se demitir não demonstra um problema de carácter? Segunda a lógica socialista, terá Ferro Rodrigues "condições políticas" para ser candidato a Primeiro-Ministro? O militante do CDS Pires de Lima tinha toda a razão quando ontem dizia que para "esta" imprensa o ser de esquerda faz toda a diferença. Monday, June 09, 2003
Deve-se falar somente quando não se pode calar.
E falar somente daquilo que se superou. Até ao final do dia vou aderir a esta filosofia de Nietzche e não vou fazer posts. Claro que a questão aqui é o excesso de trabalho, mas assim soa melhor.
Leio no Mwana que o Diário de um livreiro que uns acham cristão, o Bicho Escala Estantes também fechou o blog.
O Mwana colocou a questão à UBL sobre o que pensamos da pirataria informática, cópias ilegais de cd’s e fotocópias de livros. Eu fui lá dizer que sou contra, que a solução deve passar pelo desenvolvimento do mercado de segunda-mão e das vendas/compras on-line. Concordo com os direitos de autor, mas 20 euros por um cd é puro roubo. Com este preço não resta à restrição orçamental que optar pela cópia. Copiar de um amigo ou comprar uma cópia é igualmente mau e é, do meu ponto de vista, errado. Gosto particularmente do argumento de um amigo meu: ninguém faz colecção de fotocópias de selos, pois não?
“Fontes da Pravda.Ru na Ossétia Norte afirmam que a bombista suicida, uma mulher, vestida de branco, aproximou o autocarro, que transportava funcionários militares e civis do aeroporto de Mozdok às 07.30 MSK na manhã de quinta-feira, causando a morte imediata de 5 pessoas e mais dez que morreram no caminho ao hospital ou pouco depois de chegar, tal foi a violência da explosão. A terrorista aproximou o autocarro do lado direito, pelo que todos os vítimas mortais estavam sentados naquele lado.
Dos quinze vítimas, catorze são mulheres, o único homem sendo piloto militar. Um porta-voz para a administração presidencial na Ossétia Norte declarou à RIA Novosti que há suspeitas de que os recentes ataques na Tchetchénia e este de hoje são ligadas na mesma rede e afirmou que “é um grupo organizado de terroristas internacionais”. A Tchetchénia é aquela terra ignorada por todos, sobre a qual nos chegam de vez em quando notícias frequentes sobre o clima de violência que o contexto de guerrilha terrorista ali instalado proporciona. Sobre os tchetchenos, pouco ou nada sabemos. Não têm estações de televisão pró-tchetchenas. Não têm imprensa reivindicativa nem voz activa. Não vemos as Nações Unidas a tomar posições sérias sobre o conflito. Não vemos manifestações nas ruas lisboetas da esquerda trotskista contra os atentados aos direitos humanos na região. Não vemos discursos solidários de Chirac apelando à paz. Não assistimos a coberturas jornalísticas de fundo sobre a matéria e a reportagens presenciais sobre as intenções dos grupos de guerrilha. Ouvimos qualquer coisa de quando a quando se as evidências de 700 pessoas reféns num teatro de Moscovo ou se uma explosão num autocarro forem demasiado notórias para serem ignoradas. A violência dos atentados em si, as vítimas inocentes que causam, a sua natureza terrorista, é hedionda e execrável. Não há fins que justifiquem tais meios de actuação por parte de nenhuma força guerrilheira. Mas também sabemos que do lado da federação russa, a falta de piedade tem conduzido a actos de flagelo na região e violações terríveis dos direitos humanos das populações politicamente pró-tchetchenas. A posição russa é categoricamente simplificadora: os terroristas tchetchenos têm barbarizado o Cáucaso há 200 anos e houve inúmeras tentativas ao longo dos tempos para impedir que este foco de «maldade» se alastrasse fora dos confins desta região montanhosa; nem a população tchetchena gosta deles, porque de facto não lutam pela sua liberdade mas sim por dinheiro, por redes de tráfico de droga, sequestros, prostituição, tráfico de armas...crime. No entanto, embora simplista e de certo modo veraz, a posição russa esconde os interesses petrolíferos sobejamente conhecidos na região, que são atentados pelas intervenções dos “bárbaros”. É claro que Putin também aproveitou, muito oportunamente, os acontecimentos de 11 de Setembro nos EUA, para rodear de uma casta aura cristã a guerra faraónica contra os “bárbaros terroristas da civilização democrática”. Esta tendência para considerar todos os grupos terroristas como parte de uma horda internacional maquiavélica é nimiamente conveniente a muita gente, para não dizer convincente, aos olhos do público desenformado, ou seja, de todos nós. O Cáucaso foi desde sempre um pulmão importante da revolução industrial russa. Recordemo-nos que a estratégia de Hitler, para conquistar a URSS em 6 meses, consistia na ocupação militar de dois objectivos fulcrais: Estalinegrado e o Cáucaso, a Sul. O primeiro consistia em cortar a circulação do rio Volga, por onde passava, então, 60% da economia do império e as embarcações com armamento para as frentes de combate; o segundo, porque amputaria a grande maioria da produção petrolífera russa, base energética de toda a indústria de armamento. A implosão do Império russo foi de tal modo complexa, que ainda hoje se recolhem os estilhaços da forçada anexação imperialista e beligerante do passado. Nunca os russos abdicariam livremente dos direitos que têm sobre o Cáucaso. Seria o mesmo que abdicar da sua história. Seria o mesmo que os americanos devolverem o Texas ao México. Até no mapa da Rússia é difícil localizar o Daguestão. Pouca gente compreende como pode um pequeno território de 50 mil quilómetros quadrados representar hoje uma ameaça à soberania russa. O Daquestão, tal como todo o Cáucaso, sempre foi um barril de pólvora. Existem 50 povos no Cáucaso, cada qual com história e cultura própria. Conhecido como "Montanha das Línguas", o Daguestão ostenta 32 povos com nomes impronunciáveis, cada qual falando um idioma próprio. A maioria é muçulmana sunita. Uniram-se no século passado por causa de um inimigo comum: o império russo, contra o qual lutaram durante 30 anos, antes de serem dominados, por volta de 1859. Sob o domínio da União Soviética, avares, darguines, koumykes, laks, tabassarans, rutuls, tsakhurs, aguls, tats e os judeus da montanha ficaram conhecidos como um só povo: os daguestaneses. E passaram a comunicar-se em russo, a única língua que tinham em comum. Já existiram conflitos entre o Azerbaijão e a Arménia (duas ex-repúblicas soviéticas no Cáucaso) pelo enclave de Nagorno-Karabach. Os azerbaijanos (principal etnia do Azerbaijão) têm disputas com os curdos e os talishes, no sul do país, e os lesquis, no norte. Na Geórgia (outra ex-república soviética no Cáucaso) também já deflagraram conflitos de razoáveis dimensões, ainda nos tempos em que o Exército Vermelho tinha o poder. Os 60 mil ossétios do país tentaram criar alianças com os seus irmãos ossétios da Rússia. E os abkházios também lutaram pela sua independência. Os povos do Cáucaso rebelaram-se contra a Rússia dos czares, a ditadura comunista de Estaline e os governos de Yeltsin e Putin. Já lutaram entre si. E todos os conflitos tiveram algo em comum: foram longos e sangrentos. O governo russo sabe que é um «rabo de pescada» difícil de esconder da opinião pública internacional e cuja solução não é de curto nem médio prazo. Sobre os apoios internacionais ao movimento tchetchenos pouco há a dizer. Os russos alegam que é um grupo organizado de terroristas internacionais, mas não vão mais longe para dizer quem os apoia ou que países os apoiam, se de facto existe esse apoio internacional. A conquista das reservas petrolíferas e dos oleodutos é uma guerra demasiado planificada para ser conduzida por “bárbaros a cavalo”. Ainda há quem acredite na historia do papão? A militarização do corredor eurasiano, a política petrolífera, as operações secretas por conta dos gigantes do petróleo, a protecção dos pipelines, o enfrentamento entre os interesses petrolíferos europeus e anglo-americanos, as transnacionais russas do petróleo ou a Tchetchénia no cruzamento dos pipelines estratégicos da região são variáveis que não podem ser descuradas quando se interpreta o conflito que opõe o Governo Russo aos Guerrilheiros tchetchenos. É engraçado como se fala do Iraque, do Afeganistão e como a esquerda voluntariosa portuguesa se embandeira de peito erguido nas ruas a entoar cânticos anti-guerra enaltecendo t-shirts che-guevaristas (são engraçados os “cristos” que a esquerda criou, ao recordarmo-nos da máxima de Lenine de que a religião era o ópio do Povo....muita coisa se poderia ainda escrever sobre isto). Será que o problema dos tchetchenos é não terem um Ministro da Propaganda, vulgo Ministro da Informação?
Leio no Abrupto que o Textos de Contracapa fechou. Aos poucos os blogs encerram, uns para férias, outros por causa das mesmas. Lamentamos que qualquer blog decida encerrar e infelizmente o primeiro contacto que tenho com este blog surge no dia em que o Abrupto noticia a morte anunciada do Textos de Contracapa, que, estou certo, terá hoje um número de visitantes muito superior ao habitual, chamemos-lhe o efeito abrupto.
Nunca li o Textos de Contracapa e parece-me que embora exista validade no argumento os blogs fecham também por outras várias razões. Existe alguma discussão na blogsfera sobre posts temporários. Pela minha parte, entendo o blog como sendo dinâmico e os posts tanto podem ser temporários como permanentes, sendo livre a decisão de os colocar e retirar, alterar o texto, substituí-lo, votá-lo ao esquecimento, sobrepor outro, acrescentar imagens, sons, é a variedade que torna o blog vivo, a capacidade de inovar e de se redesenhar o espaço onde vive o blog. Escreve o Textos de Contracapa: Onde julgava poder haver debate de ideias, critica, conversa, troca de informações - há apenas, fora algumas honrosas excepções, disparate, insulto, exibicionismo, parvoeira, perda de tempo. Não sei que blogs lê, mas eu visito regularmente o Valete Fratres, o Intermitente, o Abrupto, e costumo gostar do que leio. Também percorro o Cruzes Canhoto, o Liberdade de Expressão, o Memória Inventada e por vezes o blog-de-esquerda e a Coluna Infame, pelo que não posso concordar com a sua opinião. Manter um blog implica investir tempo e quando termina o efeito novidade, o blog reclama posts e exige de nós tempo que nos pode custar aplicar. Para quem não escreve por catarse, como alguma secreta terapia, a obrigatoriedade auto-imposta de escrever, ou a escrita como elemento disciplinador da vontade pode ser custosa e como tal, o blog acabará por perecer. Existe também o efeito solo, em que um pouco como nas bandas de rock, o vocalista decide partir para a carreira a solo, mesmo quando quem escreve as músicas é o baixista. Por isso, quem fica acolhe quem chega de novo se se apresentar e disser, olhem, estamos aqui e lamenta quem decide ocupar o tempo de outra forma. Eu lamento não ter mais tempo para vasculhar a blogsfera. Sunday, June 08, 2003
Sol, meninas em bikini, uma ou outra exposição, um ou outro copo.
O Blog foi o único sacrificado durante o fim de semana. Segunda-feira voltamos a escrever sobre assuntos sérios. Friday, June 06, 2003
Sexta-FeiraantesdaincríveloportunidadeparatodososPortuguesestirararempenasumdiadetrabalhoeficarcom9!deférias.
É isto que justifica maior reflexão, tempo, logo escrita, pelo menos, no meu cenário. O País vai parar, já parou. Olho pela janela e só vejo trânsito num sentido, aquele que o tão aclamado "doce fazer nada" (tenho algumas reservas em aceitar a terminologia italiana, neste caso) impele. Da Capital, vai tudo para o Algarve ou para o Norte. Nestas alturas, não faltam forças adicionais para motivar os que sentem "que já estão a merecer férias". Vivemos constatemente no engano. Nosso e dos outros. É neste momentos que tento ir buscar humor a algum lado, sob pena de passar todos estes dias numa azia incontornável. Hoje não foi dificíl: UE aprova medidas contra o regime cubano A União Europeia decidiu tomar uma série de medidas para reduzir o nível das relações com o regime cubano, em sinal de protesto contra a repressão contra dissidentes políticos, anunciou hoje a presidência grega da UE através de um comunicado. Os Quinze decidiram "por unanimidade" limitar as visitas governamentais de alto nível feitas no quadro bilateral e "convidar dissidentes cubanos para as cerimónias organizadas por ocasião das festas nacionais [dos países da UE]". No mesmo Jornal: Carvalhas assina acordo de cooperação com Fidel O secretário-geral do PCP assinou na quinta-feira em Cuba um acordo de cooperação com o Partido Comunista cubano, depois do polémico apelo para que as autoridades de Havana reconsiderassem as recentes condenações e julgamentos de dissidentes. (...)
Consta que ainda existe alguma dignidade jornalística nos habituais pasquins que contaminam a mediocridade Portuguesa. No público de hoje, José Manuel Fernandes tenta recuperar alguma dessa dignidade num exercício de obrgatória "mea culpa". Não o consegue. E apenas não o consegue porque tenta justificar, de uma forma primitiva e vulgar, a visível manipulação de um tema tão delicado como o da eventual razão que justificou a intervenção militar no Iraque, através da incompetência dos seus meios. Sem referir directamente que errou. E acima de tudo, sem pedir desculpa aos seus leitores, por falhar naquilo que mais valor tem para oferecer, a Verdade.
Por infelicidade, o editorial aparece ao lado de uma crónica discutível de Miguel Sousa Tavares intitulada "A Mentira". Já bastava o Independente. Cada vez mais, no cenário nacional, preferimos os Blogs...
Breves:
1. Hoje não comprei o Independente, apesar de o ter tido nas mãos e de trazer boas notícias na última página. Dizia: "Por motivos pessoais, Contança Cunha e Sá e João Carlos Silva não assinam as respectivas colunas". 2. Li nesse verdadeiro The Toy for The Boy que é o País Relativo... não... foi no Acção Socialista, um texto que dita o fim do Independente. O tempo o dirá, apesar de discordar da razão de fundo que invoca, julgo que o final da história é mesmo esse. 3. Ó João, se chegares ao lado de Robert Stavins e lhe propuseres a privatização do seu Charles river e lhe sugerires que ao abrigo das Teorias do Comércio Livre este poderia ser comprado pela Arábia Saudita ias ver a cara que ele te punha.
A recuperação económica Mundial, o papel Europeu e a sua capacidade de reposta ao actual cenário, têm sido o mote de recentes tertúlias que tenho promovido, entre amigos, no Bairro Alto.
(Sim, o mesmo Bairro Alto, onde vivo e pelo qual os signatários dos Blogs mais à esquerda, com a sua mais cómica do que irritante capacidade de apropriação moral , acreditam veementemente ser estandarte de discutíveis movimentos políticos e de igual frequência solidária. Meus caros, estas associações mentais que perfazem, apenas resultam de profundas indefinições ideológicas de Vós próprios. A Vós, aconselho a ler o Post, hoje publicado, pelo André Mendes, sobre o destino. Talvez se encontrem...) Voltamos à Economia: As questões então debatidas, incidiam naturalmente na actual força do Euro e as consequências de políticas macroeconómicas. Hoje, foram levantadas algumas destas no Financial Times: “Is the stronger euro hurting eurozone recovery? The euro hit lifetime highs against the US dollar on May 27 heightening the risk of deflation in the eurozone and putting pressure on the European Central Bank to cut rates. The rise in the euro is also damaging the competitive position of eurozone exporters against the US and countries such as China, which peg their currency to the dollar. Is deflation a real worry or just a stage of an economic cycle?” Wim Duisemberg decidiu responder activamente à questão: "The European Central Bank on Thursday cut interest rates by half a point to 2 per cent, their lowest level since the second world war, amid growing gloom at the state of the eurozone's economy." In Financial Times 6/6/2003 Esta tomada de decisão era inevitável, se tivermos em conta o que se passa do outro lado do Atlântico. Com o Euro mais forte que o dólar, as nossas exportações tendem naturalmente a diminuir, face à menor competitividade no regime de preços. Por outro lado, esta política traduz-se numa nova bomba de oxigénio para os potenciais investidores na Eurolândia, permite dinamizar a procura interna e assim diminuir os riscos de deflação. O que me parece interessante salientar, é que no seu discurso, Wim Duisemberg parece ignorar os riscos de uma eventual deflação para a já degradada Economia Europeia: Question: And my second question is related again to the IMF, which seems to be responsible for spreading a lot of pessimism. Of course, we keep hearing about this so-called deflationary threat. But today you have, out of hand, completely dismissed it – that there is a deflationary threat, that nobody has anything to worry about. Again, what does the IMF know that you don't know? Can you comment on this please? Duisenberg: I was already very clear when I said that I was almost astonished at what the IMF has done, that is, publish a staff paper on inflation differentials and deflation in the euro area. I have never seen the IMF publish a paper on inflation differentials between California and New Hampshire or between Texas and Ohio. Whereas there we are talking about one currency area which is even much smaller than the euro area. And so, that there are inflation differentials is nothing more than normal. There always will be between the various regions of a currency area. But if I may quote myself, I said, "within a monetary union" – which the euro area is and which the United States is – "deflation is not a meaningful concept when applied to individual regions", like New Hampshire or Germany. Não me parece que os riscos (ao que consta, possíveis, caso não se avancem com um conjunto de outras medidas correctivas dos níveis de competitividade, investimento e confiança) de uma deflação na Alemanha sejam de minimizar. A dependência de terceiros (como a Bélgica, a Holanda e a mais recente meretriz, a França) a este país significam um risco demasiado elevado para que possa ser ignorado. Continuamos com discursos de relativização de uma realidade que não pode ser ignorada. Existem diferentes pesos (e consequentemente, diferentes repercussões) , das diferentes regiões, de uma União Monetária que é também ela, substancialmente diferente (e incompleta...UK...) da verificada nos Estados Unidos. A abordagem à realidade da economia Norte-Americana, com menor grau de risco e incerteza, não se inibe de considerar esta possibilidade: "The "Greenspan put option" once enjoyed by equity investors appears to have been transferred to the fixed income market, with the Fed implicitly promising not to raise rates, even once economic growth resumes, until disinflationary forces have been headed off. Yet the prospect of a stronger economic recovery is a respectable forecast in the US." In Financial Times 6/6/2003 Naturalmente... Ficamos com o optimismo de que mais poderá ser feito: Question: President Duisenberg, just to rephrase the two earlier questions: have you now totally exhausted your room for manoeuvre, and second, how extensive a discussion was there on the size of this rate cut? Did that hold up the decision until today and what was the clinching argument in favour of cutting by half a point? Duisenberg: There was not much discussion about the size of the rate cut, I can assure you. There was a quick and general consensus on the fact that the rate cut was necessary and about its size. Moreover, we had been talking to each other for a long time already. Room for manoeuvre? Well, if the United States has room for manoeuvre with an even lower interest rate level than we have, then you can imagine we have not exhausted our room for manoeuvre. E acima de tudo, à espera que boas novas surjam da Ilha. Question: Finally one other question: the UK is due to announce its decision on whether it will join the euro on Monday. We believe that the answer from Gordon Brown will actually be "not yet". What is your message to the UK about why it should sign up to the euro? Duisenberg: I do not have a message for the UK. It is up to the UK to decide when and why. The "why" is clear to me, the "when" I do not know. Question: Can you tell me why? Duisenberg: Because it would be advantageous for the development of the United Kingdom and for the euro area if we joined forces again.
Vem a propósito citar uma das mais conhecidas frases dum dos irmãos Marx (o Groucho) que é a seguinte: “parti do nada e cheguei à miséria”. Poderia utilizá-la como chave da minha reflexão, em sentido figurado, como este: comecei sem ter noção da minha ignorância e acabei por saber que só aprendi isso, isto é, aprendi que, de certo modo, viver é gerir a nossa ignorância, que muda de cor mas só termina quando connosco morre a nossa curiosidade pela natureza, também pela nossa e a dos outros, uma característica da espécie que representa talvez o melhor da natureza humana.
Mário Murteira O Professor Murteira vai jubilar-se e com alguma nostalgia saboreamos cada palavra das crónicas que acompanhavam o Semanário Económico. Uma muito grande e respeitosa vénia de agradecimento e o pedido para que fique um pouco mais.
Hoje é notícia o levantamento da imunidade parlamentar de Edite Estrela. É impressão minha ou ao ritmo actual o PS terá dificuldades em apresentar listas para as próximas eleições? Destiny....... Se me debruçar, de facto, sobre aquilo que faz sentido, aquilo em que penso já não fará sentido. Porque o sentido das coisas não É mas Está. Está à priori e à posteriori do julgamento e é independente daquilo que constitui a minha definição desse sentido. Porque aquilo que eu possa pensar sobre essa definição não é senão mais uma coisa sobre a qual eu não estou a captar o sentido. Logo, como posso julgar uma atitude se o meu julgamento já confere em si uma atitude diferente numa circunstância distinta sobre outra atitude cujo sentido não captei? Como posso sequer intencionar perceber qualquer atitude ou circunstância se o sentido dessa intenção não me é perceptível no imediato? Aquilo que nos move está por definir. A virtude da árvore ou do rio não é um objectivo em si mas antes um estado virgem de qualquer atitude. A árvore está: Não-É . O rio não corre. O rio “Não-É” um conceito nosso. Porque um conceito nosso não-somos nós. Eu sou o julgamento que faço do outros. O julgamento somos nós. Eu “Não-Sou” o julgamento do julgamento, nem o julgamento do julgamento do julgamento....... Como não existimos isolados, somos definidos pela relação que mantemos com os outros e pela atitude não intencional que manifestamos nessa relação. Eu sou o outro porque o outro “Não-É” aquilo que eu penso dele. A minha opinião sobre os outros é o meu espelho. Pensar que o pecado mora ao lado é um erro, mas pensar que o pecado existe é um erro maior. Talvez a nossa virtude esteja em não perceber a árvore sabendo que é perfeita. A árvore não é mas Está perfeita porque eu não-vejo nela as minhas imperfeições. A árvore não me esconde nada. Ela sabe tudo sobre mim. Quem me dera não-ser o rio. Talvez errar o destino seja o nosso destino. Como pode existir o destino para quem não realiza o Sentido? De facto, o destino “Não-Existe”. ........ Isto é o que dá quando alguém se põe a ler Jean Paul Satre nas horas vagas. Desaconselho vivamente este género de genial deconstrução da banal realidade para quem pretende manter harmoniosa a sua íntima sanidade mental. Para dormir, nada melhor do que uma crónica do João César das Neves. Thursday, June 05, 2003
Os liberais à la Pedro Arroja
Imaginem uma pessoa com graves problemas no seu desenvolvimento mental. Um deficiente total no sentido médico do termo. Eis que um dia alguém consegue ensinar esta pessoa a fazer um truque, uma espécie de malabarismo ao qual as pessoas à sua volta parecem achar graça. Como este parece ser o único "recurso" que o deficiente possui, pratica-o em todos os lugares para onde vai. Vai ao supermercado: faz o truque Vai à missa: faz o truque Vai a um museu: faz o truque Vai a um restaurante: faz o truque O que certamente não dá conta é que apesar de um ou outro sorriso, ninguém repete o truque. Todas as pessoas continuam calmamente a fazer exactamente aquilo que estavam a fazer. Lembrei-me deste personagem Arroja devido a um post no De Esquerda sobre a privatização de Museus. Vamos imaginar que sim, que um dado museu português é privatizado e a legislação que tutela o património é "liberalizada". O que é que impede o dono do museu de, num dado momento, liquidar o conteúdo do museu e aplicar o dinheiro da venda num fundo de investimento imobiliário ou num hedge fund cuja liquidez ultrapassasse a que retiraria da exploração do Museu? Ficávamos sem o património cultural que seguiria encaixotado para, por exemplo, Shangai a troco de umas dúzias de Yuans. Arroja tornou-se famoso pelos ditos truques que acima citamos, sendo que um dos mais famosos era o de privatizar os rios. Vamos então privatizar e "liberalizar" a legislação da água. O que é que impediria o proprietário de, num futuro possível, exportar o caudal do rio para os nossos amigos árabes idependentemente das necessidades nacionais? Ou de barrar o acesso livre das populações a disfrutar das praias fluviais, da canoagem ou pesca? E que tal concorrer com o rio numa base distintiva, ou seja, de maximizar o seu grau de poluição, recebendo pagamentos de indústrias poluidoras que se deslocariam para lá? Felizmente para todos nós, este tipo de pensamento monodimensional não passa de um produto de entretenimento. Um pouco como aqueles senhores que vão à televisão dar infinitos "toques" com uma bola de futebol mas que jamais serão jogadores num clube a sério.
Lido no Linhas de Esquerda:
Exagero ou realidade A nova discussão bloguista tem-se centrado na questão de, o que é ser de esquerda. Zé Mário do BDE afirma que a esquerda ainda acredita na humanidade. Eu partilho dessa opinião e acrescento que a esquerda na sua maioria é o garante e o poço da moralidade social. Não dos falsos moralismos, que se confundem com os bons costumes inscritos na bíblia do jet-set, mas aqueles que permitem uma sociedade avançar coesa para o futuro. Sentimentos como a solidariedade, a partilha, o voluntarismo entre outros são abraçados pela esquerda de uma maneira mais aberta e desinteressada. Resumindo, penso que a capacidade para o altruísmo é superior na esquerda do que na direita não implicando que a primeira tenha o monopólio dele. Veja-se apenas as diferenças no estilo de governação e as diferenças nas medidas adoptadas pelos governos PS, PSD. Há blogs novos do lado do perigo totalitário marxista: o Linhas de Esquerda e, segundo o Cruzes Canhoto, o Different Seasons. O Jaquinzinhos e o Cruzes espezinham-se enquanto o Linhas de Esquerda publica o texto que se reproduz acima. Após o colapso dos principais regimes comunistas no final do século passado a esquerda anda a discutir, nas palavras do Linha da Frente, o que é ser de esquerda. Perdoem a minha distracção, mas isso não devia estar já resolvido? Então mas a esquerda não sabe o que é? A esquerda ainda acredita na humanidade, diz. A direita também. E agora? Considerar a esquerda o garante e o poço da moralidade social provoca espasmos cómicos e confesso que ouvi dizer o mesmo a bons católicos e muita gente de direita. Suponho que qualquer um queira para si a referência de garante de moralidade social, mas que moralidade social particular defende a esquerda? Solidariedade, partilha, voluntarismo não são, como não diz mas deixa entender, monopólio da esquerda. São valores que decorrem de um conceito de justiça e de preocupação com o nosso semelhante. Altruísmo: (ver Infopédia.pt) 1. sentimento de interesse e dedicação por outrem 2. doutrina moral segundo a qual o bem consiste no interesse pelos nossos semelhantes 3. Filosofia: doutrina que considera a dedicação aos outros como norma suprema de moralidade 4. desprendimento, abnegação Espantosa a nova esquerda que não cessa de me surpreender ao reinventar aparições glamourosas de ideias e ideais iluminados de sol. Em que difere então a esquerda e a direita? Entre o PS e o PSD existem apenas diferenças de pormenor pois ambos se colocam ao centro, disputando a mesma base eleitoral que decide as eleições. A esquerda e a direita diferem em matérias fundamentais, como sejam o conceito de propriedade. It should be remembered that the foundation of the social contract is property. Jean Jacques Rousseau Property is the fruit of labor; property is desirable; it is a positive good in the world. That some should be rich shows that others may become rich, and, hence, is just encouragement to industry and enterprise. Abraham Lincoln With us it is not a matter of reforming private property, but of abolishing it. Karl Marx Na vossa discussão do que é ser de esquerda ultrapasse o lugares comuns e defina a sua posição sobre o que realmente marca a diferença entre ser de Esquerda ou de Direita. Fica a sugestão e boa discussão.
Parêntesis
A questão da adesão da Turquia não é uma questão religiosa. Por, favor, não me venham falar da Polónia, do Vaticano e nas raízes cristãs da Europa. Se a Europa fosse cristã eu não me sentiria senegalês no metro de Paris nem árabe ao passear no Rossio. O que está aqui em causa são os favores e as parcerias que a Turquia mantém com os EUA. São feições que, neste momento, certos países da EU encontraram como forma de pressionarem os americanos com a adesão turca. Ponto final. Wednesday, June 04, 2003
A saga do Independente que já lá foi
Afinal o que nos une e o que nos separa enquanto humanos? Muito do que nos separa assenta na característica animal que nos originou. A velha conquista de poder e território como fórmula da defesa dos recursos e da realização pessoal. Muito do que nos une é aquilo que mais de animal temos dentro de nós. A partilha de esforços pela sobrevivência comum da espécie e pelo alcance dos objectivos primordiais da vida e da sua procriação comunitária. Então o que nos distingue como homens se a (de)construção da nossa sociedade se rege pelos mesmos princípios dos nossos companheiros mamíferos, ovíparos, celulares? A velha capacidade da criação artística ou a vaidade de proclamar como nossa a arte que que por intermédio do homem transparece? Não será arte o uivo do lobo na noite de lua cheia? Ou tornar-se-á arte somente quando o homem a conseguir imitar? Será mais arte a tela deslumbrante sobre o pôr do sol do que a luz viva que no horizonte se estende sobre os olhos do pintor? Estará a nossa arte na capacidade de apropriação da arte como nossa? Ou será essa apenas mais uma cruz do Homem a brincar de Deus? Ou será a ciência que nos distingue? A velha fórmula da tentativa e erro levada à exaustão. A capacidade de imaginarmos novas fórmulas e realidades antes de as vermos em prática.... Não sei. Mas houve «algo» que banhou o homem no início da sua existência. Uma luz, uma ideia. Lhe deu a consciência da sua inconsciência, temperada pela imaginação intuitiva e o racionalismo abstracto. E esse «algo» não banhou, com certeza, Constança Cunha e Sá. Eu até gosto da senhora.....confesso que quando a vejo na minha rua, passa-me ao de leve o ardente e instintivo desejo de voltar aos tempos primitivos da savana em que se impunha masculinamente sobre a fêmea o predomínio babuíno do macho ávido de luxúria. Afinal alguma coisa sempre banhou a dita cuja.... Digamos apenas, que as ferramentas do sucesso são muitas e ardilosas.
Had to be...
![]() You are Neo, from "The Matrix." You display a perfect fusion of heroism and compassion. What Matrix Persona Are You? brought to you by Quizilla ![]() You are Morpheus, from "The Matrix." You have strong faith in yourself and those around you. A true leader, you are relentless in your persuit. What Matrix Persona Are You? brought to you by Quizilla
Já se esperava
O grupo Jerónimo Martins decidiu suspender a venda de produtos através da Internet do supermercado Pingo Doce a partir de 1 de Julho. "O fraco valor e dimensão" do mercado online determinaram a decisão de encerrar o negócio de venda de produtos na Internet, informou a empresa. Logo a seguir ao bug que ninguém viu, as atenções e os discursos centravam-se no e-commerce, e-business, e-CRM, e qualquer palavra precedida de um e- estava vendida mesmo antes de existir o produto. Informático era um emprego em expansão e os salários subiam todas as semanas, um rodopio de procura superior à oferta que o mercado parece agora ter equilibrado. O B2B era servido em bandejas de prata com convites e apresentações janotas e qualquer ex-ministro vinha por aí fora discursar sobre as inúmeras vantagens do mercado on-line, rematando a conversa com um the time is now. O empresário português não é nabo, e no que toca ao seu dinheiro decide racionalmente e não fia, por isso pensou duas e três vezes, devolveu os consultores a Lisboa e decidiu pagar para ver, optando por uma estratégia de late entrant. O Pingo Doce online vai fechar, pois claro. Era evidente que os números das consultoras eram expectativas irrealistas, visões de um futuro perto de si à la Matrix ou Minority Report. Em Portugal e em grande parte da Europa não existe massa crítica para que o canal internet seja rentável. Estude-se a oferta nos ebay europeus e descubra-se que fora do universo anglo-saxónico o e-commerce é fracote. A partir de 1 de Julho não há mais Pingo Doce online. Passou a euforia e no rescaldo a Jerónimo Martins arrepia-se e fecha a torneira e as janelas. E os consultores que venderam o projecto, onde andam? Os mapas bonitos com cronogramas e diagramas e gráficos, barritas coloridas e linhas azuladas que indicavam um break even possível, onde estão? Os portais que apareciam todos os meses acabaram por fechar e ficaram aqueles em que os sócios compram por lá, por decisão estratégica e obrigatória. A internet serve para comprar mais barato e é por isso que todos acreditamos que parte do futuro passa por aí. Quando as compras governamentais forem todas digitais, no portal do Estado, o país muda. Enquanto se esperar que os privados avancem e criem o mercado, quem investir perde dinheiro e quem esperar para ver arrisca-se a ganhar. A JM que encaixe os prejuízos e aprenda que errar é caro. Os accionistas que refilem.
The Heritage Foundation
Nas palavras dos próprios: Our Mission Founded in 1973, The Heritage Foundation is a research and educational institute - a think tank - whose mission is to formulate and promote conservative public policies based on the principles of free enterprise, limited government, individual freedom, traditional American values, and a strong national defense. A Fundação trabalha em dois ou três temas do mundo dos negócios que me interessam, e subscrevo a sua newsletter electrónica via e-mail. Muitas vezes trata de temas nos quais não quero investir tempo, mas a sua "cover" de hoje é surreal e fez-me dar uma espreitadela. Todos conhecemos que existe um moralismo castrador desenfreado e lunático numa certa direita americana. Mas os dois artigos de hoje batem records. O primeiro, populista e demagógico: Sexually Active Teenagers Are More Likely to Be Depressed and to Attempt Suicide by Robert E. Rector, Kirk A. Johnson, Ph.D., and Lauren R. Noyes O segundo merecedor de um prémio Nobel pela complexidade do relacionamento entre os factos: Increased Abstinence Causes a Large Drop in Teen Pregnancy by Melissa G. Pardue Não vale a pena comentar, está tudo à vista. Tuesday, June 03, 2003
Para quem está com o coração bem alicerçado, recomenda-se o longo post do Pedro Crespo no De Esquerda.
Para quem não o tenha, cuidado. Basta uma pequena fissura para se passar o resto da manhã a contemplar as paredes do escritório. Fala a voz da experiência.
Notícia no DE:
A novela continua. A empresa alemã Tengelmann vai apresentar em Bruxelas queixa contra o Governo Português pelo congelamento de 40 novas licenças de abertura de supermercados. Até 2007 a Tengelmann iria investir 300 milhões de Euros e criar 3.000 postos de trabalho. Iria aumentar a concorrência, contribuir para uma tendência de baixa nos preços dos bens para o consumidor final, lá lá lá, lá lá lá. Os benefícios que todos conhecemos. E é este tipo de sinais que nos pôem na boca do mundo pelas piores razões. É com esta insegurança nas decisões que se é suposto angariar investimento? E o "No Comment" do Ministério da Economia só piora o que já não era possível melhorar. Um desastre.
Credit In The Straight World
Go for credit in the straight world Look a dealer in the eye Go for credit in the real world Won't you try? I got some credit in the straight world I lost a leg, I lost an eye Go for credit in the real world You won't die Instant credit in the straight world Leaving money when you die Lots of credit in the real world gets you high Young Marble Giants (1980)
«Há 18 meses, Portugal tinha de contrair empréstimos bancários para pagar aos soldados», afirma o Wall Street Journal nas edições europeia e norte-americana de 28 de Maio. O jornal refere que «depois de cinco anos a gastar acima das suas possibilidades, o Governo português já não podia pagar as suas contas». O crescimento económico e as exportações abrandaram e a inflação subiu, afirma o jornal. O Governo socialista demitiu-se em Dezembro de 2001 e Portugal foi o primeiro país da União Europeia a furar o tecto de 3% no défice público. «Depois de 15 anos a aproximar-se dos vizinhos europeus, em termos de nível de vida, Portugal começou a cair».
Leio no DN o que lá por fora dizem de nós. Falhei a edição do WSJE e não li o que em Inglês soa sempre bem, como canta a Manuela Azevedo dos Clã. Devia ser como no cinema, A língua inglesa fica sempre bem E nunca atraiçoa ninguém.
A história de Herman José é um caso evidente de sucesso de uma carreira fulgurante à escala nacional.
A sua ascensão como humorista despudorado, no Portugal sisudo do pós-25 de Abril, capitalizava pela irreverência da frescura e pelo tom de nível popular de um humor acessível a todas as classes sociais. Foi no formato-revista que deu os primeiros grandes passos, acompanhando muito bem a inspiração dos modelos da comédia britânica televisiva, do género Benny Hill, e dos formatos de Jerry Lewis enquanto entertainer de massas. A polémica do seu sucesso atingiu de tal forma sensibilidades instaladas que foi, inclusive, contestado pela forma como retractou certas figuras históricas do tempo áureo dos descobrimentos. Na altura, impedido de continuar o seu programa na RTP1, deu a volta por cima e ganhou maior relevo, saindo de toda a questão com um certo alento de heroísmo e de figura com estatuto intocável. Digamos apenas que o valor do mercado das audiências fala muito alto....Foi muito hábil contratando escritores humurísticos e fez-se depender de uma extensa rede de pessoas a quem deu emprego. Depois de um longo período na antiga “Roda da Sorte”, Herman José salta para o formato que desde sempre ambicionou - o “Parabéns” e mais tarde o “Herman Sic”. A sua chegada a este último formato (na altura, inédito no país) agrega desde cedo audiências de grande relevo para as estações de televisão pública e privada, que se apercebem do seu impacto nas mentalidades de gerações diversas e na capacidade de influenciar opiniões. O salto que aqui se observa é acima de tudo de uma qualidade paradoxalmente distinta. Tendo-se iniciado como puro humorista e evoluindo para o papel de entertainer de massas, Herman perfilha um outro estágio mais elevado da sua evolução enquanto comunicador....o de opinion maker. O Marketing sabe muito bem a importância central que possui uma figura deste género. E quando falamos em marketing não falamos apenas nas vendas de ar condicionados ou automóveis, mas sim da possibilidade ímpar de vender pessoas, artistas, políticos, imagens. Herman usou com mestria esse poder de regenerar imagens, eleger políticos, resolver equívocos, fazer liftings de caras enxovalhadas na praça pública ou promover carreiras precoces e seniores, associando uma extensa série de grupos ao seu programa....grupos de movimentos sociais, grupos de interesses, grupos de comunicação, grupos intelectuais e grupos políticos. Eles eram potenciais candidatos a secretários-gerais, eles eram generais antigos presidentes da república mal vistos no caso Casa Pia, eles eram a mulher do rei das curas de emagrecimento vítimas de maus tratos conjugais, eles eram apresentadores acusados de pedofilia a chorar em directo no seu programa, eles eram um corrupio de artistas de palco, proxenetas, feiticeiras, manequins, primeiras damas, stripers, jornalistas, economistas, feministas, vocalistas e monarquistas. O papel de santo patrono a quem se vai beijar a mão para pedir a redenção.....neste caso da opinião pública. Ao patriarca convém sempre fazer a vontade e, sobretudo, aquilo que menos convém é tê-lo como inimigo, pois o poder da sua voz sagrada numa homília popular tem o dom de destruir e construir reputações, de conceder o perdão ou a injúria. Usou e foi usado. Categoricamente. Contudo, ao ver-se tresmalhado na questão da pedoflia, Herman sabe que não é na praça pública que resolverá a contenda dos tribunais. Poderá ter 500 testemunhas abonatórias e mais um clone seu com o dobro da audiência que isso não irá alterar uma vírgula nos eventuais depoimentos ou provas acusatórias. Herman poderá ser inocente ou culpado, não interessa aqui debatê-lo. Mas está aos olhos de muitos efectivamente condenado, pela fama que o precede e o transcende. As suas piadas parecem ter perdido legitimidade, sobretudo as de cariz sexual. O fulgor que tinha apagou-se, tristemente, dos seus olhos. Tristemente, porque é um excelente comediante e porque é humano o seu sofrimento. Não há quedas sem ascensões. O feitiço vira-se contra o feiticeiro. Tal como dizia Agostinho da Silva: “Eu nunca tive desilusões, porque nunca tive ilusões”. Sorte a deste lisboeta, asceta do século XX. Monday, June 02, 2003
A Imoralidade do Estado
O Estado em Portugal é aquele Senhor Gordo que sistematicamente se auto-convida para jantar. Dois ágeis agentes económicos decidem almoçar uma salada durante uns minutos e eis que surge o Senhor Gordo que nos obriga a entradas, vários pratos e sobremesas, várias horas de refeição e digestão demorada. Consegue emperrar tudo. O Estado não é um parceiro e os seus funcionários não agem como tal. O ridículo foi assumido há umas semanas, quando o Conselho de Ministros despacha a autorização de uma placa de sinalização para uma fábrica alemã. A maioria das empresas não tem o telefone directo de Carlos Tavares, e situações semelhantes estão, como estavam os alemães, há mais de um ano à espera de despacho pelo Instituto responsável. O licenciamento industrial ou hoteleiro dura anos. Anos. Os processos de apoio ao investimento são feitos de intrigantes artigos infinitos e os funcionários do Estado comportam-se como se fossem a concorrência. A mínima decisão parece passar por todos os Institutos do Estado. Todos. Parecem cogumelos, nomes que nunca ouvi falar e cuja utilidade me transcende. Investe-se num terreno, dois meses de espera para a Escritura que ninguém deseja mas que o Estado obriga. Demolição das ruínas: 1 ano para a Câmara Municipal debitar com a consulta a toda a gente que afinal se pode demolir. Projecto de construção: Nem vale a pena falar.... Dois anos de custos de capital e de capital parado!!! E a culpa desta improdutividade toda é de quem? Do empresário? Em qualquer país civilizado estaríam já terminados dois projectos de investimento deste género. Em Portugal ainda nem começaram as obras. É assim que todos ficamos mais pobres. Depois dessa tortura que é criar burocraticamente uma empresa e construído a sua estrutura, estamos dispostos a começar a corrida. Podemos ser iguais em potencial, dinamismo, qualificações ou atitudes a uma congénere americana. Tudo na linha de partida. Com a diferença que lá se corre numa pista olímpica, e aqui num pântano com água até à cintura. Quando vejo o Presidente Jorge Sampaio com os seus inócuos discursos apelar a um maior dinamismo por parte dos empresários, descruzo a perna e respiro fundo com alguma revolta. O mais importante factor de atraso no nosso tecido empresarial é o Estado e a forma como este sistematicamente exige a sua gordurosa presença. Enquanto o Estado não se auto-reformar, qualquer apelo seu é imoral. Imoral.
Refazer dos posts:
O post sobre o Sporting Clube Portugal fica para Agosto, para comemorar a inauguração do novo estádio. Tinha planeado escrevê-lo no final do dia de Domingo. Mas Sábado à noite o Real Madrid empatou, Domingo o SCP perdeu, e no final do dia cruzei-me na rua com... Constança Cunha e Sá. Demasiada Kryptonite... |
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